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A difícil arte de escrever algo que seja novo

Eu sou uma terrível contadora de piadas. Não tenho timing, não tenho “veia cômica” (como salientou meu marido em um dos nossos primeiros encontros), não conheço piadas boas. Na verdade, eu só sei contar duas piadas e são daquelas do tipo que você aprende na escola quando é criança e ainda nem imagina o quão ultrajante uma piada pode vir a ser. E essas duas, que são bem “fraquinhas” (eu assumo) muito provavelmente não deveriam nem merecer o título de piada.

Por outro lado, eu adoro uma boa estória. Adoro casos engraçados, embaraçosos, aventureiros. Se for de vexame e de assuntos escatológicos (vulgo caganeira-piriri-cangorra), adoro. É que eu gosto de reaprender e relembrar a todo instante que as pessoas ao meu redor são humanas e os humanos, em algum momento, sempre acabam fazendo alguma “cagada”. Adoro estórias de começo, meio e fim e assumo que prefiro o final feliz. Também sei reconhecer o valor daquele filme “sem final”, porque pra mim ficou claro que o autor quer que eu crie o desfecho. Aí eu viajo para o meu país das maravilhas 🙂

“Tô que boto” (eita mineirês que não sai de mim!) minha cabeça para pensar e nesses dois dias o detox está me fazendo criar mais distrações mentais para superar a crise de abstinência dos docinhos. Um suco verde pra lá e um creme de abóbora pra cá (é mais saboroso do que parece) e eu me pego pesquisando textos e vídeos bacanas no mar sem fim da net por horas e horas e horas sem achar algo mais que me gere inspiração.

É que todos sofremos de um mal de mesmice incontrolável por esses tempos. Me incluo na lista dos que acham graça daquela foto na piscina com “pezinhos” e ainda curto muitas fotos de looks do dia, bebês com laços gigantes e de pugs fazendo qualquer coisa (ai, os pugs!). Mas confesso que não vejo a hora de a gente voltar a ser mais diferente. Semana passada todo mundo “era Charlie”, essa semana todo mundo já “não é Charlie” e se você não sabe do que estou falando é porque deve estar de férias das mídias sociais. By the way, não é desse diferente que eu estava falando. É do diferente mais único, daquele famoso “ser eu mesmo”. Ah, e é claro, eu sou totalmente contra qualquer tipo de violência. QUALQUER.

Nós estamos chatos e bravos, é isso. E é claro que temos nossos motivos (mas não tivemos sempre?). E acima de tudo estamos polarizados, divididos em dois, praticamente sobre todo e qualquer assunto. Ou você é contra ou favor, não interessa o meio termo. É como se fôssemos obrigados a expressar constantemente de que lado estamos porque se escolhemos falar de qualquer outra coisa naquele dia, já somos tachados de “alienados”.  E aí nós queremos dar  opinião sobre tudo, de um jeito meio torto escondidos embaixo do pretexto de que aquele é o meu perfil e eu falo o que quiser. Acho estranho porque normalmente não agimos assim em uma roda de amigos quando temos uma opinião diferente da do coleguinha. Aliás, aprendemos lá atrás que devemos respeitar a opinião do próximo e de preferência não sermos racistas, nem homofóbicos, nem xenofóbicos, sem piada grosseira de mulher no fogão e claro, ainda assim sem censura nenhuma!

Pare e avalie seu feed por apenas um minuto. Confuso para você? Para mim, sim. Tenho certeza de que é criado muito mais conteúdo do que será possível ler em um dia ou em uma vida. E assim, continuamos nos afogando no rolo redundante de informações que ecoa sem parar o que já foi falado mil vezes, enquanto a sua melhor amiga posta aquela barriguinha de grávida de 1 mês e você não vê. Vou ali buscar minha saladinha de almoço e nos falamos depois. Quando eu ou você tiver “mais assunto”. Ou menos. Ou quando estivermos mais felizes. Por hora, prefiro invocar o meu direito de ficar calada.

je suis charlie

 

 

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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