Muralha da China
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A mágica da Muralha da China (e tudo que eu pensei enquanto tentava chegar no topo)!

Toda vez que pensamos “CHINA”, não conseguimos evitar de pensar “MURALHA DA CHINA”! E, justiça seja feita, a mágica da Muralha impressiona até os que vão para lá com as mais altas expectativas (eu). A China é uma mistura total de sentimentos e nunca me senti em um carrossel de emoções tão louco dentro de um mesmo país, em um curto espaço de tempo de meros 20 dias. Um dia eu acordava amando na China, no seguinte, odiando e querendo antecipar minha volta para Dubai. Aí, eu conheci a Muralha e este foi o meu encontro especial e romântico com a China. Dali em diante, eu soube amá-la mesmo nos seus defeitos mais bizarros. E o que é o amor senão um óculos cor de rosa necessário (sim) e muito frágil também?

Muralha da China
Muralha da China

Bem, voltando a Muralha, quero dividir dicas práticas para quem quer fazer o passeio. O resto que queria falar é sentimento puro e sensações e acredito que só vá entender quem de fato conseguir subir lá um dia. Existem coisas que as palavras não traduzem e nunca vão traduzir. Subir a Muralha é um ato de coragem, acima de tudo. De superação, de transformação, de sublimação (eu não sei você, mas eu consigo sublimar em lugares assim).

Tá, de volta para a parte prática e lógica da coisa: nós acessamos a Muralha quando estávamos em Pequim (Beijing) e dirigimos menos de uma hora para chegar nessa parte da “coisa”. Tinha banheiros (chineses), lanchonete e dava para perceber que dali para frente/para cima era só pedreira. Aquela entrada dava um ar de que a missão não seria fácil, mas as vistas lá de cima pareciam muito promissoras para desistir. E claro, além disso, se você está na China, vá até a Muralha peloamordedeus!

O dia estava lindo, céu azul impecável e calorzinho no lombo. Fiquei feliz porque a maioria das pessoas só consegue ver a Muralha embaixo de uma névoa que é um misto de poluição assoladora com clima indeciso. Nós fomos abençoados com aquele céu, então eu sabia que ia conseguir chegar lá no topo, eu sabia! E para subir a Muralha da China é preciso roupas confortáveis e arejadas, tênis super amaciado e muita água e claro, disposição de sobra. “Nossa” parte da Muralha era uma escadaria sem fim e os degraus infinitos eram totalmente e insanamente irregulares, de modo que olhar para baixo e concentrar para não errar o pé era a única opção.

De tempos em tempos, tinha uma parada, que me parecia um posto de observação. Isso tudo é dedução minha porque nosso guia não subiu a Muralha com a gente e das muitas informações que ele passou antes de a gente subir, a única que eu lembro é que a Muralha foi construída para evitar que a China fosse invadida pela Mongólia. Quando ele disse isso, meu pensamento escapou para a época de Gengis Khan e nada mais foi absorvido.

Depois da primeira “parada”, é possível ver o cenário espetacular e entender a majestade da Muralha e acima de tudo, da China. Me sinto no dever de compartilhar com vocês que nós, aqui do Ocidente, não temos a menor noção do que a China é, do que ela representa. E foi bem depois dessa parada, lá pelo sexto posto de observação que prometi para mim que iria fazer um post honesto contando o tanto que a China é fantástica. Bem, aqui estou eu.

A China, assim como a sua Muralha é poderosa e colapsada. É intrigante e forte, na mesma proproção que é escancarada e insegura de si mesma. A China é inteligente, moderna, rápida e ela te assusta com tamanha eficiência na busca pela prosperidade a qualquer custo. E no segundo seguinte ela te encanta, flerta com você quando toma forma de uma educada garçonete vestida de gueixa que insiste em te ensinar a comer com palitinhos do jeito certo (ou do jeito chinês). A China, no meu ponto de vista, é injustiçada quando retratada na TV, nos jornais ou no inconsciente coletivo, porque nunca poderíamos julgá-la apenas pelo que parece ser. Os arrotos e os escarros na rua, o descaso com a higiene, as crianças solitárias com a bundinha de fora existem sim e elas te chocam bem no começo. Elas, de cara, te dão a dica mais preciosa que você poderia receber na China: “esqueça tudo que você sabe. Aqui é a China”.

E se você for sábio o suficiente para ouvir o conselho e se for gentil o bastante para acreditar nele, vai enxergar a beleza de cada detalhe entalhado no teto dos templos, vai ver a sensibilidade do pintor que cria maravilhosas paisagens em pequenas folhas de papel, com o próprio dedão. Vai conseguir parar na frente de uma praça qualquer e sorrir quando ver as crianças que não tem irmãos nem primos dividindo uma maça com uma outra criança desconhecida. Vai ver que por trás de toda a individualidade e correria do presente, existe um vínculo forte e inquebrável com o passado, com a sabedoria dos ancestrais, com o livro da família e suas histórias, com os amigos companheiros diários, com as dinastias sábias e cruéis, com o belíssimo feng shui, com as tradições milenares, com o confusionismo ético e pacífico.

E ali, entre aquele enxame enorme de pessoas que se trombam nas ruas de Xangai, na Praça Celestial de Pequim ou mesmo no meio da Muralha da China, se você se permitir abrir a cabeça, quem sabe vai até entender que existe uma necessidade enorme de controle para que um país daquele tamanho chegue a algum lugar. Então, você pára de apenas criticar o comunismo e começa a enxergar que o que está sendo criado em tempo real bem a frente de seus olhos é muito mais do que um “comunismo de raízes chinesas”, muito mais do que uma ditadura capitalista insaciável e irresponsável, muito mais do que qualquer coisa que possamos nomear ou criticar. A China é um grande evento por si só e nenhum de nós, ocidentais, pode ter ideia do que ela vai se transformar. E de como isso vai afetar o mundo.

Ainda assim, estou animada para ver. E foi isso que pensei do alto da Muralha da China. Lá de cima, eu entendi que aquilo tudo era belo e que a mágica só precisava de espaço para se manisfestar dentro de mim. Porque do lado de fora, ela já estava acontecendo há tempos. E ainda vai continuar encantando desavisados por aí, por muitos milhares e milhares de anos. E assim, puff!, de repente meu corpo estava de volta a São Paulo. Mas eu nunca poderia dizer que era a mesma pessoa que tinha saído daqui, dois meses atrás. É, a China me fez bem, estou mais tranquila e relaxada. Então, eu sugiro que algum dia você suba a Muralha da China, vá descobrir por você mesmo a mágica daquele lugar. E boa viagem 😉

Muralha da China
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Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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