Já dizia a minha avó: a inveja é uma merda (e olha que ela nem tinha facebook)!

Quantas vezes você já se pegou pensando que não existe sentimento pior do que aquela invejinha insistente da grama do vizinho? E quantas vezes você já se deu conta de que você deve ser o vizinho invejado?

Então, em ambos os casos a situação é ruim, degradante e perturbadora. E por mais que queiram me convencer que algo como “inveja branca” existe, eu ainda firmo o pé e bato na mesma tecla da sabedoria inestimável da vovó que dizia que a inveja é uma merda. E não é que ela estava certa?

Toda vez que uma amiga ia lá em casa e falava mal de alguma roupa nova no meu armário, a vó já sabia: “é inveja, querida!“. E eu, tolinha, pensava que nunca iria ter coragem de usar aquela saia em público, já que a minha grande amiga tinha detestado. Passado alguns dias, era batata (gíria da vovó!): a tal amiga me pedia a tal saia emprestada. A vó estava certa e eu era uma trouxa de ter ouvido a opinião invejosa da outra lá.

Os anos se passaram e eu parei de emprestar saias para as amigas. Parei de ligar para elas na hora de sair para balada, porque de nada me importava com qual roupa a outra iria sair naquela noite. Parei de me importar com a nota delas nas provas da escola e para o carro do namorado delas na faculdade. Eu decidi não me importar mais com tais assuntos porque eu estava super envolvida em criar uma vida diferente para mim. E no final das contas concluí que a opinião do outro é apenas a opinião do outro, nada mais (meu pai adora me lembrar disso, com frequência aliás kkkkkk).

Mas aí, apareceu o facebook. E se todo mundo está expondo a figura na medina e postando tudo que faz, que come e o que sente, eu achei que deveria fazer isso também. E, surpresa…..! A inveja tomou proporções gigantescas e ficou maior ainda que a rede social mais famosa do mundo. Mas e daí, certo? Se alguém quer invejar a minha vida é porque essa pessoa iludida só vê as pingas que eu tomo e nunca os tombos que eu levo…..(essa eu aprendi no interior de Sampa!) E coitada, deixa ela se iludir então e achar que tudo se resume a sombra, água fresca, viagens e selfies bonitas 😉

Na vida real, minha gente, o buraco é bem mais embaixo. Se cada 1.000 curtidas te desse um amigo novo, as blogueiras não seriam as pessoas mais criticadas da face da Terra. Se expor é tentador e receber elogios pode inflar o ego até os céus, é bom saber que lá do lado a queda é beeeeem maior. E mais doída. Sei lá, acho que sinto falta da época que a gente se esforçava para agradar aquela uma pessoa super especial na sua vida, mas quando escrevo isso pareço mais idosa do que a minha avó 🙂

Enfim, vivemos no mundo real e virtual agora e isso é tão bom quanto é ruim. O ideal é usar para o bem, para espalhar o bem, a verdade, o amor, a paciência, a beleza….tudo que a gente envia para o mundo, volta, sabia? Essa é uma outra coisa que minha avó me ensinou: “cuidado…. que tudo volta!”. Então pára de ficar invejando o perfil do amiguinho achando que a vida dele é sensacional, aproveita e usa esse tempo para idealizar melhorarias na sua vida. E tem outra também: nem perca seu tempo achando que ele está “fingindo ou mentindo”. Esse é o princípio básico do perfil virtual, a gente coloca o que a gente quer. Vocês eram assim tão novos na época do 145? Aquele número que a gente discava no telefone e falava que era linda, loira, 22 anos, peitos enormes e marquinha de biquini (era moda na época, tá?). E do outro lado, algum moleque de 14 anos cheio de testosterona respondia que ela alto, forte e tinha olhos verdes, seus amigos o achavam a cara do Brad Pitt. A conversa rolava e o flerte cafona também apenas – e devo ressaltar: apenas- no mundo das ideias. Nunca ninguém marcava um encontro. Pra quê? Se desiludir?

A vida real é a única verdade. Mas as vezes o ser humano precisa e muito de um tanto considerável de utopia para levar a vida. Aprendi isso na Grécia, com os sábios gregos utópicos, apaixonados e amargurados por amores impossíveis. Não são todos, é claro, mas eu conheci uma quantidade considerável de gregos que idolatra um amor impossível, um drama sem fim, uma vida secreta que ninguém mais sabe que existe. Deixei de ser quadradona e entendi que a utopia pode ser aproveitada de alguma maneira. Em um momentos mais, em outros menos, a utopia pode ser de grande utilidade para quem está insatisfeito com o jeito que as coisas estão caminhando de verdade, na única vida que eu realmente conheço, a real (essa mesmo). Mas a utopia é uma grande e enfeitada porta de entrada para a inveja e assim, todo cuidado é pouco. Querer ser mais magra, mais linda, mais famosa, mais rica para postar fotos como a fulaninha de tal não vai te fazer mais feliz. Sabia?

E se você é vítima de inveja (e quem não é?) deixo a minha dica. Na verdade é apenas um jeito menos desgastante de lidar com a situação mas não há resultados comprovados cientificamente. O melhor a fazer é postar tudo que você quiser, do jeito que você quiser, com as frases que você quiser e com a ideia que quiser expressar. Quem te ama de verdade, vai querer te ver feliz. Se quiser ser mais discreto em algum detalhe da vida pessoal ou afetiva, eu respeito isso. A mensagem e a declaração só precisa chegar até o destinatário correto e as vezes ele mora bem ali ao nosso lado, né?! Mas fora isso, poste tudo que estiver com vontade, fale com os outros com alegria de suas conquistas mas tenha humildade porque o mesmo Deus que tudo dá pode tudo tirar (não para te sacanear mas para te ensinar uma lição, eventualmente). Enfim, seja você mesmo, não pense e planeje tanto, apenas seja. Esconder-se não é o caminho pois é preciso mostrar a sua luz para que outros que querem brilhar sejam guiados.

E quanto ao resto? Os haters, os que criticam e pior, os que emudecem e nem conseguem te dar um parabéns frente a uma grande conquista? O que fazer com eles? Nada. Afinal, quem aí se importa com restos? E no mais, olhos gregos pela casa, carro, escritório….e cafifa do joão pelado para quem quer te zicar! Sai zica! Sai uruca! E vai ser feliz, porque o seu destino, assim como o meu, é leve 🙂

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