Casamento em Santorini,  Livros,  Lulu no País das Maravilhas: Especial Grécia,  Santorini

A minha eterna aflição de voltar para Santorini

Fiquei pensando se postava sobre esse assunto tão pessoal ou não. Se falava da minha agonia, dos meus questionamentos mais profundos, da minha ansiedade escondida em horas e horas insanas de trabalho online 😉 Pois bem, aqui estamos. Concluí que vocês, meus leitores, são meus fiéis escudeiros e estão sempre comigo. Seja curtindo uma praia em Dubai ou enchendo a cara de Nutella em Sampa. Então, lá vai, vamos cutucar a ferida.

Em pouquíssimos dias estarei em Santorini. E lá é meu lugar favorito no mundo. Foi em Santorini que casei com o amor da minha vida ano passado 😉 Foi em Santorini que aprendi a falar grego fluente, que tive meu primeiro negócio, que tive minha primeira casa, que mobilhei do meu jeitinho, que aprendi a vender o meu peixe. É, teve muita coisa boa sim e como teve. Mas, infelizmente, teve muita dor também.

Brasileira de berço, filha de italiano e grega, meu coração sempre foi helênico mas ele só despertou para isso quando eu tinha 20 anos e pisei na Grécia pela primeira vez. E de lá para cá, nesses 10 anos, foram muitas mudanças, idas e vindas, barcos e aviões. Trabalhos e mais trabalhos, pessoas de bom coração e outras nem tanto. E daí vem minha aflição: voltar em Santorini sempre me trás um turbilhão de emoções.

Mas como que uma viagem até a ilha mais linda do mundo pode gerar desconforto? Ainda mais depois das lembranças maravilhosas dos quatro dias de festas do nosso Casamento Grego em Santorini? Então, é que tem muita coisa nessa janela de 10 anos que nenhum tempo poderia apagar. Mas é bem mais fácil viver como se não houvesse nada lá, não é mesmo?

E a vida passa, o tempo voa. Tocamos a vida para frente, sem nem pensar em olhar para trás. E de repente, estamos trabalhando longas horas, viajando o mundo e nem lembrando do que nós fez crescer através do sofrimento. Mas quando temos que voltar ao ponto inicial da equação misteriosa sobre quem somos, congelamos. Dar um passo a frente parece significar a morte. E talvez seja mesmo uma morte, metaforicamente falando. Afinal, precisamos de espaço livre para que os novos milagres aconteçam em nossas vidas. Mas esvaziar a caixinha de sapato cheia de recordações nunca é fácil. Quem aí nunca ficou sem graça na frente do primeiro namorado? Quem nunca sentiu um frio na barriga quando passou na porta do primeiro local de trabalho? E o sentimento misturado e incômodo de olhar nos olhos da pessoa que um dia foi sua melhor amiga? Dá um engasgo, né? Dá um sufoco danado! Vontade de sumir…

E foi no meio desses sentimentos estranhos que me encontrei na semana passada. De repente, tudo estava virando realidade ao meu redor: passagens impressas, posts programados, passaporte novo pronto, malas arrumadas. Eu estou a caminho de Santorini para filmar o book trailer do meu primeiro livro, não é maravilhoso?!  É sim, mas altamente assustador. Só de pensar que em menos de 2 meses meu livro estará nas estantes das livrarias me faz gelar da cabeça aos pés. O que será que vocês vão pensar de mim quando lerem a história? Será que vão ler? Será que vão comprar o livro? Será que vão aparecer no lançamento? 

É que o meu primeiro livro não poderia ser mais honesto e pessoal. Ele é a odisséia de amor de uma jovem greco-brasileira. É uma história de paixão, de coragem, de perdão, é uma jornada de uma menina que sai de São Paulo para se casar em Santorini. Ela sente medo, angústia, dúvida e sofre todos os sintomas dos questionamentos que uma noiva jovem mulher sente em relação aos seus conflitos internos. Tem o profissional, tem o pessoal, tem o sucesso, tem o amor. Vida em uma cidade gigante ou vida em uma ilha? Tentar mais uma vez ou se jogar no desconhecido?

