Para quem quer saber uma visão mais profissa da China!

Gente,

estes vídeos foram feitos pela “FIA International MBA in Brazil” durante a viagem a China. O primeiro deles é com meu maridão e ele conta um pouco do que vimos por lá, do ponto de vista profissional. Para quem não sabe, nós fomos para a China muito bem acompanhados por uma turma top que contribuiu para a minha viagem ser inesquecível 😉

Achei bem legal pois eles tiveram a chance de conhecer o outro lado da coisa: visitaram fábricas, foram em aulas nas faculdades chinesas e conversaram com vários profissionais de indústrias diferentes. Assim, eu tive a grande oportunidade de aprender um pouco mais sobre a parte profissional da China também e posso falar….? Fiquei impressionada!  Os caras são fantásticos! P.S.: não conta para ninguém, mas eles estão planejando (re)conquistar o mundo muito em breve! 😉

E para que vocês aprendam um pouquinho também, posto o vídeo do meu maridão e de outros “alunos” dessa galerinha top!

8 looks para usar em uma viagem pela China!

Vocês me conhecem e sabem que eu planejo a mala cuidadosamente toda vez que vou fazer uma grande viagem. Para a China não foi diferente, fiquei uma semana pesquisando idéias de looks bacanas e práticos para a grande aventura que eu teria pela frente. E como era verão, eu estava esperando um calor desesperador daqueles do tipo deserto de Dubai (argh 49 graus, lembra?) só que a profecia não se concretizou. Estava em geral quente, mas o céu ficou nublado muitos dias e pegamos algumas tempestades. Assim, eu tive que fazer mudanças nos looks que tinha programado e claro, aproveitei para usar algumas peças que acabei comprando por lá 😉

O mais importante na hora de montar os looks para toda viagem é pensar no conforto (eu sei, eu sei). Mas ainda assim estar fashion e bem vestida para aparecer nas fotos e ser bem recebida em qualquer lugar é prioridade para mim (podem falar o que for mas eu nunca viajo de tênis e calça jeans kkkkkkkkkkkk).

Para a China, escolhi peças leves, saias de comprimento médio e blusas frescas. Eu confesso que repeti bastante os colares e anéis, bolsas, cintos, rasteirinhas e alpargatas porque eu realmente fiquei mega cansada na China e estava com outras preocupações na cabeça do tipo o que comer e como usar o banheiro 😉 Relaxei bastante nos últimos dias, o que é bom também né?!

No primeiro look estou usando um conjuntinho foférrimo e mega chinês que encontrei em uma boutique em Guangzhou. Aliás, comprei dois, esse azul e um menta também 😉 Me senti e adorei! Fica aí algumas ideias do que vestir em uma viagem pela China:

 O que vestir na ChinaO que vestir na China O que vestir na China O que vestir na China O que vestir na China

Muralha da China
Muralha da China

O que vestir na China

O que vestir na China

Templos da China: o que esperar?

Uma das coisas mais loucas da China são os famosos e belíssimos templos budistas, espalhados por todo o território. Afinal, o que se poderia esperar de um país que tem uma população gigante predominantemente budista?

É aí que está o X da questão. Pelo que fui informada em terra chinesas, o Partido não proíbe nem apoia nenhuma religião e existe alguma liberdade religiosa (mas não me pergunte como funciona). Assim, para visitar os templos é preciso pagar.

Tudo bem que o valor não é tãaaao alto assim, mas é definitivamente mais alto do que se cobra na porta da Basílica de San Marco de Veneza e até na Santíssima Trindade de Tiradentes. Eu sou uma grande frequentadora de templos religiosos de todos os tipos  nunca vida nada mais caro do que um templo budista na China!

Então, pensa comigo: se você tivesse que pagar caro para ir rezar, você iria? Só se fosse muito dedicado mesmo,senão faria sua oração de casa né?! Moral da história: na China, eu não senti nada, nadica de nada, dentro dos templos. Não senti fé, nem energia boa, aquela vibe gostosa e aconchegante, nada disso. Me parecia apenas mais um templo, uma escola, um museu, um ponto turístico.

Eu fiquei calada com a minha impressão, devia ser coisa minha. Afinal, estávamos em Dubai antes e na Turquia no ano passado e nada é tão forte quanto a energia dentro de uma Mesquita. Quando começa o chamado para oração então, até arrepio (Tá, #omaridopira)! Adoro mesmo e até chorei quando entrei na Mesquita Azul de Istambul pela primeira vez, mas nos templos budistas chineses, bah, nem um arrepiozinho na espinha.

Frustada com tanto ou melhor, com tão pouco envolvimento emocional da minha parte, perguntei para o maridão se ele estava gostando. “É muito bonito, mas meio sem graça, né? O Templo de Cotia é muito mais massa, vamos voltar lá quando estivermos em São Paulo”. E ele estava certo, o templo budista do interior de São Paulo é lindo, bem cuidado, super lotado e acima de tudo emociante até dizer chega.

E o que se pode esperar dos templo da China? Bem, muita beleza e cuidado na construção, curiosidades da cultura milenar e do feng shui, inúmeros Budas para comprar e algum cheiro de incenso. E quem culpar? Ninguém. É só aproveitar que você está ali e fazer aquele agradecimento para o seu Deus 🙂 Foi o que eu fiz e recomendo. e da próxima vez, incluir na viagem um pulo no Tibet e aí sim, sentir aquela energia maravilhosa dos monges! 😉

Posto algumas fotos do Templo do Buda de Jade e do Lama Templo.

Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
Templo Lama
China Jade buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo
China, Jade Buda templo

O melhor de Pequim: Palácio de Verão e Cidade Proibida!

Para quem curte os nomes em inglês, estou falando do Summer Palace e da Forbidden City, que são, de longe, os lugares mais legais para conhecer se você tiver pouco tempo em Pequim. Claro, nem preciso dizer que a Muralha da China é imperdível (leia mais sobre a Muralha aqui)!

Eu dediquei um dia para o Palácio de Verão, mas se você não tiver tempo disponível e precisar de apertar a agenda, dá para fazer em meio dia. Se quiser contratar um guia, tem que ser no hotel ou em alguma agência porque senão você vai sobrar igual a gente 🙁 Achamos que conseguiríamos contratar um guia na porta, mas adivinha? Na China, o guia só fala chinês. E a outra opção era o áudio em inglês, mas como estávamos um tanto cansados de tantos passeios controlados optamos por não contratar nada.

Entramos no Palácio de Verão por volta das dez e meia da manhã e saímos depois das duas da tarde. Andamos para todos os lados, mas não ficamos lendo todas as placas, de modo que eu tenho certeza que um passeio com guia deve levar o dia todo. Mas afinal, o que é o Summer Palace? É um super espaço onde palácios foram lindamente construídos entre jardins e lagos. E adivinha? Os chefões passavam o verão lá, porque a Cidade Proibida era muito quente e descampada, afinal não poderia ter sequer uma árvore plantada. O imperador tinha medo de ser morto por algum lutador poderoso de Kung Fu que poderia escalar e pular alturas paranormais, segundo nosso guia. E assim, a Cidade Proibida era mais quente que o inferno no alto verão chinês (sim, eu estava lá no verão). O Palácio de Verão é uma solução e tanto, com seus lagos agradabilíssimos e construções belas e delicadamente planejadas.

Vamos para a parte histórica da coisa: segundo nosso guia, o Palácio começou nos anos 1100 (Dinastia Jin) e desde então foi usado e aumentado por várias dinastias (os detalhes nos fogem no inglês-chinês, sorry guys). E aí veio a Dinastia Qing e usou o local para várias coisas, como guardar cavalos e abrigar eunucos banidos da Cidade Proibida. Em todo caso, nos anos 1900 o Palácio de Verão foi aberto ao público, em 1949 começou a ser usado pelo Partido Comunista e foi totalmente restaurado. Hoje é atração para turista e parque para os chineses 😉 Massa, né? Dá uma olhada nas fotos!

Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China
Palácio de Verão, Pequim, China

Tá, e a Cidade Proibida? Foi o Palácio Imperial da China desde a Dinastia Ming até a Qing. Está localizada no meio da antiga cidade de Pequim e um passeio bem legal (e chinês) é andar ao arredores para ver como a galera vivia e vive até hoje por lá!

Então, era nesse belíssimo local que o Imperador e a família dele vivia. Ah, claro, suas concubinas e seus empregados também e pelo que o guia nos contou, o nome da Cidade é Proibida porque ninguém podia entrar nem sair, só o Imperador. E quem tentasse, era morto no ato. A Forbidden City é uma cidade gigante dentro da gigante Pequim e me parece que é o maior Palácio do planeta (deixa o Sheki de Dubai saber disso! rsrsrs). Lendas afirmam que existem 9,999 cômodos no Palácio, só para vocês terem noção da dimensão chinesa da coisa. 🙂

O ideal é que você tenha um dia para passear por lá, mas se estiver na correria saiba que não vai conseguir ver quase nada mas que ainda assim, vale muito a pena. A Cidade Proibida é um dos lugares mais massas que eu já fui e figura nos meus top 3 China na certa.

Vamos as fotos? Bjs! 😉

Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China
Cidade Proibida, Pequim, China

A parte mais triste da China: A Praça da Paz Celestial, em Pequim

Para começar, confesso que só tenho coragem de postar sobre esse assunto agora que estou bem longe da China e não pretendo voltar tão cedo. Por lá, os blogs que falam de assuntos “proibidos” são rastreados e tirados do ar e não é bem esse o destino que eu quero dar para o meu País das Maravilhas.

Você deve estar pensando: “como assim, assunto proibido?”. Bem, na China não se fala de política, nem de governo, nem de polêmicas, nem de acidentes, nem de democracia, nem de corrupção, nem de…..e por aí vai. A nossa guia chinesa revoltada Angela (Ming Ming alguma coisa) nos avisou de cara que ela já estava farta de proibições e queria soltar todas as suas reclamações no nosso ônibus de turismo. E quem ficasse entediado de ouvir, que dormisse. E soltou toda a sua raiva de raízes comunista para cima da gente. Uau, belo start para uma viagem!

No começo, eu fiquei revoltada com ela. Afinal, eu queria ter o direito de chegar em um país novo e tirar minhas primeiras conclusões sozinha, mas essa não foi uma opção disponível. Não teve um viajante que desceu daquele ônibus do mesmo jeito que entrou. Todos nós ficamos calados, impactados, reflexivos por um bom tempo. E foi assim até os últimos dias em Pequim, bem no final da viagem. A cada guia, um novo susto, a cada cidade, uma nova surpresa. Quando chegamos na Praça da Paz Celestial em Pequim, é óbvio que não foi diferente.

Nosso guia chinês extrovertido da vez era um homem viajado e até certo ponto, falante. Logo que todos nós começamos a caminhar unidos na Praça, rumo ao Mausoléu do Mao, um dos turistas disse: “Se você não quiser não precisa responder, mas foi aqui que teve aquele evento em 1989?”. Eu estava colada na bandeira do Brasil do guia chinês falante para ouvir a resposta, mas um silêncio triste tomou conta do grupo. O chinês de Pequim não parou, não riu, não falou. Ele continuou caminhando como se não tivesse nos escutado.

Tentamos mais uma vez, não acreditados daquela situação. Como seria possível estar bem no meio da Praça da Paz Celestial, onde aconteceu aquela cena famosa e inesquecível do estudante enfrentando o tanque de guerra e não falar naquilo? Bem, essa é a China e é preciso respeitá-la, mesmo em seus silêncios e tristeza.

Praça da Paz celestial

E assim, nos separamos do guia e cada um caminhou para um lado. Houve quem seguisse rumo ao museu, ao parlamento, a mausoléu. Eu segui para uma das entradas da Cidade Proibida, que é um dos templos mais bonitos que visitei na minha vida. Eu queria um pouco de beleza, por pouca e mísera que fosse, ainda mais embaixo daquele céu cinza de final de tarde. Porque senão eu iria cair no choro.

Não saber se o guia não nos respondeu porque ele não podia, não queria ou não sabia do que estávamos falando foi, de longe, uma das coisas mais tristes que já me aconteceu em uma viagem. Um pouco depois daquele momento único e eu já estava caminhando de volta para o ônibus, afinal não havia muito o que se ver. Só havia alguns chineses correndo de um lado para o outro e um grupo de soldados naquele chão de cimento gigante, a frente da figura do Mao. Mas o silêncio….que silêncio. Eu nunca vou esquecer o silêncio do guia que calou todas as nossas dúvidas sobre o que a China sabe ou não sabe sobre si mesma. Mas afinal, do que nós sabemos? Das dores da nossa ditadura, dos massacres, dos assassinatos na nossa terra?

Engoli a seco e usei a passagem subterrânea para atravessar a rua. Ali, um pequeno e infeliz grupo de pedintes com deficiências físicas e mentais me assolaram nas sombras, quando eu achei que não poderia ficar pior. No fundo, uma sanfoninha desafinada vinha de algo que deveria ser um aprendiz jovem de chinês cigano, mas eu nem aguentei virar o rosto para conferir. No meio do meu mergulho legítimo por toda a melancolia pela história violenta do ser humano, fui acordada do transe com um cutucão. Assustada, olhei para o lado e vi um chinês muito baixinho vendendo um boné com uma estrela vermelha estampada no meio. Achei que meu pai pudesse ver alguma graça naquilo, mesmo no meio da melancolia de todos os sentimentos sombrios que abraçam a Praça Celestial desde 1989. Rapidamente tirei os 10 iuanes da bolsa e dei para o rapaz, como se aquele ínfimo valor de dinheiro chinês pudesse comprar alguma paz de espírito no final de tarde pesado. “Você está cansada, amor. Amanhã vai ser melhor”, me disse o maridão, quando olhou para meu rosto abatido.

E foi, é, o dia seguinte foi melhor sim. Mas naquela tarde eu entendi que tristeza é tristeza em qualquer língua, até mesmo em chinês. E que as vezes a gente se cala, simplesmente porque não consegue falar das coisas que mais nos machucaram.

china praça da paz celestial pequim  china praça da paz celestial pequim china praça da paz celestial pequim

O templo da Família Chen é mais um exemplo do que é a China

Este post é mais um da série Lulu na China. Como já contei para vocês passei alguns dias em Guangzhou (se não viu clique aqui) e só tive surpresas boas. A cidade também conhecida como Cantão é bem mais arborizada e organizada do que eu imaginava e apesar de ser perfeita para fazer negócios, não é tão sem graça assim para quem gosta de turismo “clássico e tradicional”.

Eu adoro me embrenhar em tudo que é novidade, em tudo que é diferente então adorei Guangzhou. As lojas do polo têxtil, as farmácias e lojas de conveniências onde qualquer comunicação é impossível e as aventuras para atravessar a rua me cativaram logo de cara. Legal, sinal de que eu já estava me ambientando à China. 🙂

Mas apesar de não oferecer aqueeeeeela estrutura para turistas não chineses, eu gostaria de indicar um passeio especial em Guangzhou que vale a pena fazer, mesmo se você tiver apenas um dia. O templo da Família Chen, que também é chamado de Ancestral Temple of the Chen Family ou Chen Clan Academy ou ainda Chen’s Lineage Hall é basicamente um super templo construído para que os membros da família Chen pudessem estudar em paz. É, bem intuitivo né?! Mas ainda assim, altamente curioso.

China guanzhou

Pelo que nosso guia chinês mucho-loco contou, um homem chamado Chen conseguiu um cargo elevado na época da Dinastia Qing e foi assim que a família ficou conhecida na região. Mais tarde, algum parente deu a sugestão de construir um super espaço para incentivar os jovens da família a estudar, para que dessem orgulho e continuidade ao trabalho do ancestral. Taí, fizeram essa puta estrutura com muito halls, salões de leitura, de chá, de descanso, jardins e por aí vai. Apenas os jovens que estudavam de verdade eram enviados para essa “casa” para que pudesse se dedicar inteiramente ao estudos.

China guanzhou

A saber, as coisas mudaram muito, mas nem tanto. Na China atual, o esforço sobrenatural para conseguir notas boas e um lugar ao sol ainda é muito valorizado pelas famílias. Conto para vocês o que ouvi e presenciei de perto, quando estava viajando pelo Oriente. Estudar e se colocar bem na escola ou faculdade é tão importante que, antigamente – quando se podia ter mais de um filho – a família observava de perto as crianças e assim que identificava qual era a mais brilhante e esforçada, mandava aquela para a escola, enquanto o irmão tinha que continuar trabalhando. O inteligente tinha que dar um duro danando porque sabia que o resto da família estava contando com ele para subir na vida e bem, os irmãos menos brilhantes nunca teriam chance de estudar porque tinham que sustentar as bocas.

Louco? Mas isso é passado né?! Bem, mais ou menos. Ainda nos dias que estávamos em Xangai, tivemos a oportunidade de presenciar o grande vestibular chinês. Durante os dias de prova, as ruas estavam vazias (o que é assustadoramente raro na China) mas as portas das escolas e os templos estavam abarrotados de pais e avós. Eles estavam aflitos e cheio de fé, pedindo para os Budas que ajudassem o jovem da família nas provas. Nunca vi chineses tão dedicados na religião como naqueles dias.

Mais tarde no quarto do hotel eu li na versão inglesa do jornal de Xangai que muitos pais tinham alugado quartos em hotéis ao lado dos locais de prova, pois a previsão do tempo era de chuva e eles não queriam pensar na possibilidade de o filho se atrasar para o exame. Outros tantos já tinham ligado para as estações de táxi e reservado todos os táxis que não tinham o número 4 na placa, afinal 4 é azar e todo cuidado é pouco na China. E mais ainda, o jornal mostrava a entrevista de uma mãe que contava que a família tinha se mudado de província apenas para que o filho pudesse estudar em uma escola melhor. Como a família tinha dificuldades financeiras, foi necessária uma bela ajuda de todos os parentes para que eles fizessem a mudança. “O nosso futuro está nas mãos do nosso filho”, disse a mãe ao jornal.

Os jovens, sufocados por tantas expectativas, estudam em torno de 14 horas por dias, 7 dias na semana, por pelo menos 3 anos até que a data do tal exame chegue. E apenas alguns vão entrar na faculdade. E destes que entrarem, não são todos que sairão com emprego, muitos menos que conseguirão de fato subir na vida. Bem, mas não custa nada tentar… ou melhor custa muito, então é preciso se sacrificar de verdade. Afinal, quem não tem emprego bom, apartamento e carro nunca vai ter esposa, muito menos filho.

E o que acontece com os outros tantos que não passam na prova? Bem, eles devem estar trabalhando igual condenados, as mesmas 14 horas por dia, para tentar subir na vida, enquanto seus pais enloquecidamente tentam mostrar seus currículos no Parque do Povo, na busca desesperada por uma esposa. Sim, acontece nos finais de semana e eu estava lá. Porque eles são chineses e não desistem nunca.

Viajar para a China é, acima de tudo, uma lição de casa. É sempre útil olhar para fora para se lembrar de tudo de bom que temos aqui dentro. O resto é reflexão louca de filha de psicólogos, então deixo para vocês tirarem sua próprias conclusões sobre o assunto. Posto algumas fotos da casa da Família Chen para vocês 😉 Um grande beijo!

China guanzhou

China guanzhou

China guanzhouChina guanzhou

A mágica da Muralha da China (e tudo que eu pensei enquanto tentava chegar no topo)!

Toda vez que pensamos “CHINA”, não conseguimos evitar de pensar “MURALHA DA CHINA”! E, justiça seja feita, a mágica da Muralha impressiona até os que vão para lá com as mais altas expectativas (eu). A China é uma mistura total de sentimentos e nunca me senti em um carrossel de emoções tão louco dentro de um mesmo país, em um curto espaço de tempo de meros 20 dias. Um dia eu acordava amando na China, no seguinte, odiando e querendo antecipar minha volta para Dubai. Aí, eu conheci a Muralha e este foi o meu encontro especial e romântico com a China. Dali em diante, eu soube amá-la mesmo nos seus defeitos mais bizarros. E o que é o amor senão um óculos cor de rosa necessário (sim) e muito frágil também?

Muralha da China
Muralha da China

Bem, voltando a Muralha, quero dividir dicas práticas para quem quer fazer o passeio. O resto que queria falar é sentimento puro e sensações e acredito que só vá entender quem de fato conseguir subir lá um dia. Existem coisas que as palavras não traduzem e nunca vão traduzir. Subir a Muralha é um ato de coragem, acima de tudo. De superação, de transformação, de sublimação (eu não sei você, mas eu consigo sublimar em lugares assim).

Tá, de volta para a parte prática e lógica da coisa: nós acessamos a Muralha quando estávamos em Pequim (Beijing) e dirigimos menos de uma hora para chegar nessa parte da “coisa”. Tinha banheiros (chineses), lanchonete e dava para perceber que dali para frente/para cima era só pedreira. Aquela entrada dava um ar de que a missão não seria fácil, mas as vistas lá de cima pareciam muito promissoras para desistir. E claro, além disso, se você está na China, vá até a Muralha peloamordedeus!

O dia estava lindo, céu azul impecável e calorzinho no lombo. Fiquei feliz porque a maioria das pessoas só consegue ver a Muralha embaixo de uma névoa que é um misto de poluição assoladora com clima indeciso. Nós fomos abençoados com aquele céu, então eu sabia que ia conseguir chegar lá no topo, eu sabia! E para subir a Muralha da China é preciso roupas confortáveis e arejadas, tênis super amaciado e muita água e claro, disposição de sobra. “Nossa” parte da Muralha era uma escadaria sem fim e os degraus infinitos eram totalmente e insanamente irregulares, de modo que olhar para baixo e concentrar para não errar o pé era a única opção.

De tempos em tempos, tinha uma parada, que me parecia um posto de observação. Isso tudo é dedução minha porque nosso guia não subiu a Muralha com a gente e das muitas informações que ele passou antes de a gente subir, a única que eu lembro é que a Muralha foi construída para evitar que a China fosse invadida pela Mongólia. Quando ele disse isso, meu pensamento escapou para a época de Gengis Khan e nada mais foi absorvido.

Depois da primeira “parada”, é possível ver o cenário espetacular e entender a majestade da Muralha e acima de tudo, da China. Me sinto no dever de compartilhar com vocês que nós, aqui do Ocidente, não temos a menor noção do que a China é, do que ela representa. E foi bem depois dessa parada, lá pelo sexto posto de observação que prometi para mim que iria fazer um post honesto contando o tanto que a China é fantástica. Bem, aqui estou eu.

A China, assim como a sua Muralha é poderosa e colapsada. É intrigante e forte, na mesma proproção que é escancarada e insegura de si mesma. A China é inteligente, moderna, rápida e ela te assusta com tamanha eficiência na busca pela prosperidade a qualquer custo. E no segundo seguinte ela te encanta, flerta com você quando toma forma de uma educada garçonete vestida de gueixa que insiste em te ensinar a comer com palitinhos do jeito certo (ou do jeito chinês). A China, no meu ponto de vista, é injustiçada quando retratada na TV, nos jornais ou no inconsciente coletivo, porque nunca poderíamos julgá-la apenas pelo que parece ser. Os arrotos e os escarros na rua, o descaso com a higiene, as crianças solitárias com a bundinha de fora existem sim e elas te chocam bem no começo. Elas, de cara, te dão a dica mais preciosa que você poderia receber na China: “esqueça tudo que você sabe. Aqui é a China”.

E se você for sábio o suficiente para ouvir o conselho e se for gentil o bastante para acreditar nele, vai enxergar a beleza de cada detalhe entalhado no teto dos templos, vai ver a sensibilidade do pintor que cria maravilhosas paisagens em pequenas folhas de papel, com o próprio dedão. Vai conseguir parar na frente de uma praça qualquer e sorrir quando ver as crianças que não tem irmãos nem primos dividindo uma maça com uma outra criança desconhecida. Vai ver que por trás de toda a individualidade e correria do presente, existe um vínculo forte e inquebrável com o passado, com a sabedoria dos ancestrais, com o livro da família e suas histórias, com os amigos companheiros diários, com as dinastias sábias e cruéis, com o belíssimo feng shui, com as tradições milenares, com o confusionismo ético e pacífico.

E ali, entre aquele enxame enorme de pessoas que se trombam nas ruas de Xangai, na Praça Celestial de Pequim ou mesmo no meio da Muralha da China, se você se permitir abrir a cabeça, quem sabe vai até entender que existe uma necessidade enorme de controle para que um país daquele tamanho chegue a algum lugar. Então, você pára de apenas criticar o comunismo e começa a enxergar que o que está sendo criado em tempo real bem a frente de seus olhos é muito mais do que um “comunismo de raízes chinesas”, muito mais do que uma ditadura capitalista insaciável e irresponsável, muito mais do que qualquer coisa que possamos nomear ou criticar. A China é um grande evento por si só e nenhum de nós, ocidentais, pode ter ideia do que ela vai se transformar. E de como isso vai afetar o mundo.

Ainda assim, estou animada para ver. E foi isso que pensei do alto da Muralha da China. Lá de cima, eu entendi que aquilo tudo era belo e que a mágica só precisava de espaço para se manisfestar dentro de mim. Porque do lado de fora, ela já estava acontecendo há tempos. E ainda vai continuar encantando desavisados por aí, por muitos milhares e milhares de anos. E assim, puff!, de repente meu corpo estava de volta a São Paulo. Mas eu nunca poderia dizer que era a mesma pessoa que tinha saído daqui, dois meses atrás. É, a China me fez bem, estou mais tranquila e relaxada. Então, eu sugiro que algum dia você suba a Muralha da China, vá descobrir por você mesmo a mágica daquele lugar. E boa viagem 😉

Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China

Lulu na China: Suzhou e Zhouzhuang (a Veneza Chinesa)

Eu sei, seu sei, até pronunciar esses nomes parece missão impossível. Mas acostume-se: essa é a China e nada é muito fácil em suas terras, pelo menos não para nós 😉 Mas isso não deveria desanimar os viajantes que desejam conhecer o outro lado do mundo pois para tudo encontra-se um jeito. Até na China.

Assim, determinada a conhecer Suzhou e Zhouzhuang Water Village (também conhecida como a Veneza do Oriente) comecei as minhas pesquisas pelas internet. Tudo indicava que ambas as cidadezinhas estariam a pouco mais de uma hora de Shanghai, nossa primeira parada na China (que por sinal, amei, mas isso é outro post rsrs). Tentei ler tudo o que encontrei online em português e inglês para ter certeza que conseguiria fazer o passeio por nossa conta. Surpresa: a China, o tempo inteiro, joga na sua cara que é a China e não a Europa e saracotear sem guia não é tão simples assim naquelas bandas (mas essa é apenas a minha impressão, vá e depois me conte o que você achou!).

Se você, assim como eu, por mais aventureiro que possa ser dispensa ficar perdido no interior da China, aí vai a dica. Algumas agências organizam esses passeios e uma amiga até me passou um contato direito na China, ela disse que fez todos os pagamentos adiantados e deu tudo certo. Sorte minha, entrei em contato com o nosso agente de viagens favorito (!) e ele tinha disponível várias opções de passeio na China, dentre elas Suzhou e Zhouzhuang Water Village. Adorei! Direto com ele ficou bem mais fácil, contratei um passeio com guia em um carro particular que levaria no máximo quatro pessoas. O pagamento é bem mais tranquilo também, né?! E lá na China, deu tudo certo. Eu fiquei impressionada quando a guia nos encontrou no lobby do hotel: ela era educadissíma, falava um inglês fluente excelente e foi a mais receptiva de todos os guias e acompanhantes que conhecemos durante a viagem (e olha que foram muitos.). E logo de cara, entendi qual o segredo para ter uma viagem “tranquila” pela China. Comece contratando o passeio de uma agência que você confia e assim evite o máximo de supresas “chinesas”  que você puder (porque existe uma quantidade de surpresas inevitáveis, ok? Já coloca no pacote e relax!). O agente aqui do Brasil foi mega ninja na organização da viagem de muitos convidados que foram até nosso casamento em Santorini, então recomendo de olhos fechados. Se quiserem o contato dele, para qualquer viagem, é só me pedir, tá? (luana.sarantopoulos@gmail.com)  😉

Então, pés na China, tour contratado, guia falando inglês, ufa! Entramos na loucura que é o trânsito de Shanghai e chegamos perplexos porém vivos em Suzhou, um vilarejo muito agradável onde visitamos a “Casa do Homem Mais Rico” e um jardim lindo de morrer (gente, desculpa as vezes os nomes chineses me escapam 🙁 ) Este jardim não era o mais famoso nem o maior mas ele é um dos favoritos dos chineses pois tem todos os elementos importantes em um jardim chinês muito bem representados: solo, rocha, luz, vento, água e ar. Sim, demoramos um tempinho para memorizar isso, mas a guia chinesa fofa Ming Ling Ling ( também conhecida como Jessie) repetiu educadamente até que todos entendessem a essência de cada elemento.

Uma das coisas mais legais da China, na minha opinião, é que eles tem um simbolismo curioso para tudo que há e que foi construído. É a fortuna do sapo que só tem boca e não tem bumbum (pois aí o $$$ só sentra e não sai), é a barriga do Happy Buda, é a posição da janela de acordo com o Feng Shui, a ausência do número 4 e por aí vai. A China é fascinante, mesmo de um jeito assustador (você vai entender se continuar lendo os meus posts da série Lulu na China). Da “Casa do Homem Mais Rico” seguimos para o Museu da Seda que também foi um passeio interessante pois conseguimos ver de perto como funciona o processo de criação de um item de seda. E claro, passamos a mão nas lindas larvinhas e eu comprei um casaco mega chinês inteiro de seda. Valeu 😉

O almoço foi honesto e apesar de não me dar água na boca quando eu lembro do menu, acabei por concluir que foi um dos melhores almoços durante toda a estada na China. Pois é, a comida é um ponto fraco na viagem. Para uns menos, aqueles que amam frutos do mar obscuros, coisinhas exóticas apimentadas, sopa de ovo com açúcar e molho de ostra, o que não era o meu caso. Mas ok, porque tem um Subway, Starbucks e Mc em cada esquina, quando você se cansar do maldito cheiro onipresente do molho de ostra (aaaaahhhggg!). Durante o agradável almoço, provamos uma cerveja chinesa e curti a experiência, porque comer bem a gente come em casa, né?! Viajar é para sair da zona de conforto mesmo!

Seguimos para a “Veneza Chinesa”, Zhouzhuang, e mais um vez a surpresa foi mais do que positiva. Paramos o carro em um local bem organizado que era a entrada e a guia nos sugeriu que usássemos o banheiro.Colocou um tanto de papel higiênico em nossas mãos e disse “Nunca dispense um banheiro na China”. Assustada, entrei no banheiro e mirei no buraco no chão, claro, não tinha papel nem privada. Ok, banheiro tuco-otomano-chinês era de se esperar. Enquanto eu lavava a mão, uma criancinha entrou com a mãe e fez xixi no chão bem do meu lado. Estranhei, porque tinha uma cabine vazia, bem a lado da chinesa que defecava no buraco de porta aberta. Estranhei de novo, mas bem, me parece que essa é a China. Estranhar é comum por lá 😉 Tá, essa surpresa escatológica não foi tão positiva, mas a organização do lugar sim.

Zhouzhuang é um pequeno vilarejo cheio de lojas de souvernis, restaurantes pequenos com peixes em aquários e até uma Starbucks. Claro que a guia não nos deixou consumir nada que não fosse um Caramelo Macchiato americanizado e eu só iria compreender o motivo disso mais adiante, quando conheci a rua de comida estranhas e as lenda urbanas/escândalos do óleo de cozinha, leite e água. Passeamos de gôndola, chinezinha gondoleira cantando toda vez que a gente passava uma nota de 20 iuanes e o dia passou sem maiores perrengues. Ah, que saudade daquele dia, nem parecia que a gente já tinha mergulhado na loucura das grandes e geniais malucas cidades chinesas.

Posto fotos do passeio para vocês terem uma idéia. Eu amei a China, apesar de todas as dificuldades! Afinal, o que seria das viagens sem as aventuras e casos loucos, né?

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