Malala
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A falta que um herói faz

Os últimos acontecimentos e a repercussão que eles ganharam nas mídias sociais e na TV me deixaram de cabelo em pé. E não é a primeira vez que isso acontece e receio, infelizmente, que não seja a última. Estamos com o estoque baixo de heróis e isso tem nos deixado histéricos e desesperados. E antes que você feche seu coração daqui em diante e faça uma leitura totalmente tendenciosa e cheia de ressentimento do que tenho para dizer, me dê apenas um minuto de seu tempo. Por favor, apenas 1 minuto antes de morrer de raiva de mim. Pode ser?

Uma morte, seja ela de um parente próximo ou distante, de uma pessoa famosa, de um grande líder é e sempre será triste. Ninguém gosta de perder nada e perder uma pessoa pode ser a coisa mais triste do mundo. Quanto mais próxima é a pessoa, mais sofremos. Quanto mais pensamos nisso, mais sofremos. Quanto mais nos envolvemos nisso, mais lágrimas serão derramadas. E isso é ok, porque somos sentimentos.

Eu respeito a morte, a perda, eu sei que ela existe e que ela causa dor. E sim, estou falando, neste primeiro momento, da morte do cantor Cristiano Araújo que, falo sem vergonha, eu não conhecia. Mas eu confesso que vivo em um mundo paralelo total, no País das Maravilhas e sertanejo não é meu estilo favorito. Ainda assim, acredito que ele era uma pessoa boa e que devia produzir uma música bacana para quem gosta do estilo e acho um absurdo a parte de divulgação de imagens do acidente e do corpo. Lembrei de quando eu era criança e os Mamonas morreram e os coleguinhas da escola entravam em um site bizarro para ver pedaços do corpo do Dinho. Não mudamos nada nesse tempo?

Provavelmente não. Mas a parte mais chata e triste é que estamos tão vazios e desesperados para sentir alguma coisa que acabamos por correr atrás de qualquer coisa que aparece por aí. Antes era fácil, a gente botava culpa na “mídia” como se ela fosse um monstro sacana e fora do controle, dominador de pensamentos. No entanto, hoje NÓS SOMOS A MÍDIA. E você, assim como eu, tem total responsabilidade em tudo que “curte” e “compartilha”. No final do dia, faça as suas contas e seja sincero consigo mesmo: você espalhou mais amor ou mais dor nas últimas 24 horas?

Na esperança de que o usuário das redes sociais começou a se preocupar com as coisas certas (eu sei, sou otimista) senti uma ponta de animação no último sábado quando vi que amigos trocaram a sua foto de perfil por uma colorida. Tinha até um app especial para quem quisesse fazer isso na hora e eu achei o máximo! Bom jeito de espalhar uma boa nova né?! O meu ingênuo erro foi o de imaginar que, quando as pessoas estavam se manifestando com comentários de paz e de igualdade, elas estavam falando do terrorismo do dia anterior. Imaginei que estavam todos contra a violência, espalhando uma ideia de paz entre os povos, de aceitação da diferença (lembra do “je suis charlie” seguido do “je ne suis pas charlie”?). Bem no meio do Ramadan, alguns radicais infelizes mataram mais de 200 pessoas que estavam rezando dentro de mesquitas. Se você não consegue se conectar no assunto porque não é muçulmano, saiba que eles mataram mais um bocado de turistas que estavam nas praias da Tunísia. Eu na hora fiquei chocada e triste, pois estava nos Emirados Árabes há poucos dias e a praia na Tunísia é um lugar belíssimo que eu tinha escolhido passar minha lua de mel. Senti tristeza pelas pessoas que lá estavam, pelos familiares, enfim, senti tristeza pela humanidade.

Enquanto eu viajava achando que a manifestação era por “essa paz”, meu marido me fez acordar para a realidade, pois o casamento gay era celebrado em todas as cores no meu mural do facebook. Notícia boa também e digna de ser espalhada, afinal eu realmente admiro toda forma de amor. Mas no meio da avalanche de informações, me pergunto se deixamos escapar a vida, os motivos nobres, a paz no mundo, porque estamos discutindo com o coleguinha piadas toscas sobre a morte do sertanejo. A vida dele vale mais do que as outras 200? Só porque ele é brasileiro e era “famoso”? Não deveríamos nos comover como ser humano acima de tudo?

Somos parte de um só todo. Essa ideia não sai da minha cabeça, mas as vezes me sinto sozinha em um mar de cabeças que precisam discutir e desvalorizar a opinião alheia, porque afinal, de algum jeito estranho, elas foram convencidas que o nosso 1% de diferenças é mais relevante do que os 99% de semelhanças. Estamos todos conectados e ver o outro sofrer lá do outro lado do mundo me afeta, sim. E te afeta também, não tenha dúvidas disso. Não seria melhor que a Europa pudesse existir “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”(tá, deixei o sangue grego dar um piteco no post, sorry!)?Respiro, sem muita esperança no hoje, mas eu faço o que posso fazer para tentar espalhar o bem. Bah, e não deixo de pensar: o amanhã será melhor.

E para ser sincera, os brasileiros não estão sozinhos nessa busca desenfreada por heróis ou por algo que “valha a pena”. Não é apenas o nosso facebook que está infestado por fanatismo de todos os tipos e de raiva por opiniões diferentes. Quando vi o caso do Cristiano, lembrei do One Direction, isso, aquela banda de adolescentes que saiu do X Factor ou do American Idol (ou sei lá de onde). Eles tem várias baladinhas até boas e são a boyband mais rica e famosa da história. Quando um dos seus integrantes anunciou que iria abandonar a banda no meio da turnê, aconteceu a maior comoção de todos os tempos nas redes sociais. Pessoas desesperadas gravaram videos no Youtube chorando e implorando que ele voltasse, pelo amor de Deus. E claro, o Twitter não falou de mais nada por uma eternidade (ou por algumas horas). Quase 500 mil pessoas não foram trabalhar  ou não foram a escola no dia seguinte da saída, tamanha a tristeza sentida “no mundo”.

Mas não se preocupe, porque no dia seguinte a vida continuou, mesmo sem o rapazinho. Eu realmente não ligo muito para isso, mas me impressiono com a proporção que as coisas tomam na net. Lembra do vestido azul ou dourado…quem se importa?!. Então, muitos…. aparentemente. Ou pelo menos, muitos tem acesso a essa informação e acabam clicando “curtir” por puro hábito.

Dito tudo isso, espero que você não me odeie. E se eu posso pedir alguma coisa, peço que não odeie o Zeca Camargo por dar sua opinião, que não odeie as pessoas ao seu redor por falarem algo que elas acreditam, afinal não fomos todos nós que ligamos o nosso botão de “politicamente corretos” de uma hora para outra. Respeite o tempo de cada um. Não tenha ódio e raiva, espalhe amor. “Curta” com o coração e não apenas com o dedo. E se aprofunde nas suas causas, porque nadar em águas rasas não nos faz sentir muita coisa, só uma alegria momentânea de entrar na água. É lá no fundo, no mergulho nas profundezas, que vemos a realidade, um mundo novo, que sentimos mais vivos, que enxergamos a cor dos outros seres. E não se engane, nós sempre queremos sentir algo. Que então não seja raiva, medo e tristeza.

E se você se identificou com o que eu falei mas não sabe nem por onde começar, te ajudo. Abaixo posto dois vídeos: um do One Direction, a tal boyband que falei anteriormente, em caso de você não saber do que estou falando e outro vídeo, da Malala, e um dos seus mais visionários discursos. Ambos têm um pouco mais de 3 minutos, mas pode ser que você ache os meninos mais interessantes e bonitos que a jovem menina que foi baleada pelo Talibã. Eu entendo e não te recrimino por isso. No entanto, eu sugiro que você assista os dois, que invista 3 minutos da sua vida no vídeo da Malala também. Vai valer a pena.

A gente pode ser um pouco de tudo, não precisamos ser radicais, não precisamos escolher um lado o tempo inteiro, sobre tudo que aparece no nosso mural. Se Angelina Jolie pode ser super pop e ainda assim lutar por causas tão belas (ainda mais do lado do Brad), nós também podemos. Abra seus olhos, siga seu coração, encontre sentido na sua vida, comece a busca ainda hoje. E eu espero te ver em algum lugar, online ou real, quando o coração chamar, para levantarmos a bandeira das nossas verdadeiras batalhas. Eu espero que saibamos nos posicionar do lado do bem. Se “one child, one teacher, one book, one pen, can change the world”, imagina o que nós podemos fazer com toda a nossa rede social?

E um último desejo de que você, assim como eu, acredite e queira um mundo melhor.

Blogueira e escritora, sou de família grega e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Viajo todo ano para a Grécia para visitar meus amigos e parentes e tenho vários contatos em Santorini. Pergunte que quiser. 😉 Ah, e também escrevo sobre os lugares que conheço, vivo na estrada, sou uma escritora viajante. Seja bem vindo ao meu país das maravilhas!

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