O que aprendi na minha viagem pelo Oriente

As vezes é tão difícil sentar e escrever um post específico e prático. Um post com informações úteis, que vai ser de grande valia para os leitores, que vai ajudar a minimizar o stress em algum ponto de suas vidas. Mas é mais difícil ainda de escrever algo assim nos dias que se sucedem uma grande viagem, como a que acabei de fazer. Pois se de um lado as ideias fervilham e já se enfileiram em ordem de postagem e se agrupam em assuntos afins, de outro lado os mil questionamentos que acabaram de nascer naqueles dias sem fim longe de casa se acumulam em uma pilha mais alta que o Burj Khalifa. E então, por onde começar?

Pelo começo. Vou contar para vocês como me senti quando comecei essa viagem pelo Oriente, vou confessar tudo que passava pela minha cabeça quando eu pisei em Dubai pela primeira vez. Apesar de tudo que eu tinha lido sobre a relativa “flexibilidade” quanto aos costumes dos estrangeiros e não-islâmicos, eu confesso que não acreditava que as coisas poderiam ser tão “livres e soltas” em Dubai. E quando encontrei um banheiro no aeroporto de Dubai e passei pela porta, conclui que eu estava certa. Só havia mulheres de burca ali dentro e isso me paralisou por um momento. Saí do banheiro com o olhar baixo e só pude ver discretamente que todos os homens que passavam por mim usavam aquela vestimenta branca árabe (que mais parece um camisolão de manga comprida que o pessoal usa em festa a fantasia aqui no Brasil – sem desrespeito, só para vocês imaginarem a coisa certa). Medo e pânico, peguei o lenço na bolsa e cobri meu cabelo. Não acreditei que iria passar quase 15 dias em um calor infernal do deserto (literalmente) tendo que me cobrir e ainda assim me sentir inapropriada. Surpresa. Passados menos de 60 minutos, eu já estava feliz da vida, relaxada e bem acomodada no nosso hotel maravilhoso, bem no meio da “free zone” de Dubai. Por ali, todos estavam sorridentes e despojados, mulheres de roupas de praia e homens com drinks na mão. E o cenário? Paradisíaco.

Em pouquíssimo tempo, percebi que Dubai conseguia ser mais paradoxal ainda do que eu, então me apaixonei, meio que a segunda vista.  E assim, desde o primeiro momento até o último nessa viagem, mudei de idéia pelo menos uma vez por dia. De Dubai para o deserto, de lá para Oman, de volta para Dubai. De lá até Shanghai, Guanzhou, Suzhou, Beijing, de volta para Abu Dhabi, dessa vez no começo do Ramadan. Meus pais e meu marido, que acompanharam a confusão que passava na minha tela mental a cada conversa ou ligação, com certeza entendem o meu sorriso secreto quando todos me perguntam como foi a viagem. “Sensacional” é a reposta mais adequada, seguida de um “Aventura total” para ter certeza de que estou sendo sincera com os dois lados da história.

De Dubai, tenho muito para dizer e mil dicas úteis para dar. Do deserto, tenho muitas reflexões para dividir, perguntas para fazer e outras para responder. De Oman, tenho comentários, quero dividir a beleza e a tristeza, quero pedir o fim da violência no mundo. Da China, bem…..é melhor começar dizendo que a China é outro mundo. E goste você ou não do que eu vou dizer, é melhor você acreditar que nós não fazemos ideia do que acontece naquela parte do mundo. Tudo que eu já tinha ouvido falar, lido ou estudado sobre a China fez muito pouco sentido quando pisei pela primeira vez em Shanghai.

Foi com muita surpresa, animação, entusiasmo seguido de muito nojo, desânimo e susto que vivi nossos dias em terras chinesas. Um misto de admiração e nó na cabeça me acompanhou ao longo de todos os dias e noites e até os últimos minutos, a China me surpreendeu. Não sei te dizer se foi de um jeito bom ou ruim, acho que os dois, mas o importante é que eu nunca me senti tão viva como nesses últimos 30 dias.

Os artistas, sejam eles pintores, escritores, fotógrafos, enfim os sonhadores sabem exatamente do que estou falando. É na situação estranha, no perrengue, no lamento, bem longe da zona de conforto, que nos aproximamos mais de nós mesmos e, eu ousaria dizer, de Deus. E se você olha as minhas fotos no Instagram e não consegue nem imaginar uma situação desconfortável que eu possa ter vivido, bem, eu vou te ajudar. Visualiza sentir mal com a comida local (que é vendida em 99% do lugares) por 15 dias consecutivos e ainda ter um “piriri galopante” especial em um dia cheio de passeios marcados, bem no meio da China. Banheiro público? Eca, bem tenso. Privada?  Só um buraco no chão. Papel higiênico? Nem pensar. Floratil? Na farmácia, só rótulos chineses, babe. Mas ok, porque é na dor que a gente cresce. E pouco depois do aperto eu já estaria rindo posando para foto em algum lugar fantástico, que eu nunca imaginei que iria. E foi assim, entre uma espera que durou 12 horas e um voo tenso e sacudido no meio da tempestade da madrugada chinesa, que percebi que minha ansiedade estava se despedindo, de vez. No meio de chineses que espirravam, vomitavam e jantavam ( tudo ao mesmo tempo…sim, é possível ), da poltrona do avião, percebi que se não temos a menor chance de controlar o dia seguinte (na China, nem o minuto seguinte), então para quer se dar ao trabalho? Deixei o pau quebrar e fui feliz assim.

E por isso, na minha viagem pelo Oriente eu me descobri de novo e me impressionei com o que vi. A menina aventureira que bota a mochila nas costas e pula rumo ao desconhecido ainda está aqui, mas agora ela quer comer melhor e dormir bem, se tiver essa opção. Ela respeita mais os outros, ela não enxerga mais nada em preto e branco, evitar julgar e colocar nomes, pois ela não vê um muro alto entre capitalismo e comunismo, ela não se sente só, mesmo quando está só. Mas em essência, ela continua a mesma, de um jeito curioso. Foi nessa viagem, em um momento difícil, que ela voltou lá atrás, viajou no tempo e conversou com a menina que um dia foi para a Grécia, com muito pouco ou quase nada na mochila. Uma olhou para a outra e elas sorriram. Finalmente não se estranharam, se entenderam, se respeitaram. E, felizmente, elas se perdoaram. E em um último instante antes da despedida, admiraram seus feitos e desejaram boa sorte no caminho que viria a seguir.

Nada seria o mesmo depois daquele momento, mas quem aí que quer mais do mesmo em suas vidas? Eu não. Quero viver mais de tudo, de tudo que ainda não vi, não entendi, não desvendei. Então, é isso aí, agradeço pela chance de ter me sentido desconfortavelmente quadrada no Oriente….Quadrada e deslocada, até que me arredondasse e me adaptasse, mais uma vez.

Bem, é hora de colocar as ideias e a casa em ordem, emagrecer os quilos novos que a comida gordurosa trouxe, baixar as fotos, clarear as experiências. Hora de sentar e escrever o próximo livro. Os personagens novos (e os conhecidos) já não me deixam mais dormir a noite e estão loucos para serem ouvidos então é hora de por a mão na masa. Tem muito mais aqui dentro para buscar a luz e, adivinhem…eu estou pronta. É hora de botar a bola para rolar. E de me virar, afinal, eu não sou mesmo quadrada, nem aqui e nem na China!

Paciência, leitores, que posts informativos virão por aí. Desejo um excelente final de semana para vocês e claro, que encontrem todo tipo de aventura que puderem pela frente 😉 bjs

China lulu no pais das maravilhas Deserto de Dubai lulu no pais das maravilhas Dubai lulu no pais das maravilhas China lulu no pais das maravilhas Dubai Jumeirah lulu no pais das maravilhas Abu Dhabi mesquita lulu no pais das maravilhas China lulu no pais das maravilhas Dubai Burj Khalifa lulu no pais das maravilhas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *