A Grécia está na moda!

***Post da Nat, que veio direto do nosso blog no site Casamento em Santorini – clique aqui para ler tudo sobre Casar na Grécia!

Olá leitores!

Vamos começar a semana com um assunto que nós, da Equipe Casamento em Santorini, amamos de paixão: Moda!!! Mas calma, não é apenas um post qualquer sobre tendências do mundo fashion.

No início do mês de maio deste ano, rolou um super desfile da grande e conceituada marca francesa Chanel, cuja coleção e cenário da apresentação tiveram total referência na Grécia Antiga.

Pra quem não sabe, em 1922, Jean Cocteau, famoso poeta, dramaturgo, cineasta e ator francês, convidou a estilista Gabrielle Chanel para criar os figurinos de sua montagem Antígona. As peças teatrais de Cocteau foram levadas aos palcos dos Grandes Teatros, nos Boulevards da época parisiense. 

Coco Chanel era apaixonada pela história e indumentária da Grécia Antiga. Inclusive, a estilista também orgulhava-se da Vênus (deusa grega) que decorava seu apartamento na Rue Cambon, em Paris.

E foi nesse clima e com essa inspiração que o atual estilista da Chanel, Karl Lagerfeld, mergulhou na história da própria grife e na relação de sua criadora. Idealizou sua própria Grécia na coleção Cruise 2018.

O resultado não poderia ser melhor. Uma coleção que combina a tradicional alfaiataria de tweed da grife com vestidos mais fluidos, drapeados no jérsei e esvoaçantes de seda. A coleção mistura elementos atuais com várias referências da Grécia antiga como estampas nos vestidos que remetem aos vasos antigos de origem grega, chamados de ânforas, com desenhos geométricos e silhuetas de heróis. E para complementar, as sandálias gladiadoras de diversas cores e com salto, que se assemelham as antigas colunas das construções gregas.

Enfim, uma coleção linda de encher os olhos e que podemos aproveitar as tendências para usar e abusar no verão grego. Sem mais delongas, abaixo um pouco do que foi o desfile:

CASAMENTO EM SANTORINI - GRÉCIA ANTIGA
Desfile da Chanel – Coleção Cruise 2017/18 – Grécia Antiga (Foto Divulgação)
CASAMENTO EM SANTORINI - GRÉCIA ANTIGA
Desfile da Chanel – Coleção Cruise 2017/18 – Grécia Antiga (Foto Divulgação)
CASAMENTO EM SANTORINI - GRÉCIA ANTIGA
Desfile da Chanel – Coleção Cruise 2017/18 – Grécia Antiga (Foto Divulgação)
CASAMENTO EM SANTORINI - GRÉCIA ANTIGA
Desfile da Chanel – Coleção Cruise 2017/18 – Grécia Antiga (Foto Divulgação)
CASAMENTO EM SANTORINI - GRÉCIA ANTIGA
Desfile da Chanel – Coleção Cruise 2017/18 – Grécia Antiga (Foto Divulgação)

 

Música grega, cantada por mulheres especiais!

Sexta-feira, finalmente!

E a semana foi intensa e tenho que confessar, interessantíssima. Tive a oportunidade de encontrar com algumas mulheres fortes, verdadeiras, carinhosas, sinceras, batalhadoras. E me lembrei, mais uma vez, que cada uma de nós passa por uma boa dose de desafios freqüentemente, as vezes diariamente. Que o desespero ronda, a tristeza bate na porta, isso a gente sabe. E que temos que seguir fortes e guerreiras, cheias de garra e vontade de dar certo, isso também sabemos. E para ajudar a encarar qualquer que seja o desafio que está batendo à sua porta, convoco três grandes cantoras gregas (minhas favoritas) que destilam coragem em letras poderosas sobre aquelas forças maiores que nós. E que a paixão e o amor que elas distribuem nas canções sejam benções sobre nós e nossos problemas. E que assim, destemidas quanto ao conteúdo do que virá por aí, sigamos com firmeza com nosso final de semana! E com nossas vidas! 😉 bjs

No meio da Grécia, percebi: A crise existe mas os gregos continuam os mesmos!

Queridos leitores,

é com grande satisfação que escrevo este post pois estou trazendo ótimas notícias: mesmo com a crise, a Grécia continua a mesma!

É isso mesmo. Acabei de voltar de viagem de lá e digo com a maior alegria que os gregos continuam tomando cafés frappés gelados nas cafeterias, comendo banquetes dos deuses nas tavernas, curtindo pelo menos uma semaninha de férias em alguma ilha maravilhosa. Foi isso que eu observei nos meus últimos 20 dias por Atenas, Aigio, Santorini e Milos. Não é ótimo?

bandeira grega santorini

“Então o que mudou…? A Lulu está louca, eu vi na TV que a Grécia estava um caos!!”….Bem, pois é, todos nós vimos isso. E é claro que a crise afetou a renda de muitas famílias, diminuiu a chance dos jovens conseguirem um emprego coerente com sua formação no mercado de trabalho e atrapalhou bastante a vida de muitos idosos. Ainda assim, eles continuaram gregos e diga-se de passagem, continuaram a viver o momento presente. Se estressaram no primeiro e no segundo dia e depois concluíram: “Etsi einai i zoi!”( assim é a vida, em grego). PS: esta também foi nossa frase favorita em Santorini pois quando tudo parecia dar errado nós todas resmungávamos isso em pensamento – ou em voz alta!. Esta expressão tipicamente grega pode ser entendida como um mix de “ok, a vida continua”, “bola pra frente”, “aceite o que não pode mudar”, “dias melhores virão”, mas não é nada disso exatamente. Diria que é uma pontada de resignação e aceitação, um toque de otimismo mesmo que disfarçado de conformismo. Compliquei? “Larga pra lá” e “segue sua vida”! E não é isso que os gregos sabem fazer de melhor?! Você nunca viu o filme Zorba? Vá assistir e depois me conta 😉

Vou contar do que vi com meus olhinhos de grega-brasileira. Meus primos de Atenas estão ligeiramente mais desgastados com todo esse momento de ansiedade…vem aí mais um dia decisivo para os gregos. Eles estão com os nervos a flor da pele e reclamando da vida sempre que têm uma brechinha….(mas isso é novidade?! rsrsrrsrs). Tá e eu sei que sou bem assim também…..#prontofalei. Mas por outro lado, quando eu perguntei se queriam voltar para o Brasil, a resposta foi clara e tempestuosa: “NÃO, de jeito nenhum.” Porque, meus caros, talvez eles pensem como um dia meu avô paterno pensava, ele que também era imigrante só que advindo de terras italianas. Ele concluiu e calmamente repetiu muitas vezes ao longo da sua vida que “é melhor nascer cachorro na Europa do que gente no Brasil”.

Triste e pessimista, sim, sem dúvida. E peço desculpas se estou ofendendo alguém, mas é que eu não sou a pessoa mais patriota desse mundo 🙂 Brasilzão ta aí levantando um sol maravilhoso quase sempre e tem muita gente indo e voltando, assim como eu, todos os dias, todos os anos. Eu acredito que a escolha de onde você quer morar é totalmente pessoal e intransferível. Todo santo lugar tem problemas e a Grécia tem milhões deles, a saber: imigrantes ilegais, mercado de trabalho complicado, burocracia exagerada e todas as mil dificuldades das ilhas, modo de pensar grego rsrsrsrsrs e por aí vai! O negócio é vestir a camisa, tomar a decisão e seguir em frente. Não existe escolha fácil, você já deve ter percebido isso.

E quem escolhe ficar na Grécia, mesmo em fase de vacas magras, sabe que está abrindo mão de uma carreira, de um emprego que pague bem, de uma vida tranquila. Provavelmente, os donos dos muitos comércios que foram fechados estão recalculando as perdas, legitimamente melancólicos por tudo que está acontecendo. Os jovens estão decepcionados e sem visão nenhuma de futuro, os casais não tem grana para casar e nem para “juntar os trapinhos” e ir morar junto e esse lado da crise faz doer o coração. Só que quando estou frente a frente com meus amigos e familiares gregos eu não vejo essa tristeza escancarada no rosto, ela está apenas escondida em alguma parte do olhar, mas ela nunca toma conta. Em Santorini, meus amigos estão muito bem, os negócios prosperaram, a ilha está bombando. Como turista, percebi que a ilha e a Grécia em geral está mais barata do que nunca! Arriscaria dizer que está mais em conta do que nos últimos dez anos, na minha percepção.

Foi curioso perceber que os gregos de Santorini se preparam para a crise como se estivessem se preparando para a guerra. Tive a oportunidade de ver o quarto enorme na casa de uma amiga minha que virou um “mini-market”, onde o marido dela estocou de macarrão a sabão em pó suficiente para mais de um ano. Eles compraram armas novas de caça e prepararam o terreno com as sementes certas que vão garantir tomates e batatas para a família toda. Não se engane, porque não há grego coitado, não há vítima. Ele está sempre pronto. O grego é, sempre foi e sempre será colonizador, então ele é forte e está sempre preparado para os maiores desafios. E assim, os gregos, os naturalizados, os descendentes, os imigrantes, as esposas, os filhos, os amantes das Grécia e todos os outros que ali se encontram e que escolhem ficar no país sabem que dias difíceis virão por aí. Mas que, indubitavelmente, eles sobreviverão.

E se ficar insuportável, eles vão entrar em um barco e depois em um navio ou uma avião e vão atravessar o mundo em busca de uma vida melhor. Assim como meus avôs e milhares de outros gregos e pessoas do mundo todo fazem todo dia, a todo instante. É o ciclo da vida, certo? Então pra quê se preocupar? Vou ali preparar um café frappé para mim, vou me sentar na beira da janela da minha casa e observar os aviões levantarem voo direto do aeroporto de Congonhas. Afinal de contas, hoje está um belo dia para voar e a minha parte grega clama por uma apreciação do momento presente, mesmo que ínfima, rápida e passageira. O celular toca, os emails gritam e as mensagens não deixam o celular quieto na mesinha: eu sei, é difícil se desligar nos dias de hoje, mesmo que por breves 5 minutos. Ainda assim, escuto a voz grega que afirma que no amanhã tudo se resolverá e que em última instância me sussura: “não temas o ‘não saber'”.

Para finalizar, posto esta foto maravilhosa… a fotógrafa me clicou em Santorini enquanto eu estava pensativa, procurando por alguma luz! E não é que encontrei…? kkkkk E que possamos, cada um de nós, entender que a sombra é tão necessária quanto a luz. 🙂 Dias melhores virão, gregos e brasileiros, para todos nós!  Excelente quinta-feira para todos! 😉

lulu em Santorini

Foto de Bianca Ramos

Que Zeus esteja com a Grécia, porque eu estou!

O último final de semana foi o auge da crise “de nervos” na Grécia e tenho que confessar, na minha casa também. Fomos visitar meu pais em Belo Horizonte e ficamos horas (literalmente) discutindo sobre a situação nervosa e catastrófica que a Grécia está enfrentando. No almoço em família, enquanto as almas gregas esperavam agoniadas por uma definição que possa pelo menos deixar nossos parentes “respirarem” um pouco mais do que 60 euros por dia, as vozes dos corpos brasileiros questionavam ensandecidas os motivos que levaram a tal crise. Por que chegaram em um ponto tão crítico?

E não é apenas ao redor da mesa na minha casa que existem discussões como essa. Seja nas mídias sociais, na TV, nos jornais, na roda de amigos, para todo lado tem gente querendo dar uma opinião sobre a situação da Grécia. Há quem culpe os gregos, outros culpam os alemães, os políticos, o povo, a corrupção, as olimpíadas, os produtos chineses, a queda do turismo, a falta de indústria, o estilo de vida…o café! Enfim, não faltam motivos e eles se misturam e se complicam em um nível difícil de compreender. O que podemos fazer é tentar enxergar a situação “mais de perto”, certo?

A parte de dados econômicos e informações financeiras eu deixo para os economistas e jornalistas contarem. Neste post, eu vou falar do que vi na Grécia quando eu morei por lá e o que vejo ano a ano desde o começo da crise. Vou dividir com vocês um pouco do dia-a-dia em Atenas e principalmente nas ilhas, porque meu intuito é espalhar um ponto de vista diferente do que vemos por aí. Afinal, é fácil criticar o outro quando estamos sentados no nosso rabicó, o difícil é dar uma solução para o problema. E o que me parece é que o caso da Grécia é bem mais complexo do que o nosso senso comum imagina então toda ajuda é bem-vinda!

Quero começar dizendo que o grego é trabalhador e esforçado e acho muito triste algumas pessoas pensarem que os gregos são preguiçosos, isso é pura falta de perspectiva e falta de entendimento de diferenças culturais. Seria a mesma coisa dizer que o brasileiro vive de férias e não faz nada, só porque temos carnaval e milhões de feriados. Aliás, essa é a pergunta que os gregos sempre me fazem: “por que vocês viajam tanto?”. Eu tento explicar que trabalhamos bastante e tentamos “emendar” alguns feriados. “Quantos dias é o carnaval no Brasil?”, tento explicar que em geral são 5 dias, mas depende do lugar. Na Grécia, pelo menos em algumas ilhas, o carnaval dura uma noite. E lembro que trabalhei até as 8 da noite na minha loja, antes de ir para a tal festa.

Então de onde vem esse pensamento de achar que o grego é preguiçoso? Provavelmente, se você já foi a Grécia percebeu que os gregos tomam vários cafés por dia. As cafeterias ficam cheias o dia todo no verão. “Esse povo não trabalha?”, eu pensava no começo. Depois entendi que este é o estilo de vida do grego, a hora do café é sagrada. Mesmo que ele fique mais horas no trabalho, ele prefere fazer isso e ter alguma(s) pausas por dia para tomar seu café. É isso, estilo de vida. No Brasil, muitas pessoas têm duas horas de horário de almoço. Isso quer dizer que não trabalham?

O comércio na Grécia fecha no meio do dia. Sim, acontece e em cada lugar funciona de um jeito, o que complica mais ainda nosso entendimento. Em Atenas, por exemplo, o comércio de bairro abre cada dia da semana em um horário diferente. Nas ilhas, o comércio voltado para os gregos fecha depois do almoço e reabre no final do dia e eu posso te garantir que não tem muita gente caminhando no bairro nesse horário. Já nos lugares turísticos, normalmente tudo ficar aberto de 9 da manhã as 9 da noite. Ou de 8 da manhã as 10 da noite. Todos os dias. E se isso não afeta a vida do turista, por que criticar? Os gregos são empreendedores e é comum que o dono do comércio seja o único ou um dos únicos funcionários e ele precisa adequar o seu trabalho com a sua vida. Se ficar as 12 horas em pé na loja, quando vai lavar a roupa? Eu mesmo me fiz essa pergunta quando quis manter a minha loja aberta o dia inteiro em Santorini. Moral da história, depois de 3 dias de roupa suja e louça acumulada e praticamente nenhuma venda extra no horário estendido, voltei ao modo grego de ser. E fui feliz assim.

Os gregos de ilha só trabalham no verão. A maioria sim, isso é verdade. Eu já morei nas ilhas verões e invernos suficientes para entender que no inverno não acontece nada. Não existe vida, as pessoas que têm negócios fecham suas portas e vão para a casa de algum parente em Atenas. Se existiam 100 cafeterias abertas no verão, no inverno sobram 3. Uma em cada ponto da ilha, nada além disso. Os pontos turísticos fecham quando os turistas param de aparecer, meados de novembro (na melhor das hipóteses). Em ilhas menores, no meio de setembro já não existe um turista. E os gregos nativos, aqueles que vivem na ilha 12 meses direto e não tem para onde fugir no inverno são pessoas de coração puro e simples e que apreciam o estilo de vida da ilha. Eles entendem que tem que ralar muito no verão porque no inverno não haverá nada. Assim, não existe dia de folga de maio a outubro, as pessoas trabalham 7 dias por semana, 9 a 10 horas por dia, com um almoço corrido em cima da mesa do escritório. Quem mora nas ilhas só vê a praia, mas normalmente não consegue freqüentar, não toma um banho de mar, pois o grego sabe que o verão é tempo de trabalhar e ganhar dinheiro. Convivi com gregos em Santorini que eram donos de agências de turismo e que não iam a praia há 8 anos, nem para passear com o cachorro. Importante: eles moravam há um quarteirão do mar.

Verão é para ganhar dinheiro nas ilhas, e se for um ano bom, dinheiro suficiente para sobreviver no inverno. Se não fosse suficiente, havia uma opção de recorrer a algo que era tipo um seguro-desemprego, que era oferecido para pessoas registradas e que pagavam impostos, do ramo de turismo, pelo menos foi isso que me explicaram em Santorini. A grande maioria no entanto, não usava esse dinheiro. Eles tinham uma vida simples e econômica durante o inverno, entocados em suas casas na frente de um aquecedor velho enquanto a chuva castigava a ilha. Fica tudo cinza quando dezembro chega e eu morria de dor nas juntas por causa da umidade. Não dá para caçar, não dá para construir casas, nem vender souvernirs, nem colher uva e azeitona, nem alugar carro quando a ilha se esconde na névoa. É esperar pelo sol do próximo verão e se tiverem sorte, pelos turistas.

Eu quase fiquei louca no primeiro mês do inverno pois não estamos acostumados a temporadas tão extremas em nossas vidas. Logo decidi abrir meu negócio e foi quando tive minha primeira loja, voltada para os moradores da ilha. O negócio começou muito bem, mas depois de alguns meses comecei a sentir o peso de uma crise anunciada. Enquanto os sinos das igrejas tocavam no meio da neblina pesada do inverno de Santorini, anunciando que mais alguém tinha morrido de frio, eu fazia as minhas contas e assim como o povo da ilha, esperava ansiosa pelo sol do verão. A vida nas ilhas não é fácil e grande parte da população grega vive de acordo com limitações extremas que nós nem podemos imaginar. É comer o que a terra ou o mar te presenteia no inverno, por não haver outra opção. O grego de ilha é adaptado a isso e ele vive no presente como ninguém. E sabe ser feliz assim.

Mas e por que eles não vão para outro lugar no inverno? Pelo mesmo motivo que nós não vivemos um semestre em BH e um em SP. Não é fácil alugar casa, arrumar emprego e para se estabilizar é necessário algum tempo. Mas quando for verão de novo, é preciso voltar para a ilha porque é para lá que todos os gregos vão! Difícil, né? E ainda é preciso entender a natureza do povo da ilha, eles não se parecem (nem de longe) com brasileiros de BH ou SP. Ele é um expert da natureza do seu habitat, sabe tudo do clima e do vento, mas quase nada do mundo lá fora. E a ilha, com seus parentes e amigos é tudo que eles conhecem.

Enfim, eu entendo que o governo grego dava vários benefícios para o povo e alguém tem que pagar essa conta alta. Para vocês terem uma ideia, quando eu fui para a Grécia pela primeira vez, meus primos sempre pagavam meia entrada, seja no ônibus, no museu ou no show, porque eles eram de uma família com 3 filhos e estudavam. Lembro que meu tio tirava férias com a família e o governo dava algum desconto em hotéis e passagens, assim os gregos de Atenas podiam conhecer as ilhas. Eu achei isso o máximo mas entendo que financeiramente parece matemágica. A conta nunca vai fechar e a dívida só tende a aumentar. E acredito que meu avô grego que saiu da pequena ilha de Poros há mais de 50 anos também não deve compreender o complicado somatório das contas gregas. Afinal, quando ele e a família atravessaram oceanos rumo ao desconhecido, eles o fizeram porque queriam trabalhar, queriam melhorar de vida. Fome, miséria, guerra e crise era tudo de pior e mais temido e é exatamente o que ele lembra da Grécia daqueles dias.

E se houvesse indústrias nas ilhas gregas que pudessem empregar as pessoas no inverno, eu duvido que algum grego se negaria a trabalhar, assim como meu avô da ilha de Poros nunca se negou e trabalha até hoje, mesmo com seus 70 e tantos anos e muitas operações no coração. Ele é forte, determinado, mandão e trabalhador, do jeito mais grego possível. Ele não foge a luta. Por isso, reitero. Eu não acho que os gregos são preguiçosos. Eles são gregos e vão sobreviver ao solavanco da crise. Ajustes serão necessários? Isso sem dúvida. Uma geração pode ser sacrificada? Infelizmente sim. A crise vai demorar a passar? Provavelmente. Ainda assim, estou com os gregos. Se eles disserem NÃO, eu direi NÃO. Se disserem SIM, eu direi SIM. E continuarei a observar suas vidas de perto, ano a ano, verão a verão.

Posto algumas fotos do meu álbum pessoal antigo da Grécia para vocês 😉 Espero que todos possam visitar a Grécia, o quanto antes, para conhecerem a energia mágica daquele lugar, suas comidas deliciosas, suas danças animadas, seu povo especial, suas ruínas fantásticas e suas belezas de tirar o fôlego. Na torcida pelos gregos!

NOTA: Em geral, nas ilhas, as pessoas entendem que só existe verão e inverno (e eu fiquei assim também! kkkkk). Também quero dizer que o que eu falo é do conhecimento simplista que ganhei quando morava nas ilhas. Minhas explicações são rudes e apenas observações da vida real na Grécia, passadas diretamente dos gregos nativos. Quem quiser comentar ou contribuir, fique a vontade!

