Santorini no inverno
Santorini

Da restrição ao amor: a mudança que levo para 2019

Todo ano gosto de escrever um post em dezembro, passando uma mensagem positiva para meus leitores e na verdade, para mim – para a Lulu que vai entrar em 2019.

Este ano, vou fazer diferente. Vou abrir o jogo e contar que este post veio em forma de sonho e foi tão bizarro que achei que merecia ser compartilhado.

Eu sonhei que estava em Santorini (mas este começo de conversa vocês já ouviram mil vezes kkkk). Desta vez, era noite, estava tendo uma feirinha e ao mesmo tempo que conhecia todas as pessoas, eu continuava certa de que era uma forasteira. Eu conhecia as pessoas, mas não fazia parte de nenhum grupo – e quem nunca se sentiu assim?

Foi então que comecei a trabalhar no sonho (claro!)! E enquanto eu repassava datas de casamentos com um dos fornecedores,  uma menina, que eu não conheço de verdade, mas no sonho  sabia quem era, chegou até mim e disse:

O que as pessoas enxergam em VOCÊ? Você não tem nada de especial…Olha sua cara, suas rugas, seu corpo, você é relaxada demais, come o que quer, não cuida da aparência….não sei o que admiram em você….

No começo, senti como se tivesse tomado um soco no estômago. Depois, minha reação foi pensar algo como “tadinha, não sabe de nada….”

E aí, respondi:

Quando tinha a sua idade,  eu já praticava esportes há 15 anos. Eu me exercitei a vida inteira. Nos últimos 5 anos, acordei às 5.30 da manhã para malhar, e dei meu melhor a cada manhã. Machuquei o joelho e senti dor no caminhar por três anos consecutivos – ainda assim fiz fisioterapia, e continuei exercitando na academia, mesmo quando tudo parecia um sacrífico de outro mundo.  Continuava em busca do corpo perfeito.

Eu estava sempre exausta e ansiosa e então, depois de uma crise no ano passado, fui diagnosticada com fadiga crônica. E só quem passa por isso vai entender o medo de não saber se você vai conseguir levantar da cama, ou se vai conseguir caminhar até o carro, se vai conseguir fazer o que você tem que fazer naquele dia. Quem nunca sentiu isso, vai achar que é drama, que é exagero. Eu fiz 30 casamentos em Santorini, em estado de fadiga crônica, em 2017. Eu tomei inúmeros red bulls, no meio de tratamentos médicos, mesmo sabendo que isso era insano. Consumi grandes doses de café, chocolate e tudo que me desse energia e me fizesse continuar movendo naqueles dias. Oh, e não posso esquecer dos muitos ataques de ansiedade, sozinha, entre quatro paredes, e do sentimento de ressaca que te acomete por três dias quando você tem um ataque desses. Perdi a conta de quantos tive em 2017.  Decidi continuar viajando, mesmo quando desenvolvi síndrome do pânico, meditei, respirei fundo e toquei o barco para que conseguisse chegar no final da temporada.

As pessoas achavam que eu estava nervosa, ou ansiosa. Elas falavam que eu parecia cansada. Elas não tinham ideia do nível de sacrifício que eu fazia para estar ali. Mas isso ficou em 2017.

A jovem menina arregalou os olhos. E eu continuei:

Em 2018, terminei o tratamento, melhorei 99%, tirei os remédios, dormi bastante, comi bem, relaxei um pouco, recomecei a exercitar, bem aos poucos. Fiz muitos casamentos lindos, viajei mais ainda pelo mundo, mudei para Amsterdam. Amei minha vida como ela é. Então, não fala comigo sobre o que você não sabe, ok?

Olhei nos olhos dela e vi medo.

E enquanto ela estava parada na minha frente, me olhando, não sabia se queria quebrar ela na porrada ou se pedia um abraço. Ela me fez lembrar que eu passei por poucas e boas, mas que cheguei até aqui bem mais inteira, muito melhor do que estava doze meses atrás.

Ela me fez lembrar que eu já fui muito preocupada com estar magra, estar jovem, e restringi meu corpo de todas as maneiras possíveis. E percebi que mesmo quando eu estava no “meu corpo mais bonito”, ainda me achava estranha e desengonçada. Eu ainda achava que tinha que restringir mais ainda.

Hoje ainda evito glúten, como muitas frutas e legumes, tomo chá de romã e faço algo como “comer intuitivamente”. Basicamente, eu como o que tenho vontade, na quantidade que me faz satisfeita. Nada de dietas chocantes ou treinos e sacrifícios de atleta. Eu sou uma mulher com um negócio, tenho um propósito claro e meu foco é realizar o sonho das nossas noivas em Santorini, então é normal que dedique a maior parte do meu tempo a isso. E não à academia ou clínica de estética.

Por fim, a última coisa que eu disse à menina (o sonho foi quase um monólogo, mas é que eu realmente precisava ouvir isso): Restrição não leva à beleza – O AMOR LEVA À BELEZA. 

Você é nova, mas um dia vai entender que você se amar é o que te faz bonita.

Ela começou a chorar.

Eu me virei e fui embora.

As fotos abaixo foram tiradas na minha última viagem à Santorini, no mês passado. Já era começo de inverno e eu amo a paz que essa época traz. Desejo a todos vocês um 2019 com muita mais amor e mais aceitação!

Santorini no inverno

 

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *