Lulu na Grécia
Fotos do Casamento Grego em Santorini,  Giro pelo mundo,  Grécia,  Livros,  Santorini

A estrada que eu não andei ( e a vida que eu não vivi)

E se você tivesse aceitado aquele emprego em Istambul, alguns anos atrás? E se você tivesse continuado trabalhando em Belo Horizonte? E se você tivesse jogado tudo para o alto e ido para os EUA com seu grande amigo? Ou para São Paulo? E se você tivesse aceitado o pedido de casamento do seu primeiro namorado? E se você nunca tivesse escolhido fazer aquele curso na faculdade? E se você nunca tivesse voltado daquele mochilão? E se nunca tivesse o feito, estaria onde está hoje?

Não, definitivamente não. A vida é feita de escolhas incessantes e que nunca nos deixam em paz, não… nunca. Vivemos pelo menos as 16 horas que estamos acordados todos os dias decidindo (ou adiando as decisões) sobre coisas muito importantes ou totalmente irrelevantes. Usarei um vestido preto ou branco amanhã? Como sopa no almoço ou no jantar? Malho de dia ou de noite? Fico estudando até tarde ou acordo mais cedo? Vou naquele entrevista de emprego fora ou espero uma oportunidade na empresa? Ligo ou não ligo? É, são muitas micro e macro decisões todos os dias e como isso cansa!

E até onde sei, não há muito o que se fazer pois é preciso decidir ou alguém o fará por você. E nada pior do que uma outra pessoa tomando as decisões da sua vida no seu lugar, alguém mostrando a direção para onde você deve seguir. Então, é sabido que decidir é importante e indispensável mas isso não torna a tarefa fácil. Quantas noites de sono já foram perdidas enquanto todas as possibilidades do amanhã se trombavam nervosas dentro da nossa cabeça confusa?

São nos grandes momentos de encruzilhada que nos perguntamos “E então, para onde seguir?” e o coração fica espremido, o estômago revira. E de um jeito estranho e improvável, ouvimos a resposta. Seja em forma de pensamento, intuição ou de vento, trovoadas no céu. De algum jeito, abstrato e bem discreto, sabemos a direção que devemos seguir. Deus ou o destino tentam falar com a gente, mas ele é tímido em muitos momentos e nos sentimos sozinhos e perdidos. Não conseguimos ver as dicas óbvias pelo caminho e acabamos por fazer, bem, o que achamos que devemos fazer. Simples? Sim. Fácil? Nunca.

Mas a vida há de seguir e seremos o melhor que podemos, em nossa essência. Se estamos fora da rota, algo de muito fantástico pode nos acontecer (afinal o que pode acontecer, vai acontecer) e seremos “endireitados” de novo. Novidades, novas escolhas, muitos decisões e uma certeza: agora vai dar tudo certo!

E vai dar, vai mesmo. Se nos sentimos “conectados” e felizes, se vemos amor e gratidão nas coisas que chegam até nós, se vamos para cama com o peito leve e sonhamos livremente, então é porque deu tudo certo. Com certeza? Não sei, porque acho que não há certeza em nada. Há apenas sentimento, há apenas vida, apenas amor. Infelizmente e para nosso desassossego, alguns mistérios e dúvidas hão de continuar rondando o ar por aí e por aqui e em momentos delicados, eles podem nos encontrar. Aí, vem a pergunta: “E se eu tivesse escolhido…..”

Bem, vou falar uma frase que um grande amigo meu gostava de repetir: “Se tatu voasse, o céu era cheio de buracos” (Eu sei, coisa de mineiro, sabedoria lá de Minas!).  O que é, é e o que não é, não é. E de uma maneira prática, temos que entender que essa é a maior verdade. O “se” não aconteceu e a vida sim, foi plantada, regada, cresceu e virou árvore. E de nada adianta questionar a natureza dessa árvore nem se perguntar o que teria acontecido se a semente não tivesse caído na terra. Não adianta nada mas somos humanos e até onde sei, fazemos, pensamos e sentimos coisas de uma maneira louca e desmedida de um jeito que só nossa espécie sabe fazer. Somos bagunceiros e atrapalhados mas temos um bom coração.

E as perguntas se acumulam, trazem angústia, medo, confusão. Não há nada melhor a fazer do que entender que você escolheu o que lhe parecia melhor, naqueles dias. Nós temos o instinto forte de querer sobreviver, de qualquer jeito, então acredito que instintivamente escolhemos o melhor caminho. E se lá na frente um caminho mais interessante se mostrar, tenha peito de corrigir a rota se sentir que é o certo. Mas não o faça por medo ou impulso. Pare, avalie e pense. É preciso estar em paz consigo mesmo, antes de qualquer decisão.

Posso dizer isso pois vivo isso. Desde que escolhi que ia ter uma vida emocionante, que iria encarar tudo de peito aberto, que iria chegar em lugares que meus amigos e familiares nunca tinham ido, bem, eu sabia que a minha jornada seria, provavelmente, mais especial e mais complicada que a de todos ao meu redor. Topei o desafio e desde então tive que tomar muitas decisões difíceis e questionáveis. E se eu nunca tivesse morado em uma ilha quase na Turquia, na casa da minha tia, quando tinha meus vinte anos? E se eu não tivesse mochilado para todo lado sozinha? E se eu tivesse ficado de vez em um daqueles empregos temporários, em um pub da Inglaterra ou em uma cafeteria de ilha? E se eu tivesse terminado meu curso e aceitado uma boa oferta de emprego em Belo Horizonte? E se eu tivesse ficado na ilha de Corfu, como muitos amigos meus o fizeram? E se eu tivesse ido para Ásia como muitos outros fizeram? E se tivesse casado com o homem que meu avô me apresentou anos atrás, na ilha de Poros? E se tivesse continuado trabalhando com inglês? E se não tivesse largado a loja em BH? E se não tivesse vindo para São Paulo? E se nunca tivesse um blog para me expressar?

Bem, “se” e nada é a mesma coisa. Nada disso aconteceu então o que importa é o que aconteceu, certo? Sim, sempre achei que sim, só tem um detalhe. O “se” é nada, mas não é vazio. O “se” esconde uma possibilidade, um caminho, uma estrada, uma vida, que um dia quase virou realidade. O “se” é intenso porque enquanto não realidade, o “se” pode ser um sonho. Romantizamos o “se” o tanto que queremos, pois a realidade não veio esmagar nossos pensamentos improváveis. E assim, o “se” pode ser um perigo, uma ameaça de uma vida cheia de angústia. Eu achava que entendia isso com clareza e gosto de falar disso para ajudar os outros ao meu redor então eu tive a chance de colocar toda essa sabedoria de “pensadora reflexiva filha de psicólogos” em prática.

E alguns dias atrás recebi um presente de Deus tão curioso que até parecia uma pegadinha. Recebi notícias de uma vida longe, da ilha de Santorini, uma vida que foi minha um dia, mas que não é mais. E não é minha porque 8 anos atrás eu escolhi que não seria, que não era isso que eu queria. Eu estava triste, acuada, nervosa e ansiosa e eu tive de ir embora. Então eu fui e não me arrependo disso. Não me arrependi naqueles tempos e não me arrependo até hoje. A minha vida seguiu e foi para meu melhor, sou bem mais feliz hoje, sei disso. Agradeço a Deus por ter esperado eu ser uma mulher melhor, mais calma e mais sensata, mais madura, esperar eu ter um coração pronto para olhar para trás com carinho e não mais raiva. Pois assim eu posso lembrar com mais clareza de uma vida que eu quase tive, em lugar que eu vivi algum tempo, com pessoas que me mudaram para sempre. E daqui, do hoje, do presente, posso ter um olhar gentil e entender que as coisas acontecem para o bem da gente, sempre, sempre. Depois do susto das notícias de uma vida que não vivi, veio o alívio. Eu fiz o que era certo para mim e a vida na ilha continuou como havia de ser. Foi estranho e surpreendente, mas acabei por fechar todas as portas que eu achava que já tinha fechado e segui pelo mesmo caminho de antes. Loucura, né? Mas quem sabe quando mais alguma porta vai aparecer e abrir de novo, para nossa surpresa? Assim, decidi naquele dia que a minha escolha anterior tinha sido a certa e assim, fechei as portas para todas as hipóteses que ainda poderiam existir. Os “se” se foram de uma vez por todas. Sem arrependimentos e sem vontade de entrar na máquina do tempo. Ufa!

Então, quando quiser, vá fundo na memória, olhe fotos, lembre das pessoas, das escolhas, das coisas que você acreditava na época. Foi tudo isso que te fez ser o que é, chegar onde chegou. E talvez o ponto mais importante nessa espiadinha ao passado seja aceitar que uma parte de nós, mesmo que pequena, tenha sido deixada na encruzilhada da dúvida ou na dor da vida que não foi vivida, na estrada que ficou para trás. Ou ainda, é preciso aceitar que um pedaço de nós nasceu naquele momento, um pedaço forte e determinado a viver dias melhores. E que talvez uma parte de você ainda viva lá ou foi deixada lá e que você não pode ir buscá-la de volta, resgatá-la, explicar que tudo vai ficar bem, não dá. Lembre-se, o “se” é cheio de possibilidades, mas no final da contas, ele não é nada. Não há caminho de volta no tempo. O passado nasce, cresce e morre no passado. E precisamos nos renovar a cada dia, precisamos viver no presente. E o amanhã é apenas um sonho do hoje. Essa é a dinâmica da vida. E isso é ok.

A minha vida continua, leitores, assim como a de vocês, sempre, sempre. A vida acontece e isso é maravilhoso. Vamos para a frente, continuaremos a seguir adiante. Mas hoje estaremos mais fortes e ligeiramente mais sábios se aceitarmos amar (amar de verdade) tudo que vivemos até aqui, para podermos abraçar, com plenitude, tudo que ainda virá pela frente.

Separei uma fotos das antigas e percebi que, assim como hoje, eu nunca me esquecia de sorrir! Bom, né?! 😉 E se gostaram do texto, esperem pelo meu primeiro livro. Emoções e mais emoções, aventuras e histórias de amor em “Memórias de uma Noiva de Santorini”. Em breve, aviso vocês do lançamento em SP e BH! 😉 Bjs

Lulu na Grécia

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *