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Como as mídias sociais podem f**** o seu relacionamento

Escolhi um título bem dramático para esse post porque quero chamar a atenção de muitas pessoas. O máximo possível de atenção, do maior número de pessoas, de preferência, porque quero falar de um assunto muito sério. Não é a primeira vez que eu vejo um casal próximo (que antes parecia tão apaixonado) se separar assim, “do nada”. Eu fiquei surpresa com a notícia e me pus a pensar nas possíveis razões para o rompimento. Desde que o homem é homem (e a mulher, mulher) nos aproximamos e nos repelimos, em uma dança constante da espécie. Ainda mais quando a gente é jovem, bonito e cheio de energia.

Com o tempo, no entanto, vem a necessidade de um comprometimento maior, pois a partir dele seria mais fácil proteger a prole. Mas é o amor? Bem, tem isso aí também, a gente acaba encontrando a pessoa certa, no tempo certo. E aí, a gente se casa. E a aventura começa porque não estamos nem perto do famoso final feliz. É regar a sementinha do amor dia após dia para fazer ela virar flor e depois, árvore. Sem cuidado diário e paciência, não há caminho junto.

Dito isso, vamos aos pensamentos comuns que vêm a nossa cabeça. Nossos avós viveram uma vida inteira ao lado de uma só pessoa, nossos pais (mesmo que aos trancos e barrancos) vivem ou viveram bem por um bom tempo. Então por que a nossa geração não consegue emendar dois anos de casamento? Será que o jeito de se relacionar mudou tanto que o amor nunca mais será eterno?(Tá, exagerei), mas nem longo? Nem vai durar mais do que dois carnavais?

Me pus a refletir sobre os possíveis motivos da nossa “falta” de capacidade de viver muito tempo ao lado da mesma pessoa e já vou avisando que não encontrei nenhuma reposta óbvia ou totalmente clara. Vivemos em um mundo rápido, conectado e complexo e é difícil de achar duas cabeças que pensam a mesma coisa e estamos condicionados a não aceitar a opinião do outro. Somos chatos e mimados, donos da verdade. Queremos muita grana, para comprar tudo de mais moderno e para isso temos que trabalhar demais. Pelo amor de Deus, não sobra tempo para relacionar!!! Tá, isso é verdade. Mas tem muuuuuito mais por trás do “fracasso” dos relacionamentos. Então lá vai… esta é apenas a minha opinião.

Eu, assim como você, vivo conectada na web. Nem falamos mais de vida virtual e de vida real como mundos separados, é como se nós vivessemos essas duas vidas ao mesmo, agora só exista uma coisa, tipo uma vida intergalática louca e intermitentemente cruzada. Me explico: falamos da coisas que vimos no nosso facebook mesmo quando estamos com nossos amigos em casa e mandamos milhões de mensagens descrevendo o que acontece no nosso dia a dia. Percebe a sutileza? Nada acontece apenas “lá no virtual”, nem só “aqui no real” (ou vice-versa).

Muitos de nós usa a web para trabalhar e ficar conectado 8 horas por dia é quase uma obrigação. Assim, é natural que sempre vamos dar uma espiada no que nossos amigos postaram e sempre temos um minutinho para aquela selfie. As vezes, estamos com algum tempo livre disponível e nos sentimos cansados demais para ler um livro ou ver um filme, então pegamos o celular e abrimos o feed do face. Opa, é fácil, é rápido e ainda tem aqueles vídeos de gatinhos fofos se abraçando!

Eu sei. É tenso. Quase impossível de resistir. E para ser sincera, não vejo problema nenhum no ato em si. O problema é onde e quando. Está com seus amigos que não via há muito tempo, enfia o celular na bolsa, vai. A mãe veio de longe visitar? Deixa o cel no silencioso e vai conversar com ela. E quando o namorado/maridão/paquerinha te chamar para um jantar? Aí, eu tenho que ser enfática: enfia o celular naquele lugar, porraaaaaaaa!!!!!!!!

Desculpe o descontrole, leitores. Mas eu tenho certeza absoluta que alguns de vocês também se sentem assim. Estamos tão acostumados a ver o outro no celular o tempo todo que esquecemos que isso não é legal. O que vale é o momento. O presente é o agora. E se você está em um táxi, converse com o taxista, se está no salão, fale com a pessoal do lado, se está no break do trabalho, conte para a colega sobre algo que não esteja no facebook. Viva mais no mundo real. Ou você pode acabar arruinando suas relações sem nem se dar conta do que está fazendo.

Não faz ideia de como isso afeta o seu namoro? Pensa comigo: você gosta quando você fala com seu homem e ele está vendo futebol? Não! Ficar colada na tela do celular é a mesma coisa. A prioridade devia ser sempre da pessoa que está com você, do seu lado, sempre, sempre. Até e inclusive no casamento, mesmo quando você vê a pessoa todas as noites. Aliás, mais ainda quando você convive com o companheiro frequentemente.

Em qualquer relacionamento de longo prazo os altos e baixos são comuns, porque a vida é cíclica.  Desde que o mundo é mundo as pessoas têm problemas e crises, mas a diferença é que antigamente estávamos focados em consertar o estrago. Hoje, não estamos mais. E não é porque não queremos, mas porque estamos muito ligados nas outras mil coisas que acontecem no mundo. A nossa energia, concentração e atenção é dispersada para todos os lados e não sobra muito para a pessoa que está perto, que está do lado. Quer ver um exemplo? Ela pensa que ele trabalha demais e nem tem tempo para fazer carinho, então ela leva o Iphone para cama e fica vendo foto no Instagram de alguma blogueira fitness. “Nossa, como estou roliça, preciso emagrecer”, é o próximo pensamento e a insegurança toma conta do momento. Que mulher vai querer fazer sexo quando se sente feia? Então, ela olha para o lado e percebe que o homem está disperso vendo algum vídeo de putaria que o amigo mandou no grupo do Whatsapp.

Desanimador, sim, e muito. A mulher que quer manter o relacionamento pensa então que a melhor coisa seria tentar emendar o próximo feriado e sair da cidade, esquecer do trabalho. Ela pesquisa em mil sites e percebe que não tem grana suficiente para ficar no hotel mil estrelas que os blogueiros sugeriram. Ela se sente pobre e frustada com a merreca que ganha no emprego. Então, acessa as atualizações do face e se indigna quando vê uma foto da turma sorridente e linda da amiga gringa, que está fazendo um curso de yoga em Bali. “E eu aqui, na labuta insana, só engordando, ao lado de um cara que não está nem aí”, ela pensa.

Finalmente, o casal “conectado” vai para a praia no feriadão. Ficaram horas no trânsito, trocaram mil mensagens sobre o congestionamento com outros amigos miseráveis conectados e então chegaram. Logo que chega na praia, ela só pensa em tirar mil fotos para postar e ele só quer encher a cara na cerveja. Quando o sol se pôr no mar, duvido que eles estejam mais conectados com a vida a dois do que com o mundo virtual. E, surpresa, não vai rolar nem uma rapidinha mecânica. Depois que a distância ficar insuportável, alguém vai querer fazer um curso no exterior e o outro não vai querer largar a carreira, aí eles vão cogitar separar, pela primeira vez. Pode ser que um deles vá sugerir continuar o relacionamento pelo Skype, poxa, porque eles podem se falar um vez por semana, se o fuso permitir. “Não deve ser tão mal assim”, ela pensa mas logo comprova que na prática ficou inviável. Ela começa a gostar do coleguinha do trabalho e então, pede o divórcio.

A mãe vai pirar, mas ela só quer ver a filha feliz de novo, então ela compra a idéia e a encoraja a enfrentar a família e a sociedade. No final, a mãe respira melancólica porque ela mal acabou de pagar os gastos da festa casamento. E a mãe sabe que todo relacionamento tem seus problemas, que nada é perfeito. Ela sabe que no tempo dela era mais fácil, porque ela só tinha que ser feliz ao lado de um. E não na frente de milhares de amigos virtuais e seguidores sociais.

Mas isso é apenas uma história exagerada inventada por mim, para ilustrar meu ponto de vista. Você provavelmente tem uma outra versão da coisa. E qualquer semelhança é mera coincidência. Mas se você gostou da minha versão dos fatos, lá vai meu final feliz: a mãe manda a menina largar o celular de lado e sugere que ela volte a tomar as rédeas da sua vida. Senão, ela nunca terá uma chance real (e não virtual) de ser feliz ao lado de alguém.

Bem, voltando a realidade. Eu continuo postando, acessando, lendo o que me interessa, não quero mentir e dizer que não uso a web. Me parece que, mais uma vez, a questão é o equilíbrio. Então quando meu marido chegar em casa eu vou desligar o pc e colocar o celular no silencioso. Não vou ler as mensagens em tempo real porque no final das contas, se for urgente, alguém me liga. E eu não aguento mais gente brigando por grupo de Whatsapp, então, é bem melhor ignorar pelo menos no turno da noite. E acima de tudo, porque eu acho que a vida é para ser vivida e não para ser postada. Aqui e agora, com quem a gente ama e não com quem “curte” a gente. E com os seres vivos, de preferência porque de máquinas, perfis fakes e energia negativa o inferno virtual está cheio.

 

Fonte: http://blogs.bethel.edu/web-services/author/vedmic/
Fonte: http://blogs.bethel.edu/web-services/author/vedmic/

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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