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De mãos dadas pelos canais de Veneza: meu noivado

Eu sei, eu sei, já escrevi alguns posts sobre Veneza. Este é mais um deles, inspirado pelos leitores que pediram mais detalhes sobre a minha viagem de noivado Veneziani! 😉 Aí vai! Espero que gostem!

Todo ser humano deveria pisar, pelo menos uma vez em toda a sua existência, nas ruas molhadas da doce Veneza. E se ainda for possível que esse encontro especial seja abençoado por um amor, mesmo que de uma noite, mesmo que de um verão, aí a jornada será uma das mais preciosas de toda uma era. É que não existe nenhum lugar no mundo que possua a mesma atmosfera perfeita para o romance como a que permeia os canais venezianos e eu digo isso mesmo sendo uma amante incondicional da bela ilha grega de Santorini!

Veneza está para o romance assim como Milão está para moda, como Florença está para cultura e Roma está para história. E para os apaixonados que quiserem escolher esta bela cidade para uma viagem de amor, seja ela em qualquer época do ano ou em qualquer fase do relacionamento, eu dou a minha feliz benção, seguida de algumas sugestões.

Muitos casais optam por viajar por outras partes da Itália e, por questões de tempo ou de logística, planejam apenas um dia para conhecer Veneza. Se você não tem outra opção, vá, mesmo sabendo que vai dormir naquela noite angustiada por ter um gostinho de tudo que não aproveitou na cidade mais peculiar do mundo. Se você tiver outra opção, escolha um roteiro que inclua pelo menos três dias em Veneza e aproveite para conhecer e aproveitar o melhor que os venezianos tem a oferecer.

Eu fui uma mulher abençoada de ter a chance de conhecer Veneza ao lado do meu maior amor de todos os tempos e na época tínhamos um curto relacionamento de apenas três meses. Ignorando todos os comentários de alguns amigos realistas que acreditam mais em grandes viagens para pessoas em relacionamentos longos e sólidos, chegamos por Milão e alugamos um carro ainda no aeroporto e seguimos em direção a Veneza pelas boas estradas da Itália. A visão da cidade, quando eu ainda estava embarcando no ferry rumo ao Lido, no porto de Mestre, nunca saiu da minha cabeça. Eu não conseguia acreditar que finalmente estava conhecendo Veneza, um dos lugares mais especiais da Itália e do mundo.  E eu ainda não sabia de nada, eu nem imaginava que aquele lugar seria palco de um dos dias mais importantes para meu coração.

É que o ar que respiramos é diferente em Veneza. E eu senti isso quando enchi meus pulmões pela primeira vez a bordo de um dos muitos barcos que iria pegar nos próximos dias. Olhei para os olhos do meu amor e vi que a emoção também tomava conta de seu ser e pouco falamos até chegarmos no Lido. Não sei dizer se palavras faltaram ou não foram necessárias quando Veneza tomou conta de mim e tirou meus pés do chão. E logo que pisei firme no chão novamente, me encantei com a beleza luxuosa dos grandes hotéis palácios da pequena vizinha menos famosa sem nem imaginar o que viria em seguida. No quarto, meu amor, joelhos no chão, anel no dedo. Poucas palavras, mas muitos gestos e uma só certeza: eu também queria passar o resto da minha vida ao lado dele.

Assim, partimos para a bela Veneza em um táxi-barco do hotel para conhecer os restaurantes a céu aberto, a música que embala os apaixonados noite adentro, e sentimos que tudo fica mais belo quando cercado pela imagem surreal da Praça de San Marco iluminada.  A partir desse momento, nos dedicamos a caminhar sem a menor preocupação com a multidão de turistas que nos cercava e fizemos de tudo para nos perdermos nas ruelas antigas da cidade. Sem pressa para chegar em lugar algum, ainda extasiados pelo pedido de casamento de filme romântico, observamos um pouco de tudo que há em Veneza: um mix de cotidiano italiano com turismo do mundo todo. Muitas lojas charmosas, restaurantes lotados, confeitarias convidativas e também milhares de barraquinhas despretensiosas se espalhavam pelas ruas e anunciavam uma grande variedade de produtos em um belo e alto italiano veneziano.

Andar por Veneza também é se transportar para uma outra época, onde as portas das casas encostam nas aguas do canal, onde as entregas e até mesmo a ambulância são movidas a remo. E não existe passeio completo pela cidade charme da Itália sem um gondoleiro a espreita assoviado preguiçosamente uma canção que mais parece um canto de encantamento de casais. Assim, da posição privilegiada de um assento de uma das gôndolas oscilantes é que se deve sabiamente admirar a Ponte dos Suspiros e entender que o que um dia foi símbolo de dor (pois os condenados a morte passavam pela ponte e davam seu último suspiro antes da execução), hoje é símbolo de amor. Pausa para uma foto apaixonada sugerida pelo mesmo gondoleiro vestido de preto e branco e um beijo que marcou a minha entrada no mundo dos noivos.

Ao final do passeio pelos pequenos canais entramos no famoso Grand Canal e nos interessamos em conhecer a Ponte de Rialto e sua região mais a fundo. Todo aquele fervor e torpor da variedade barulhenta italiana nos cativou de imediato e seguimos de mãos dadas pelas ruelas do bairro mercador de Veneza. Amor nos olhos, todos os sabores e cheiros da farta cozinha italiana desfilaram na nossa frente enquanto caminhávamos perdidos pelas ruelas da cidade. Nossa fome foi despertada e encontramos uma Rosticeria bem atrás do Campo San Bartolomeu onde o vinho da casa e os pratos da mama foram exatamente tudo o que desejamos naquela noite. E um pouco mais. E assim, mais um dia se foi.

E logo, o sol ressurgiu sem pressa pela janela do castelo do Lido. Tomamos café da manhã e entramos em um barco quando a névoa ainda nos envolvia. Quando o dia amanhece em Veneza é a hora ideal para se preparar para conhecer a Basílica de San Marco porque as longas filas de turistas são inevitáveis desde cedo e ocupam grande parte da praça.  E a espera é válida, o Palazzo Ducale, o museu, a torre do relógio são todas construções lindas, cheias de detalhes, arte e história.  E depois de uma manhã imersa em história e cultura, nada melhor do que observar a parte externa da Basílica, que é maravilhosamente estonteante. Caminhe até o do meio da praça, olhe ao redor todas as poças tímidas de água escura que já se formam e torça para que o relógio te presenteie com o tocar de seus sinos. As badaladas são um anúncio romântico de que o meio dia alcançou os canais e acima de tudo uma lembrança carinhosa de que você está vivendo em um sonho veneziano.

Um pequeno snack servido com um bom Aperol Spritz, o drink mais italiano que provei, e um amor verdadeiro são os melhores companheiros para a chegada da tarde. Ela calmamente se anuncia, quando as águas entram na praça sem pedir licença e quando o som de violinos afinados é ouvido ao vivo de qualquer um dos cafés da grande praça. E se Deus sorrir do alto e mandar água, seja ela uma fina garoa ou uma nervosa tempestade, é porque chegou a sua hora de se despir de seus medos e dúvidas e dançar livremente na chuva, mostrar seus passos mais tímidos e secretos. E se você ainda não tiver encontrado o seu amor, vá até Veneza, mesmo assim. Ele pode estar em qualquer uma das esquinas, de galochas, esperando por você.

veneza Lulu no Pais das Maravilhas 2

Blogueira e escritora, sou de família grega e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Viajo todo ano para a Grécia para visitar meus amigos e parentes e tenho vários contatos em Santorini. Pergunte que quiser. 😉 Ah, e também escrevo sobre os lugares que conheço, vivo na estrada, sou uma escritora viajante. Seja bem vindo ao meu país das maravilhas!

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