memorias de uma noiva de santorini
Casamento em Santorini,  Grécia,  Livros,  Lulu no País das Maravilhas: Especial Grécia,  Santorini

Eu tinha vinte e poucos anos quando, pela primeira vez, me apaixonei pela Grécia

Queridos leitores,

É com muito prazer que posto para vocês mais um pequeno trecho do meu livro “Memórias de uma Noiva de Santorini”. Se Deus quiser, ele logo estará nas estantes das livrarias 😉 E claro, respeitando os muitos pedidos, vou ter um espacinho aqui no blog para vender livros autografados para vocês 😉 Vocês não podem imaginar como eu fico feliz quando recebo o retorno carinhoso dos meus leitores!

No trecho abaixo, dá para vocês conhecerem um pouquinho mais da personagem que narra a história (Sofia) e de sua prima grega, Maria. Espero que vocês curtam, pois escrevi a obra toda com muito carinho 😉 E em breve passo a data do lançamento!

Eu tinha vinte e poucos anos quando, pela primeira vez, me apaixonei pela Grécia.
Eu tinha acabado de entrar em um avião, depois em outro, e depois em um barco. Tinha acabado de dar as costas para tudo que eu conhecia, para todos que me amavam, para aqueles que esperavam algo sensacional da menina tímida e perfeitinha que eu era. Eu fui teimosa e segui as minhas ideias, sem me importar com o mundo. Alguns meses antes disso, eu tinha mandado uma carta para o meio do mar mediterrâneo, e a resposta tinha sido um grande e tempestuoso não. Minha tia, que tinha ido visitar o meu avô no Brasil, e que acabei conhecendo em um almoço, com a mesma naturalidade que convidou a família toda para conhecer sua casa na Grécia, se recusou a me hospedar quando pedi um teto. Por alguns instantes, no interior de Minas Gerais, sentada na minha cama, foi como se aquele teto de ilha longínqua tivesse se despedaçado sobre a minha cabeça. Meus pais não sabiam do meu plano de terminar o último semestre da faculdade e sair correndo do país em busca de sol, mar azul e aventuras. A minha parente helênica não tinha e-mail, então eu tive que me arriscar à moda antiga, com papel, caneta e alguma inspiração. Enviei a maldita carta secreta para a tia, e depois de muitos dias de espera recebi um telefonema nervoso do meu avô, seguido de uma reunião constrangedora com os meus pais, sobre o meu futuro. E como explicar para quem você mais ama que aquilo que tem não é o suficiente? Como dizer que sua natureza louca e selvagem está querendo romper o seu peito e pular rumo ao abismo do desconhecido, e que você se sente refém de seu impulso insano? Eu não consegui fazer com que meus pais entendessem a minha decisão de ir para a Grécia, mas a conversa foi o suficiente para eles respeitarem o meu sonho. Como até aquele momento da minha vida eu nunca tinha dado nenhum problema para eles, pois eu era um excelente estereótipo de garota exemplar, eles não tiveram como negar e me ajudaram a comprar a passagem e fecharam os olhos quando eu limpei minha conta poupança e vi todo o meu rico dinheirinho virar uma merreca em euros.

Assim, em uma batida do meu coração eu estava na Grécia, graças à minha mais nova melhor amiga, minha prima grega, que ficou sabendo da existência de sua parenta brasileira, louca para viajar, e estendeu a mão. Seguido da negativa de um lado, sorri frente a um convite inusitado de outro. Quando recebi o primeiro e-mail de Maria, não sabia o que pensar. Venha para Mykonos. Sou sua prima de Atenas, e me mudei agora para a ilha. Eu também precisava sair de casa, e entendo você. Venha morar comigo. E foi uma amizade comprometidamente cega, irracionalmente forte, e estranhamente cúmplice, que começamos desde o nosso primeiro contato.

Assim, cheguei a Mykonos em uma tarde, depois de cinco horas de viagem em um barco grande, estilo ferry boat, que saiu do enorme porto de Atenas. Para mim, aquilo parecia um cruzeiro de lazer, um glamoroso Titanic grego, e tudo a bordo era diversão. Todas as comidas eram saborosas, e todos os homens eram deuses lindos. Maria me esperava no pequeno porto da ilha dos moinhos e casinhas brancas, e me espantei com a beleza ensurdecedora que ela tinha. Pele clara, levemente bronzeada pelo sol eminente da ilha, corpo esbelto, cabelos negros e olhos verdes. Ela usava um minivestido branco, chapéu, óculos escuros, e conquistava todos os olhares ao seu redor. Eu me impressionei com o seu charme e beleza, sem imaginar que um dia seríamos tão parecidas, tão próximas, e que aquela beleza charmosa seria uma das características mais marcantes das mulheres da nossa família. É muito bom ser considerada bonita em sua cultura, e Maria me fez entender que a beleza abria muitas portas, até aquelas que o dinheiro não podia abrir. Por outro lado, fica muito difícil passar despercebida em qualquer situação, de modo que, curiosos, mal-intencionados ou inocentes, almas masculinas de todos os tipos, eram arrastadas para dentro da nossa esfera de beleza helênica. Durante todo o verão que passamos juntas em Mykonos, atraímos homens apaixonados e loucos, de todos os tipos, e portadores de intenções variadas. Até então eu era ingênua e ignorava o que o futuro próximo me reservava, e quando desci daquele barco Maria me abraçou como a irmã que nunca tive. Nos olhamos nos idênticos olhos verdes profundos que temos, sorrimos e comentamos todas as nossas semelhanças, embora ainda não sabíamos de nada.

Na noite da minha chegada, Maria me levou para dar uma volta e para tomar um drink em um bar de música da ilha, e me apresentar o que de melhor Mykonos tinha a oferecer. A beleza natural do pequeno monte de terra cercado de mar, as construções labirínticas de casinhas brancas do centro e a branquitude das areias das praias só me arrancavam sorrisos e suspiros. Naquela noite, quando Maria dançou zeibekiko, uma música grega tradicional, quase caí aos seus pés, juntamente com todos os homens que estavam ali. Nada há de mais belo do que um zeibekiko bem dançado e bem apresentado. A performance de um só, onde as habilidades de se parecer bêbado e vacilante em uma jornada solitária cíclica foi mais profunda e enigmática do que qualquer samba ou tango que eu já tinha presenciado. Maria dançava como as outras mulheres gregas da nossa família, com passos charmosos e suaves, característicos de Atenas, impressionantes aos apaixonados frequentadores daquele minúsculo bar, na minúscula ilha. Foi assim que me apaixonei pela Grécia pela primeira vez, no meio do nada, no bar de Mykonos, quando vi a primeira performance de zeibekiko da minha vida. A partir
daquele momento, eu nunca mais seria a mesma. Alguma coisa tinha despertado dentro de mim, de uma maneira tão forte, que eu só iria compreender anos depois. Maria e eu nos tornamos amigas e companheiras inseparáveis, e um dia ela ainda iria me ensinar a perspicácia de todos aqueles passos da dança solitária dos homens tristes e melancólicos da Grécia. Maria morava na ilha, em uma kitnet alugada, e nós dividimos o pequeno espaço por apenas dois meses. A vida foi leve e animadíssima durante o começo daquele período, e sempre me lembro daqueles dias com grande alegria. Minha prima me arrumou um emprego na mesma cafeteria que trabalhava, e nos meus primeiros dias aprendi que existe uma boa cafeteria em todas as esquinas daquele país. Os gregos amam tomar vários cafés por dia, e não me refiro à pequena xícara de expresso que engolimos em menos de trinta segundos depois das refeições ou pela manhã, mas a um copo alto, cheio até a boca, de espuma de frappé, uma mistura de café, açúcar, água, gelo e leite batidos, que no verão escaldante das ilhas pode ser visto na mão de todo e qualquer grego que se preze, assim como nas charmosas ruas de Atenas. Eu adorava sugar toda aquela espuma gelada e doce, dia após dia, noite após noite….

(continua….)

memorias de uma noiva de santorini

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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