Vida na Grécia  família na ilha
Família na ilha de Poros
Vida na Grécia ilhas gregas
Poros
Vida na Grécia Atenas
Eu e minha prima em Atenas
Vida na Grécia Santorini 1
Santorini
Vida na Grécia Atenas ilhas gregas
Ilha de Poros

Não sabe quantos euros levar na sua viagem para a Grécia?

As notícias confusas sobre a crise na Grécia transbordam todos os dias na TV e na net mas a gente continua querendo ir dar um passeio pelas ilhas gregas e Atenas, não é mesmo? E ainda que o clima esteja um pouco tenso na Grécia em geral e principalmente na capital, meus informantes asseguram que o turismo continua bombando! E nada melhor do que uma boa dose daquele mar maravilhoso, areia branca (ou negra de Santorini, vai!) para esquecer dos problemas do mundo, mesmo que no meio do furacão europeu.

Assim, se você estava planejando visitar a Grécia ainda nesse verão, não se preocupe. As temperaturas já estão lá nas alturas e há quem diga que as últimas hospedagens disponíveis estão tendo super promos de última hora. E apesar de todas as dúvidas em relação a situação econômica e política da Grécia, os gregos continuam vivendo no presente e aproveitando o máximo dele! Ooooooooopa! Não podemos deixar a peteca cair, não é mesmo!

E para quem (assim como eu) está doido para saber quanto gastaria na Grécia nesses tempos “difíceis”, vai aí o post super útil da minha grande amiga Virna Lize, a blogueira do Uma brasileira na Grécia. A Virna está morando na Grécia há 8 anos e está vendo todas as movimentações de pertinho! Ninguém melhor do que ela para nos orientar, né?! Se quiser acompanhá-la pelo face, siga a page Eu Amo a Grécia. Eu recomendo! E se precisar da ajuda dela para planejar sua viagem ou te acompanhar pelas ruas e ilhas da Grécia, entre em contato. A Virna é uma fofa e salvou nossa vida nos dias do casamento em Santorini!

Lá vai o post dela:

Quanto levar em euro para a Grécia no auge da crise? “Ola Virna, estou com a viagem marcada para Agosto, bem no auge do verão. Mas com toda essa crise, vi seus vídeos e informações dizendo para levar mais euros. Você poderia me dizer, mais ou menos, quantos euros uma pessoa gasta por dia, por base?”

viagem pela Grécia

Mensagens como essas não param de chegar e por este motivo resolvi fazer uma postagem somente sobre essa dúvida. Vamos começar com a chegada no aeroporto de Atenas. Se tem muitas malas  vai precisar de um carrinho, portanto tenham em mãos uma moeda de 1€, para que possam usar os carrinhos do aeroporto.

Do aeroporto para o centro de Atenas:
-De ônibus: O ponto para o aeroporto fica na praça de Sintagma, horário de funcionamento é de 24:00 h e o valor é de 5€.
-De Metro: Site da estação: isap.gr. A programação do metro é de, aproximadamente, das 5:30 às 24:00 h.Pegue a Linha 3 (azul) de metrô que passa pelas estações de Sintagma. e Monastiraki. O ticket está custando 7€.
-De táxi: Desde fevereiro de 2011, viajar entre o aeroporto de Atenas e do centro da cidade tem um preço fixo de 35 €. Se o serviço é entre 24:00 e 17:00, o preço é de 50 €.

Do centro para o porto de Pireus:
De metro: 1,20€
De ônibus:1.20€
De táxi:22€

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Principais ingressos em Atenas:
-Acrópoles: 12€
Meia entrada: 6 €
Válido para: Acrópole de Atenas, Ágora de Atenas, Museu Arqueológico de Kerameikos, Biblioteca de Adriano, Kerameikos, Templo de Zeus, Ágora Romana. Mais informação sobre o ingresso da Acrópoles clica Aqui.
-Museu da Acrópoles:5€
Para  verificar preços de outros sítios arqueológicos da Grécia, favor verificar nesse link Aqui.

viagem pela Grécia

Viagem para as ilhas:
Para as ilhas,as tarifas de ferry são sempre as mesmas de acordo com a classe e a empresa operadora.
De empresa para empresa os valores também não variam muito , pois o Ministério dos Transportes na Grécia cuida para que não haja muita diferença entre eles. A diferença maior vai existir entre os catamarãs e os convencionais.

As principais companhias marítimas:
Blue Star Ferries
Hellenic Sea Ways
Sea Jets
Anek Lines

Avião:
Do aeroporto Elefthérios Venizélos de Atenas para as ilhas, as companhias mais utilizadas são:
Aegean
Olympic Air

Hotéis na Grécia:
Sobre os hotéis na Grécia, a reserva pode ser feita através do site do próprio hotel ou do Booking, portanto essa é uma despesa que você mesmo pode calcular em casa e com muita calma.

Dicas para uma boa reserva em hotéis:
– Procure fazer a pesquisa pelo booking, porque  você vai encontrar comentários de turistas de cada hotel visitado. É muito valido observar os comentários e dê preferência sempre aqueles que digam que o hotel está bem localizado.
-Nesse link você vai encontrar algumas dicas de bons e baratos hotéis na Grécia.

viagem pela Grécia

Aluguel de carro na Grécia:
Em Atenas e nas ilhas você vai encontrar várias opções de aluguéis, desde carros pequenos a quadriciclos. Os valores variam, mas a maioria do aluguéis começam a partir de 50€ o carro e, 25€  o quadriciclo. Segue abaixo uma lista de sites que alugam carros na Grécia:
Avis
Hertz
Sixty
Europcar

Restaurantes:
O custo varia muito pouco de um para o outro, e estão sempre oferecendo o mesmo cardápio. Uma noite agradável numa taverna típica com música e dança grega, o custo fica em torno de 50€ para uma família.

viagem pela Grécia

Mini cardápio:
• Souvlaki: Sanduíche mais famoso da Grécia e é feito com carne de porco, salada, molho de zaziki enrolado no pão pita. entre 2€ a 3€.
• Kebapi: Carne moída de carneiro no palito entre 2€ a 3€.
• Gemistá: Tomate ou pimentão recheado com carne moída e arroz, entre 8€ a 12€.
• Pastítisio: Massa de macarrão com molho branco e carne moída no forno, entre 9€ a 12€.
• Papoutsákia: Berinjela recheada com queijo e temperos no forno , entre 8€ a 12€.
• Mousakás:Berinjela com carne moída e molho branco no forno, entre 8 a 12€.
• Salada Grega: Tomate, pepino, queijo feta temperado com orégano e azeite , entre 6€ a 8€.
•Stifado: cebolinhas pequenas com carne de boi ou carneiro, entre 10€ a 13€.

Doces:
• Baklavas é um doce feito com amêndoas, pistaches, massa folheada e calda de mel, entre 2€ a 3.00€
• Galaktoboúriko: Doce feito com massa folhada coberto com uma calda de mel, recheado de um creme de baunilha temperado com cravos e canela, entre 2€ a 3€
• Xalvas é um doce feito com semolina e calda, entre 2€ a 3€.
• Pagotó ( sorvete) entre 1.50€ a 2.50€.

Bebidas típicas:
• Ouzo: 5€ .
• Vinho ( Krasi): Taça e garrafa, entre 4€ a 9€.
•Cerveja:1,50€
• Coca-cola: 1;50€

viagem pela Grécia

Artesanatos Gregos:
Em toda a Grécia você vai encontrar os mesmos tipos de artesanatos, o que tem em Atenas também tem nas ilhas, portanto não há muita diferença de preços e os valores  começam a partir de 1€.
Olho grego: a partir de 1€
Bonés e camisas:a partir de 5€
Pequenas estátuas mitológicas: a partir de 7€
Lenços e panos: a partir de 5€
Colares e pulseiras: a partir de 5€

Resumindo: A base de uma diária na Grécia, tirando os meios de transporte, hotéis e passeios extras, é de 60€ por dia, que inclui lanches, almoço e jantar.

Venham para a Grécia!

Até a próxima! :)

VOCÊ FAZ PARTE DA GERAÇÃO BOCEJO?

“O que você gosta de fazer no seu tempo livre? Você se ocupa com atividades que poderiam ser consideras tediosas ou chatas? Daí a referência a Bocejo?”, essas foram as primeiras perguntas que a repórter de um grande jornal me fez quando eu aceitei dar uma entrevista sobre um post que eu tinha escrito aqui no blog.

Eu tinha assumido, sem a menor sombra de vergonha e sem a mínima preocupação com a opinião alheia, que eu me sentia parte integrante da tal Geração Bocejo. Se você nunca ouviu falar dessa geração, não se alarme, o termo é bem recente e em algum ponto do ano passado ele foi traduzido do inglês “ Yawn Generation”, mas suas referências e origens ainda são vagas geradoras de especulação.

O que é preciso entender, inicialmente, é que a Geração Bocejo são as pessoas de 20 anos que se sentem ou se comportam como se tivessem 40 anos. Ou, como no meu caso, os de 30 anos que se comportam como se tivessem 50 anos. A partir desse ponto de vista a ideia parece um pouco triste, né? Afinal de contas, quem quer envelhecer antes da hora?

Pare e reflita comigo. Em um mundo onde as meninas menstruam cada dia mais cedo, os primeiros beijos e primeiras noites de amor (ou tardes ou manhãs) ainda acontecem nos estágios da escola, não é de espantar que quando chegamos aos nossos 20, já tínhamos muito mais bagagem do que nossas mães tinham na mesma idade. Sem nem mencionar toda a loucura globalizada que a internet nos proporciona, e quer sejamos escravos ou apenas usuários conscientes, a verdade absoluta é que temos acesso ilimitado a todo tipo de informação sobre praticamente todo tipo de conhecimento. Então, sim, eu entenderia o motivo de nos sentirmos mais velhos e cansados do que somos biologicamente.

No entanto, a conversa sobre a Geração Bocejo passa bem longe dessas discussões mais complexas, pois ela ainda se encontra na fase de tentar estipular quem é ou quem não é, quem faz parte ou quem não faz.

A saber, os primeiros sinais que podem indicar que você é um de nós, são atividades bem simples e antigamente corriqueiras. Você gosta de cozinhar em casa? Você procura receita na internet ou copia as da sua avó ou mesmo as do Jamie Oliver? Você gosta de fazer algum tipo de arte com suas mãos? Você prefere conforto a sofisticação? Se sua reposta foi positiva para a maioria das perguntas, é bem provável que você faça parte do nosso grupo.

Mas só isso é suficiente para rotular uma pessoa e mandá-la para dentro de um grupo que tem como ilustres participantes, Blake Lively, Lorde, Taylor Swift e até, pasmem, Kate Middleton? Eu não saberia dizer ao certo, então aí vão mais alguns indícios da minha rotina que são frequentemente alvo de caras espantadas e risadinhas maldosas. Eu acordo muito cedo espontaneamente todos os dias para me exercitar, eu não bebo durante a semana e mesmo nos finais de semana bebo muito pouco, gosto de ir na feira de rua comprar verduras frescas, consumo orgânicos e adoro passar um domingo no templo budista próximo da capital paulista. Quando estou estressada não saio para tomar uma com as amigas, eu pego alguma peça de cerâmica do meu armário e passo 6 mãos de tinta e depois levo para o forno. E então eu aguardo dias até que minha irrisória obra de arte esteja pronta e aí eu dou de presente para meus pais, porque não cabe mais nenhuma na minha casa.

Meu marido gosta de investir o pouco tempo livre na cozinha. Então ir ao supermercado e escolher os melhores ingredientes é uma parte prazerosa do nosso final de semana. Ele tem duas caixas enormes de ferramentas embaixo da cama e não nos incomodamos de ficar em casa tomando o vinho e pendurando a cortina, consertando as rodinhas do armário ou mesmo aplicando adesivos decorativos na cozinha. Estamos na fila de espera de um ótimo curso de reiki e nos feriados vamos para spas ou hotéis fazenda no meio da mata. E quando vamos para a praia, não tiramos mais que duas selfies, lemos muitas páginas de longos livros na areia e pouco depois do meio dia fugimos do sol, almoçamos algo light e vamos tirar um cochilo. E você, também abriu a boca de sono frente a dinâmica tranquila das nossas atividades? Então você entendeu o conceito.

Mas devo ser sincera, não é apenas isso que fazemos na nossa vida. Trabalhamos muito e sempre temos uma agenda social semanal quase impraticável e quase não temos tempo de ficar de papo para o ar, bocejando. Então, a minha vontade de ser Geração Bocejo é mais ideológica do que prática, assumo. E provavelmente sua vida é assim também. O ponto interessante é que, se eu tiver um tempo livre ou se eu tiver chance de limpar a agenda, eu já sei o que vou fazer. Pegar meu livro novo e fazer um pique – nique no parque. Ou vamos tentar encaixar uma ópera em uma quinta que não tem jantar corporativo e vamos dormir cedo todas as outras noites que pudermos, de preferência antes da dez. Não vamos assistir TV, mas vamos apadrinhar uma criança na África e receber suas cartinhas todo ano.

Como você pode perceber, não existe uma linha clara e definida circulando as características da Geração Bocejo, mas tem algo nela que simplesmente me fascina. A ideia de acreditar e valorizar o “do it yourself” em sua máxima potência também me agrada bastante. Organizar e fazer cada detalhe da sua festa de aniversário ou do noivado da amiga, montar uma merenda saudável para o trabalho, fazer um curso de costura e fazer uma aula de culinária em cada país que chega, viver de maneira mais saudável, respeitar o corpo, meditar, ler livros edificantes, enfim, investir energias em coisas positivas me parece um ótimo começo para se pensar em uma integração bocejante.

Acredito que somos um pouco de tudo, mas somos muito mais, porque vamos além. Somos paradoxais e plurais como nunca, queremos ter tudo mas não abrimos mão de nada, entendemos que o facebook é cansativo mas nunca saímos dele, curtimos vídeos que alertam sobre a escravidão das redes sociais, mas não conseguimos nos desconectar nem quando estamos deitados na cama. Pensamos em nós mesmo mas nos escondemos atrás da ideia de um bem maior, gostamos de indie rock e de axé, tomamos champagne na praia e vamos em festas alternativas dentro de metrô. Enfim, somos um tanto de tudo e isso faz parte da experimentação da nossa geração, somos uma nova leitura do velho “compro uma bicicleta ou caso”, porque hoje queremos “comprar uma apê descolado e rodar o mundo”.

É possível que um dia teremos clareza do que queremos e sejamos mais consistentes no que acreditamos, mas não existe uma necessidade emergencial para esse posicionamento. Então, prepare para desenvolver suas habilidades desacordadas, coloque suas roupas confortáveis e invista tempo nas coisas que realmente importam: você e suas relações. E anime-se: nunca foi tão cool ser considerado um tédio.

geração Bocejo aula de culinária
Aula de culinária em Atenas
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Aula de culinária em Atenas
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Aula de culinária em Atenas
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Aula de culinária em Atenas
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Aula de culinária em Atenas

CRUZEIRO DE LUA DE MEL: QUATRO DIAS ENTRE CÉU E MAR (visitando as ilhas gregas…!)

Eu tenho consciência de que minha vida é atípica e eu fiquei quase 30 dias viajando no mês do meu casamento. Consegui ir para a a Grécia bem antes dos quatro dias de festa em Santorini e depois da festança grega, ainda ficamos vários dias a mercê de águas mediterrâneas. Depois de avaliar tudo que valeu a pena e tudo que não foi legal, percebi que um dos pontos altos da minha viagem de lua de mel foi o curto cruzeiro que eu comprei em promoção e sem grandes expectativas, em uma tarde nublada de terça-feira.

Talvez aí esteja o grande segredo, não é incomum que viagens despretensiosas cercadas de baixa expectativa irão nos trazer agradáveis surpresas. Eu bem sei que a idéia de um cruzeiro pelo mediterrâneo já está atrelada a imagens de belíssimas praias, imensidão de águas azuis esverdeadas e muita gente bonita bronzeada mas assumo que isso já é algo comum no meu arquivo de memórias. Depois de tantas idas e vindas entre ilhas gregas e Brasil, eu achei que nada poderia me surpreender em quatro dias de viagem por lugares que eu já passei. Mas, felizmente, eu estava errada.

E a bordo de um pequeno cruzeiro de marca desconhecida, me despedi de Pireus, que é o famoso porto de Atenas e fui para a área externa aproveitar o belo céu azul de agosto ao lado do meu amor. A estrutura do navio contava com pequenas piscinas no alto do último andar e uma grande área de descanso, relax e pura apreciação marítima. Nada melhor do que o vento leve do verão no mediterrâneo batendo no rosto para a gente lembrar que a vida é bela e que o amor é possível.

ilhas gregas

Após poucas horas de navegação, atracamos na famosíssima e badalada ilha de Mykonos e chegamos no porto no final da tarde do primeiro dia animados. Como eu já conhecia bem a ilha, convidei meu amor e alguns amigos para um rápido tour pelo charmoso labirinto de casas brancas, também conhecido como centro da ilha. Depois de nos perdemos algumas vezes nas ruelas de pedestres, finalmente nos encontramos na frente do ponto de táxi e eu pedi, em grego, que o motorista nos levasse para a Paradise, a praia da perdição. E não pense que ela é apenas um reduto de solteiros desesperados por sexo sem sentido, porque ela é perfeita para casais que querem dançar ao som de uma música eletrônica excelente e querem aproveitar o cenário paradisíaco do pôr-do-sol da ilha. E não, eu não consigo pensar em um  nome mais justo e acurado para aquela praia de areias brancas e mar azul sem fim.

viagem Grécia ilha grega Mykonos
Mykonos
Grécia cruzeiro ilhas gregas Mykonos
Mykonos
viagem Grécia ilha grega Mykonos
Mykonos

Voltamos para o navio por volta da meia-noite e dormimos sem nem terminar de rezar o pai nosso, de tão cansados da balada. Relaxamos e curtimos as mordomias do spa até a tarde do dia seguinte, quando o cruzeiro parou na ilha de Patmos. Bem próxima a costa da Turquia, ainda parte da Grécia, Patmos é uma pequena ilha com uma grande relevância: abrigado em uma de suas montanhas, São João escreveu o livro do apocalipse, segundo os historiadores e guias orgulhosos contam. A atmosfera especial da ilha é baseada em mosteiros e riquezas de história religiosas, mas o charme do pequeno porto é perfeito para um casal relaxar e provar o famoso frappé grego geladinho, enquanto espera a hora de voltar a bordo.

E mesmo quando o por-do-sol é visto do mar aberto, é preciso ficar atento a batidas do relógio para garantir um lugar para jantar em um dos deliciosos restaurantes a bordo. Os melhores só têm mesas disponíveis até as 9 da noite e tentar comer bem depois das 10 é uma missão quase impossível. No entanto, todos os tipos de drinks e shots são oferecido a vontade até que o sol se levante no mar novamente e a noite a bordo do cruzeiro pode ser muito mais animada e selvagem do que se imagina. Existem atrações para todos os gostos e enquanto uns assistem espetáculos no palco,  outros dançam ensadecidos nas boates em torres panorâmicas no meio da escuridão azul. Para os noivos, uma boa dose de sono profundo, cadenciado e acariciado pelas ondas do mar foi a melhor e mais sábia escolha.

Na manhã seguinte, atracamos em Kusadassi, cidade da costa mediterrânea da Turquia. Nos primeiros minutos em terra, você já sabe que todos os boatos sobre negociações com turcos são verdadeiros e você provavelmente não vai escapar da clássica visita a fábrica de couro. Tenha paciência, faça sua compras se quiser mas foque na beleza natural e história que Ephesus, uma das cidades mais importantes do mundo antigo, têm a oferecer. O tour é historicamente e visualmente imperdível e uma boa guia vai te transportar até as ruas que Maria, mãe de Jesus, caminhou há mais de dois mil anos.

Kusadassi Turquia
Kusadassi
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephesus
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephsesus
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephesus

A parada é breve e logo seguimos viagem até a fantástica ilha grega de Rodes e tenho que admitir, uma das minhas favoritas de todos os tempos. Rodes abriga no alto de sua montanha a Acrópole de Lindos e se você acha que já viu tudo que há de templo depois de visitar Atenas, confira, com o queixo caído e lágrimas nos olhos, a beleza avassaladora da vista do lugar. Do alto de Lindos, confirmo, mais uma vez, a sabedoria grega para escolher nomes. Depois de belas fotos estilo cartão postal, refresque-se em alguma das muitas e longas praias da ilha ou vá direto para dentro das muralhas procurar por um belo restaurante. Sorvetes deliciosos, ruas milenares e o Palácio dos Grãos Mestres são o combo que você precisa para entender que a Grécia merece um lugar especial no coração dos incansáveis viajantes.

viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes
Rodes
Rodes
viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes
viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes

Mais uma noite relaxando a bordo é uma boa idéia e se o mar estiver revolto e não te deixar dormir, corra para um dos cassinos do navio, onde nunca se sabe se é dia ou noite, se faz sol ou chuva. O giro da roleta logo te fará esquecer o balanço da maré e  o fascínio das luzes reluzentes das máquinas vão te fazer entender por que não devemos nem ter bingo perto de casa.

Na manhã seguinte, Creta nos sorri de braços abertos. O imponente porte da maior ilha da Grécia é grande o suficiente para receber o navio e logo pegamos um táxi em direção ao historicamente imperdível Palácio de Cnossos. Eu, que achava que muito já tinha visto e aprendido sobre terras helênicas, fiquei silenciosa e pensativa enquanto caminhava pelas ruínas da misteriosa e evoluída civilização minóica. Em frente ao labirinto de Minotauro, penso triste e emocionada sobre a nossa fragilidade pois esses seres tão especiais viraram pó frente a força magnânima do tsunami originado pelo vulcão de Santorini.

viagem Grécia ilha grega Creta
Creta
viagem Grécia ilha grega Creta
Creta

Respiro fundo, me reconstruo e fico animada para continuar a viagem pela Grécia, a jornada da minha vida. E é isso, a próxima parada é Santorini, onde tudo começa e termina. E como ex-moradora e noiva da ilha, eu penso como os nativos e entendo que o passado é história e melancolia, o futuro é incompreensível e improvável mas que o presente, bem, ele é uma declaração de amor que Deus nos faz.

viagem Grécia ilha grega Santorini
Santorini

Konstantinos Kaváfis: o maior nome da poesia grega

No último sábado tive a grande oportunidade de participar de um debate seguido da exibição de um filme fantástico no Instituto Areté, Centro de Estudos Helênicos. Adoro esses eventos e o Areté tem um espaço muito legal aqui em São Paulo então sempre que posso, eu compareço para aprender um pouco mais sobre a cultura grega.

“A noite em que Fernando Pessoa encontrou Konstantinos Kaváfis” (The night Fernando Pessoa met Konstantinos Kavafis) é um inspirado filme do cineasta grego Stelios Haralambopoulos, feito em 2008 e ainda pouco conhecido no Brasil. Foi uma oportunidade única para mergulhar mais a fundo nas obras de dois dos maiores escritores dos nossos tempos. O filme é um ficção mas tem toda a pinta de documentário e deixa o telespectador na maior dúvida do que é realidade e do que é sonho.

O professor Rogério Hafez (que também é ensaísta, tradutor, consultor editorial e autor de obras didáticas de literatura portuguesa e brasileira) apresentou de maneira bela e esclarecedora sobre os pontos semelhantes entre os dois artistas e sua explicação foi vital para o entendimento total do filme. Entre uma coisa e uma outra, tivemos um break com muito vinho, pão azeite, azeitonas, frutas….um verdadeiro banquete grego. Conheci pessoas bacanas e fiquei feliz de fazer parte de algo assim em São Paulo, meu novo lar, já que em BH a gente vivia nos eventos da comunidade grega e dos amantes da Grécia.

Fernando Pessoa e sua maravilhosa obra é de conhecimento de grande parte dos brasileiros então gostaria de falar um pouco mais de Konstantinos Kaváfis para vocês entenderem porque é que alguém faria um filme baseado no encontro dos dois. Bem, Kaváfis nasceu em Alexandria, em 1863 e foi um poeta totalmente grego, apesar de ter nascido em terras egípcias, pois ele fazia parte da numerosa colônia grega da cidade.

Kavafis

Para não parecer que eu copiei tudo do Wikipedia, eu vou falar do que eu entendi e aprendi no último sábado com o debate e filme. Konstantinos Kaváfis era metódico, perfeccionista e não publicou nenhum livro em vida, pois ele gostava de escrever e enviar suas belas poesias em forma de folheto para seus amigos apenas. Devido a algumas reviravoltas da vida, ele morou na Inglaterra e na antiga Constantinopla (Istambul) e depois retornou para Alexandria. Ele, assim como Pessoa (que nasceu em Lisboa e logo se mudou para a África do Sul) publicaram alguns de seus primeiros trabalhos em línguas que não eram sua lingua-mãe e uma certa extraterritorialidade pode ser observada em seus trabalhos. Os dois escritores são reflexivos e pensadores no transcorrer da sua obra e escreveram algumas vezes como se fossem outros personagens, seja eles inventados (Pessoa) ou baseados na mitologia helênica (Kaváfis).

Eu achei interessante que ambos tinham um olhar apaixonado voltado para suas pátrias, um olhar de “nativo” e ao mesmo tempo de “observador” atento, como se suas mentes brilhantes pudessem transitar para dentro e fora de seus mundos com muita fluidez e naturalidade. Enfim, eu adorei. Konstantinos Kaváfis também se considerava um gênio, mas entendia que talvez sua obra fosse muito moderna para a época. Ele questionava alguns valores como religião, patriotismo e heterosexualidade e seus poemas eram dotados de um erotismo discreto e segundo alguns, de origem homosexual.

No Areté, o professor Rogério nos apresentou a um poema fantástico de Konstantinos Kaváfis que me pôs a pensar sobre a vida de todos nós. Bom, pelo menos na minha, na jornada sem fim que se apresenta diante de nós, um amanhecer após o outro. E me fez lembrar que, acima de tudo, os sonhos e metas são importantes para nos manter no caminho, mas que o caminhar é ainda mais importante. Apresento a vocês, o poema Ítaca, em uma das traduções disponíveis, tirado do site: http://www.org2.com.br/kavafis.htm. E encerro a semana assim, com um desejo sincero que vocês possam, assim como eu, ver beleza e se inspirar na vida e na arte de grandes pensadores que respiraram o mesmo ar que nós respiramos. 🙂

ÍTACA 
Konstantinos Kaváfis
(Trad. José Paulo Paes)

Se partires um dia rumo a Ítaca, 
faz votos de que o caminho seja longo, 
repleto de aventuras, repleto de saber. 
Nem Lestrigões nem os Ciclopes 
nem o colérico Posídon te intimidem; 
eles no teu caminho jamais encontrará 
se altivo for teu pensamento, se sutil 
emoção teu corpo e teu espírito tocar. 
Nem Lestrigões nem os Ciclopes 
nem o bravio Posídon hás de ver, 
se tu mesmo não os levares dentro da alma, 
se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo. 
Numerosas serão as manhãs de verão 
nas quais, com que prazer, com que alegria, 
tu hás de entrar pela primeira vez um porto 
para correr as lojas dos fenícios 
e belas mercancias adquirir: 
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos, 
e perfumes sensuais de toda a espécie, 
quanto houver de aromas deleitosos. 
A muitas cidades do Egito peregrina 
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente. 
Estás predestinado a ali chegar. 
Mas não apresses a viagem nunca. 
Melhor muitos anos levares de jornada 
e fundeares na ilha velho enfim, 
rico de quanto ganhaste no caminho, 
sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 
Uma bela viagem deu-te Ítaca. 
Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. 
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, 
e agora sabes o que significam Ítacas. 

ilha por do sol

Quer entender o grego? “Erotas Arxagkelos”, do Dimitris Mitropanos

Quem gosta de música grega e não é grego, normalmente curte é a melodia, o ritmo, a animação, né?! Pois é quase impossível deduzir algo da letra 😉 Estou pesquisando um bocado sobre cultura e consciência grega e sempre trombo com alguma letra fantástica e emocionante.

Da lista das minhas favoritas, aí vai a letra em grego e em inglês da canção “Erotas Arxagkelos“, do Dimitris Mitropanos. No final, postei o vídeo que ele canta ao vivo, muito top! Eu amo as músicas do Mitropanos porque ele não fala apenas das dores do coração de um jeito mundano e corriqueiro. Ele consegue, como ninguém, mesclar o sofrimento cotidiano à poesia histórica, cultural e política.

Para quem curte Grécia e quer entender mais sobre a cultura curiosa e espetacular daquele país, as músicas desse grande cantor são um excelente caminho. Peguei a letra do site: http://www.allthelyrics.com/forum/showthread.php?t=74797 porque eles colocaram umas observações bem interessantes no final (leia!) Mas é possível que haja alguma discordância nas palavras porque é uma letra muito rica 😉

Έρωτας Αρχάγγελος
“Archangelic love”

Σάββατο χαράματα μπρος στην Αχερουσία
Saturday morning in front of Acherousia*
χόρεψα ζεϊμπέκικο πάνω στην φωτιά
I danced zeibekiko** upon the fire
βήματα γενέθλια για την αθανασία
natal/first steps to immortality
κι όλες οι αγάπες μου μία ξενιτιά
and all my love affairs [were] a foreign land

Πήρα από τα μάτια σου λίγο μαύρο χρώμα
I drew from your eyes a mite of black color
κι έβαψα τα ρούχα μου -μάνα μη με δεις-
and I painted my clothes –mother don’t see me [like this]-
την στερνή κουβέντα σου την θυμάμαι ακόμα
I still remember your last words
σαν χορεύεις μου ‘λεγες, να ‘σαι ο Διγενής
“when you dance”, you were telling me, “be like Digenes”***

Βλέμματα χαράξανε στις μαύρες τις οθόνες
Sights have carved the black screens
κι οι τυφλοί προφήτες προδίδουν τους χρησμούς
and the blind prophets break/betray their oracles
έρωτας αρχάγγελος σαν τις παλιές εικόνες
archangelic love like the old pictures
κι ο χορός του κόσμου ραγίζει τους αρμούς
and world’s dance cracks the seams

Πήρα από τα μάτια σου λίγο μαύρο χρώμα
I drew from your eyes a mite of black color
κι έβαψα τα ρούχα μου -μάνα μη με δεις-
and I painted my clothes –mother don’t see me [like this]-
την στερνή κουβέντα σου την θυμάμαι ακόμα
I still remember your last words
σαν χορεύεις μου ‘λεγες, να ‘σαι ο Διγενής
“when you dance”, you were telling me, “be like Digenes”

Είναι τα τραγούδια μας ηφαίστεια που καίνε
Our songs are volcanoes that burn
σώματα κι αγάλματα βγάζουνε φτερά
bodies and statues spread wings
τα αρχαία πάθη μας και τα φιλιά σου φταίνε
our ancient passions and your kisses are to blame
κοίτα αναστήθηκα για δεύτερη φορά
look, I rose from the dead for the second time

Πήρα από τα μάτια σου λίγο μαύρο χρώμα
I drew from your eyes a mite of black color
κι έβαψα τα ρούχα μου -μάνα μη με δεις-
and I painted my clothes –mother don’t see me [like this]-
την στερνή κουβέντα σου την θυμάμαι ακόμα
I still remember your last words
σαν χορεύεις μου ‘λεγες, να ‘σαι ο Διγενής
“when you dance”, you were telling me, “be like Digenes”

* According to Greek mythology, Death, through the river Aheron, led the souls of the dead people to Aherousia lake. In the depths of this lake was the entrance to the underworld.
** Zeibekiko as you may know is a dance.
*** Digenes was the most famous and important hero of the acritic songs. Acritic songs praise the achievements of Akrites, the guardians of the eastern borders in Byzantine Empire.

Música grega (e das melhores): Roza, de Dimitris Mitropanos, com letra em inglês!

Pesquiso muito sobre as músicas boas gregas e sempre trombo com alguma canção que nunca envelhece. Quem aí não se emociona toda santa vez que escuta a voz nobre do Mitropanos? Eu me derreto!

Então, para aqueles que assim como eu não conseguem entender a letra por completo (e olha que falo grego) consegui encontrar a letra em inglês. Yes! E posto também uma versão ao vivo que é uma das minhas favoritas pois ele ainda faz os passos de zeibekiko no final. É demais 🙂

A letra há de ser sofrida e ainda assim, extremamente bela, como é um pouco de tudo que existe na Grécia. Divirtam-se:  música de excelente qualidade e mais ainda, um pouco de consciência grega é tudo que precisamos para começar o fim de semana com o pé direito.

A tradução eu copiei de um fórum que discute letras de músicas gregas, então podem haver divergências, ok?

Ρόζα (versão em grego)

Τα χείλη μου ξερά και διψασμένα
γυρεύουνε στην άσφαλτο νερό
περνάνε δίπλα μου τα τροχοφόρα
και συ μου λες μας περιμένει η μπόρα
και με τραβάς σε καμπαρέ υγρό

Βαδίζουμε μαζί στον ίδιο δρόμο
μα τα κελιά μας είναι χωριστά
σε πολιτεία μαγική γυρνάμε
δε θέλω πια να μάθω τι ζητάμε
φτάνει να μου χαρίσεις δυο φιλιά

Με παίζεις στη ρουλέτα και με χάνεις
σε ένα παραμύθι εφιαλτικό
φωνή εντόμου τώρα ειν’ η φωνή μου
φυτό αναρριχώμενο η ζωή μου
με κόβεις και με ρίχνεις στο κενό

Πώς η ανάγκη γίνεται ιστορία
πώς η ιστορία γίνεται σιωπή
τι με κοιτάζεις Ρόζα μουδιασμένο
συγχώρα με που δεν καταλαβαίνω
τι λένε τα κομπιούτερς κι οι αριθμοί

Αγάπη μου από κάρβουνο και θειάφι
πώς σ’ έχει αλλάξει έτσι ο καιρός
περνάνε πάνω μας τα τροχοφόρα
και γω μέσ’ στην ομίχλη και τη μπόρα
κοιμάμαι στο πλευρό σου νηστικός

Πώς η ανάγκη γίνεται ιστορία
πώς η ιστορία γίνεται σιωπή
τι με κοιτάζεις Ρόζα μουδιασμένο
συγχώρα με που δεν καταλαβαίνω
τι λένε τα κομπιούτερς κι οι αριθμοί

Rosa (versão em inglês)

Your lips dry and thirsty
searching for water on the asphalt
the wheeled machines are running past me
and you are telling me that the cloudburst awaits us
and drawing me into a damp cabaret

We are walking down the same street together
but our dungeons are separate
we circle a magic city
I no longer want to learn what it is we look for
it’s enough if you give me just two kisses

you play me at roulette and lose me
in a nightmare fairy tale
now my voice is the voice of an insect
my life an uprooted plant
you cut me off and toss me into the void

How need turns into history
how history turns into silence
what are you looking at me for, Rosa, all numb
forgive me for not understanding you
what is the computers say, and the numbers?

My beloved, made of coal and sulphur,
how can time have altered you so?
the wheeled machines are running over us
and I in the fog and in the rain
am sleeping by your side, fasting

How need turns into history
how history turns into silence
what are you looking at me for, Rosa, all numb
forgive me for not understanding you
what is the computers say, and the numbers?