Ex-namorados: Como lidar com eles?

O que fazer quando o ex pede para te adicionar no facebook? Você aceita de cara, fica alguns dias refletindo ou exclui o pedido sem nem pensar duas vezes? Depende do ex? Ou você acredita piamente naquelas palavras de uma antiga comunidade do velho e bom Orkut que dizia que “ex bom é ex morto”?

Bem, vamos lá, porque o assunto é longo e controverso. Eu, uma mulher de 30 anos que viveu bastante, viajou muito e conheceu mil e um amores internacionais, tenho uma longa lista de ex e não nego. Ex-paquerinhas, ex-rolos, ex-pretendentes, ex-namoradinhos, ex-namorados sérios e até ex-noivos. Assumo que lido com cada um de uma maneira diferente, mas a minha regra básica número um é: não deixe ele atrapalhar sua vida nem comprometer sua relação atual.

Em princípio, prefiro manter distância, ou seja, eu não vou sair por aí procurando por informações dos homens que passaram pela minha vida, evito de perguntar muito para os amigos em comum e nem chego perto de perfis de facebook. Mas se o número de ex é maior do que de jogadores de um time de futebol, ocasionalmente, algum deles vai esbarrar com você, no mundo real ou virtual. E então, o que fazer?

Seja natural e não deixe todas as lembranças cor-de-rosa virem à tona, afinal vocês terminaram por algum motivo. E se você estiver comprometida, a minha sugestão é que você, educadamente, passe a mensagem que quer continuar mantendo a distância. Se você for solteira e estiver afim de conferir se os motivos que te mataram de raiva no passado ainda estão lá, ou não, boa sorte. Minha experiência mostrou que na prática figurinha repetida realmente não enche álbum. Como no amor tudo é possível, se você estiver decidida de que quer revisitar o passado para ver o que ainda têm por lá, lembre-se de consultar suas feridas para ter certeza que elas já estão fechadas e bem cicatrizadas.

Com todo o respeito pelo meu passado, ex nunca me balançou, em geral. Eu sempre fui muito prática na arte de terminar um relacionamento e eles também seguiram com suas vidas no tempo devido. Um dos meus ex é casado com uma grande amiga da faculdade, outro namorou uma amigona logo depois que me namorou, sem falar nos muitos rolinhos que foram divididos entre as amigas enquanto éramos estudantes no amor. É, eu sei, é um tanto quanto estranho, mas de um jeito que eu não sei explicar Belo Horizonte pode ser ainda menor do a Manhattan retratada no seriado Gossip Girl. Assim todo mundo se encontra, sempre, nos mesmos lugares e não há porque se indignar ou lutar contra isso.

Sorte minha, eu vivo viajando e me mudando de estado, de país. Relacionamentos internacionais, na ponte aérea e Skype eram minha especialidade, então depois que saí da adolescência parei de trocar figurinha com as amigas. E parei de trombar com os mesmos rostos nas ruas e festas. E de lá para cá, cada ex gringo se comportou de um jeito.

A começar pelos mais fáceis e tranquilos: os ingleses e os australianos, com eles nada é complicado. Não sei se é porque eles são mais relaxados com tudo, se o relacionamento é mais solto ou quase aberto ou se era eu que era mais bicho solto quando namorei com eles, mas bem, nunca houve brigas, nem baixarias nem ódio espalhado. Depois do término, um ou outro desejo de felicidades no aniversário, algum contato se quiser indicar algum amigo que vai se mudar, enfim, todo tipo de conversa curta, educada e superficial foi bem-vinda. Eles nunca me causaram nenhum problema e gosto de pensar que eu também não atrapalhei suas vidas.

Dos mais fáceis vou pular direto para os mais difíceis: os gregos. Ai, eita homens passionais e envolventes que te deixam louca de paixão e inevitavelmente de raiva. Se for apenas um namoro curto, com começo, meio e fim, é possível que ele nunca mais vai te procurar e vai virar apenas uma memória especial na sua cabeça. Se o relacionamento foi apenas um caso relâmpago de férias, entre uma ilha e outra, bem, se ficou “em aberto”, ou seja, não teve um final pontual, aguarde cenas dos próximos capítulos. Os gregos adoram bancar o conquistador e eles vão tentar um contato sempre pensando em um reencontro quente no alto verão das ilhas. Se você não está interessada, nem se aproxime, porque é perigo na certa. Na Grécia, o que acontece uma, acontece duas e o que rola duas, pode rolar três vezes e portanto, não confie que o que acontece na ilha vai morrer na ilha. E o homem grego para casar, aquele que você teve um relacionamento sério de verdade ou até um noivado? No meu caso, quando terminamos tudo, eu voltei para o Brasil e nem olhei para trás. Ele não tinha meu email, nem telefone do Brasil e demorou 8 anos até que ele me adicionou no facebook, apenas um mês antes do meu casamento (e a festa seria na ilha que ele morava!). Pânico? Não, ignorei ele na vida virtual na certeza de que poderia fazer na vida real também. Não por raiva, nem por medo de “ficar balançada”, mas por respeito ao meu noivo atual e a paz do nosso momento especial.

Afinal, me parece que o que passou, passou. Mas essa praticidade não é para todos. Na lista do ex, tem o turco também, que até hoje manda e-mails em português (não sei como ele traduz) para minha família, sempre que é dia dos pais ou dia das mães, natal ou algo do tipo. Ele já teve a fase de mandar flores do outro lado do mundo para tentar reatar, pedidos de casamento seis meses depois do término e por aí vai. Atualmente, ele é sutil e não força a barra, mas sempre acha uma brecha para fazer um elogio galanteador como “adorei te ver vestida de noiva” e coisas do tipo. Respondo educadamente, agradeço o elogio e desejo tudo de melhor e a nossa vida continua, em caminhos separados que não levarão ao mesmo lugar.

Os brasileiros são únicos, diferentes e indecifráveis e acho que este é o charme deles. Nunca dá para saber o que um ex brasileiro vai fazer. Alguns vão sumir para sempre, outros vão rondar as amizades de longe, outros a gente vai encontrar no casamento de uma grande amiga. Mas tudo que vivemos com cada um deles de coração aberto nunca pode ser apagado, porque aprendemos e crescemos as custas dessas outras tantas experiências e devemos ser gratas ao nosso passado. E ainda devemos considerar as outras tantas relações consequentes do namoro ou noivado. Assim, tenho várias ex-sogras na minha lista de amigos online, bem como ex-cunhadas. Uma das minhas ex- sogras é super amiga da minha mãe e sempre que podia passava para tomar um café com a gente, ela torcia oficialmente pelo sucesso da minha vida amorosa. Tenho também uma ex-cunhada especial que ficou tão amiga que foi até Santorini presenciar o meu casamento, mesmo comprando uma briga enorme com o irmão e família dela.

Frente a todos comentários e observações, reitero a minha regra básica número um: se for atrapalhar, incomodar o atual ou causar confusão interna, não deixe o ex entrar na sua vida. Se, no entanto, você conseguir ver a beleza e importância de cada uma das peças do seu quebra-cabeça amoroso, deixe entrar e respeite a sabedoria popular máxima de que algumas coisas não há quantidade de tempo que possa apagar. E assim, com um sorriso no rosto, deixe o passado brilhar onde ele melhor se encaixa: na nossa memória.

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