Festas em Mykonos, romances em Santorini, xingamentos em grego de ilha, brigas infindáveis, fugas impensáveis. Sofrimento, sim, e muito. Tenho muito receio de como as pessoas vão olhar para mim depois que lerem o livro. Será que vão sentir pena? Será que vão me admirar? Espero que se identifiquem. Estas são as questões que se trombam na minha cabeça toda santa noite, quando vou dormir. E por isso quero deixar claro que ele é baseado em fatos reais, só que não é uma biografia da minha vida, ok? Mas enfim, eu precisava escrever o livro, desse jeito, porque eu simplesmente precisava liberar todos esses sentimentos, eu precisava de olhar para trás, mais uma vez.

Escrevi freneticamente por 3 meses e o livro ficou pronto. Foi rápido assim porque eu acho que ele já estava pronto dentro de mim, eu só precisava de coragem para “puxá-lo” para fora. Respirei fundo e botei tudo nas páginas. Logo será publicado o meu “Memórias de uma Noiva de Santorini“, um relato honesto (porém questionável) sobre a jornada de uma mulher que viveu entre Grécia e Brasil. Ou pelo mundo. Ou de uma mulher do mundo 😉

Então, depois das muitas 500 páginas de desabafo (não desanime, dá par ler rápido), estou quase curada. Sim, quase. Aprendi com uma senhora fofa de 86 anos que a atividade mais difícil, demorada e desgastante em que o ser humano pode se empenhar é a do perdão. E por mais que a personagem do livro já tenha enfrentado um a um todos os seus heróis e seus monstros, por mais que ela já tenha mostrado gratidão e compaixão frente cada uma de sua chagas, bem, a autora ainda está vivendo o processo. Um dia de cada vez.

Então é isso, volto para a Grécia semana que vem e para Santorini em poucos dias. A viagem será maravilhosa e intensa, não tenho dúvidas. Cheia de trabalho, imagens e fotos lindas da ilha e de momentos de reflexão. Porque não é nem meu primeiro chefe, nem minha ex amiga da ilha nem meu primeiro amor grego que eu preciso enfrentar: eles já estão no balaio especial dos importantes quase apagados pelo tempo. Eu tive de deixar eles irem embora muito tempo atrás, quando abri espaço para as experiências novas. O difícil, sem a menor sombra de dúvida, será perdoar a mim mesma. E como vamos filmar nas ruas do antigo bairro que eu morei, eu não vou ter como escapar dessa vez.

É, dessa vez será pra valer. Não tenho detalhes de organização do casamento para preparar, não tenho a companhia de amigos e família para me distrair, não tenho meu amor para me mostrar o lado bom a vida. Entre um burrinho cansado, uma viúva de preto e uma moto barulhenta eu vou ter que me conciliar comigo mesma, com a menina que eu fui um dia. E assim, como a personagem do meu livro, terei que aprender a encarar o passado com um olhar mais compreensivo. Porque são das coisas mais importantes e sofridas que nunca falamos abertamente, mas bem, ainda assim é preciso fazê-lo. Um dia. Mesmo que seja por um livro.

Ou mesmo que seja por um book trailer. Ou por mais uma viagem. A utopia de se perdoar sempre vai valer a tentativa. E um desejo final que a ilha de Santorini seja gentil comigo, ainda mais essa vez. Que o vulcão diga amém quando eu olhar com o coração leve nos olhos daquela menina, que era forte como uma guerreira espartana e que fingia que não tinha medo de nada, mesmo quando estava totalmente apavorada por dentro. E que quando as luzes da caldeira de Fira se acenderem depois de um inigualável pôr-do-sol, que seja para celebrar a paz que finalmente foi selada com todas as versões de nós mesmos.

Noiva Santorini

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

2 Comments

  • Aline

    Lulu, quanta emoção nesse post!!! Já fiquei ansiosa para ter o seu livro e descobrir toda a história que envolve a personagem principal… Vá com o coração aberto, pois com certeza viverá momentos inesquecíveis na produção desse trabalho! E, claro que vou esperar informações sobre o lançamento do livro para divulgar no Por aí afora!! Bjs e boa viagem

    • Luana Sarantopoulos

      Ei Aline!! Muito obrigada!! Emoção demais! Queimando por dentro e animadíssima. Ansiedade a milhoes kkkkk Seguraaaaa! 😉 Claro, vou avisar tudo sobre o lançamento! E darei jeito de colocar um versão virtual a venda para os queridos que moram longe 😉 Obrigada por ler! Depois conto as notícias da Grécia! bjs

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