Santorini · Viagem

O coração dos gregos

Ei leitores! Estamos esquetando as turbinas para o lançamento dos meus próximos livros – finalmente as partes 2 e 3 da trilogia Noiva de Santorini vão sair para venda no mundo todo!! Uhuu!

Mais um trechinho abaixo para vocês 🙂 Espero que cada ser humano apaixonado pela Grécia possa viajar no tempo e espaço e curtir um pouco das grandes almas gregas que conhecemos….Ah, e aproveitem para ver no final do post o trailer novo que fizemos na ilha de Santorini, na Grécia! Beijos!

cropped-casamento-em-santorini-lulu-no-pais-das-maravilhas-1.jpg

 

Tic-tac-tic-tac, bate o coração do grego, como um relógio acelerado e tempestuoso.

Em terras helênicas, ninguém se importa com a necessidade de paz. A corrida pelo destino, a aceitação de que a vida é uma saga, de que a riqueza vem do caminho, resultam na pura certeza de que o homem sábio é o que viveu a vida por completo. O coração grego explode a cada dia, a cada amanhecer, comprovando e testemunhando que a vida deve ser voltada para a experiência da jornada. E por mais exaustivo que isso possa parecer para corações não gregos, confesso que me acostumei a viver e a sofrer como os nativos das ilhas.

            As lições que presenciei sobre as dores de amor e sobre o desespero sem fim de romances absurdamente passionais não me deixariam viver uma existência tranquila e pacífica. Afinal, não enquanto estivesse presa nas águas do mediterrâneo, onde cada nativo deixa sua vida ser guiada pelas forças de um vulcão misterioso como o da ilha de Santorini.

          Enquanto vivia nas belas ilhas gregas, percebi que as paisagens calmas e naturalmente abençoadas escondem um portal onde a vida pode ser muito crua, difícil e complicada. Um lugar onde os homens parecem animais bravos e esfolados, acostumados a luta diária pela sobrevivência. E nesse ambiente intenso, entre mulheres que são deusas poderosas e sujas, ora veneráveis e ora temidas, iniciei minha jornada. Meu inconsciente parecia um animal selvagem, uma besta de origens mitológicas, quase um Minotauro desenfreado que nunca parecia dormia por completo.

            E depois de um primeiro e avassalador amor de ilha e um segundo romance grego mais forte ainda, fugi das ilhas gregas, como tinha de fazer, para conseguir emendar minha sanidade e acima de tudo, meu coração. Naqueles dias, já não era mais a mesma menina. A parte grega crescia e gritava alto, mas não sabia se o coração aguentaria aquele fardo. Afinal, todos os gregos que conheci sofriam dos males do coração. O que pode ser mais catastrófico do que seu órgão vital se lançar com fúria contra seu corpo? Nada pode ser mais grego, mais passional, do que um verdadeiro ataque de coração fulminante.

          Eu ainda queria viver.

          Penso em como me sentia naquele dia, de fuga da Grécia, de esperança no Brasil. Tudo estava para mudar novamente e queria me lembrar daquele momento único, de retorno, recomeço, nova jornada, promessas remendadas, minha redenção. E por mais que tivesse amaldiçoado a bela ilha de Santorini e prometido que nunca mais olharia para trás, aquele pedacinho mágico e vulcânico de terra continuaria me chamando pelo nome. E, eventualmente, eu sabia que poderia voltar a colocar meus pés atrapalhados e incorrigivelmente românticos nas pedras grossas da impiedosa ilha de Santorini.

Um suspiro profundo, um sorriso teimoso e uma constatação melancólica: algumas coisas simplesmente não mudam. Nunca. Ainda bem, pois sem os grandes dramas gregos não haveria as mais belas histórias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *