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O desabafo de uma geração que nunca tem tempo

Eu sou daquelas que vai pra cama a noite pensando na lista de coisas infinitas que não fez no dia e que ficou para o dia seguinte. Ontem a noite, dentre elas estava o conteúdo deste post. Na sequência, interrompi o meio do texto que escrevia mentalmente para lembrar que tinha que dormir porque em poucas horas estaria de pé para malhar, as 5: 35 da matina. E que provavelmente nem teria tempo mesmo de colocar este post no ar.

Então, decidi, vou escrever, mesmo que curta e rapidamente. Putz, se é um assunto tão importante, por que não tenho tempo pra ele? Por que cargas d’água não tenho tempo para fazer nada? NUNCA?

Pausa para ponderar a loucura: eu faço coisas até demais ( ha! você também, né? e aí que mora o problema, amiguinhos!). Dia de semana, pára de show, não há tempo pra nada, além do trampo, emails, projetos novos, curso, e blablablabla! Chega o fim de semana, uhu! Juro, meu sábado parece coisa de médico, tem compromisso de hora em hora! E depois tem almoço com pessoas A, café com pessoas B, drinks com pessoas C, seguido de terminar de ler meus 8 livros inacabados e dar aquela espiada no fluxo virtual do dia….pronto, no domingo vai igual, mas tenho que incluir o maldito mercado lotado logo após a tão ou mais lotada corrida no Parque Ibirapuera (programa oficial de fds paulistano). Deu 4 da tarde e eu só queria poder descansar, mas tenho que resolver skypes, decidir os cardápios da dieta da semana, responder mensagens e emails sobre assuntos que não posso lidar durante a semana….Cara, estou ficando louca.

Faço coisa demais e isso me faz sentir que não tenho tempo pra nada. A net, as mídias, a demanda brutal da vida em São Paulo, o aumento do número de relações e a queda na qualidade delas e o infindável trabalho daqueles que, como eu, escolheram uma profissãozinha filha da mãe como escrever…..putz!

Mas e aí, tá ruim? Então muda, jovem! Eu sou a primeira a recriminar pessoas que só reclamam, então tenho que ouvir meu próprio conselho. Muda logo!! A escolha é sua (e minha) então por que refazemos a mesma escolha prejudicial todas as santa manhãs? Por que essa pressa toda, o tempo todo? Para onde vamos? Por que ninguém mais pode esperar? Nem eu? Nunca? E por que estamos tão comprometidos em reclamar e não mudar porcaria nenhuma?

Bons tempos que a net era discada, bons tempos de telefones fixos, pastas de papéis de carta, viagens de carro. Tá, sei que a melancolia dramática é injusta e a tecnologia nos ajuda e muito, mas poxa, eu sinto saudades dos dias que vivíamos em TEMPO REAL. Real mesmo, compatível com a realidade dos seres humanos. Hoje somos coelhinhos cheios de emojis correndo em tempo virtual, atrás da cenourinha que existe só na oitava dimensão e (adivinha?) NUNCA vamos alcançá-la. 🙂 😉 :0  Mas finge que tá tudo certo! 🙂 🙂 🙂 🙂 Afinal, no facebook só tem gente feliz! 🙂 🙂 🙂

Este é meu desabafo, chega. Me sinto como um esteriótipo bobo da geração dos 25 a 35 (posso e devo estar errada) e quero mudar o mundo (tô fora de moda, mas vou tentar). Tem aquela amigona que quer tomar um café, tem aquele final de semana que quero velejar, jogar golfe, comer milanesa, ficar a toa, ver minha avó no interior. E quer saber, vou começar a fazer isso.

Estou frustada porque nunca tenho tempo para fazer as coisas que realmente importam. Estou frustada  porque acredito em um tanto de coisas que não importam e elas acumulam e atrapalham meu dia. Olho pro lado e vejo meus amigos na mesma, sejam eles autônomos, empresários, concursados ou empregados com um salário top. Concluo que a questão aqui não é dinheiro, nem sucesso, muito menos realização pessoal. É algo que vai muito mais além, que está profundamente arraigado nas pessoas nos dias de hoje…o fato de acharmos que temos que ter tempo pra tudo. “Temos que ter tempo” pra ser fitness, ser fashion, ter cursos e mba’s, de ser criativo,  ter cão,  ter filho, ser super ligado a família, ser mega popular entre os amigos, ter milhões de seguidores no insta. E vamos vivendo no ápice da frustração, porque é impossível “ser um sucesso” em tantas especialidades e ser especialista em um mar de generalismos irrelevantes 🙁 Somos um bando de wannabe heróis fracassados e cheios de olheiras (mas sem barriga, tá?). (Agora eu escrachei – não quero ofender ninguém – estou falando pra ver se eu escuto #aloca)

Sério mesmo, quando nos tornamos tão trites, reclamões, depressivos e ansiosos? Pára o ônibus porque eu quero descer! E se o mundo for acabar nos próximos dias, se novas guerras forem explodir ou se mais algum caso escambroso de corrupção surgir, nem precisa me avisar (mas em todo caso, estarei em um caverna de gelo na Islândia observando preguiçosamente o modus operandi do homem naturalis – sem sinal e sem net, I hope). Chega de homo virtualis!

Desculpa o desabafo, gente, acabou que foi longo e cheio de drama grego tecnológico (exagerei, confesso e ponho a culpa na TPM #omaridopira). Espero que tenham entendido meu ponto, pelo menos um pouquinho! Amanhã tem mais (falo que vou sumir, mas amo demais meu blog! E vocês!)! E se alguém aí tiver alguma dica pra compartilhar, fique a vontade! (e não me diga meditar, que já acordo 10 minutos mais cedo pra isso todo santo dia…eu  chego lá…..)

Persistência e resignação, leitores! É só um dia daqueles, mas vai melhorar! A gente tem saúde, amor e sonhos e o resto a gente corre atrás! Certo? Beijos e mil thanks por me aguentarem em post como o de hoje!

 

 

 

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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