O silêncio (quase enloquecedor) de Zurich e uma constatação: loucos somos nós, em São Paulo!

Vocês que me acompanham sabem que o meu blog é pessoal e sincero. Eu não faço rodeios e nem solto conversinhas só para ficar bem e seguir a onda de todo mundo. Então lá vai uma grande bomba: eu achei que iria enlouquecer depois de 24 horas em Zurich! O lugar é quieto demais, vocês não têm ideia! Até a muvuca é silenciosa na Suíça!

E fiquei indignada com este meu incômodo (viu como eu sou crítica comigo mesmo? kkk). Eu, que aprecio tanto a qualidade de vida e a tranquilidade fiquei incomodada com paz e silêncio? (Não pode ser, afinal o que eu quero da minha vidaaaaaaa?! kkkkk) Então, me pus a ler sobre a cidade, a cultura, a história. E quero ser justa: Zurich é uma cidade linda e muito bem cuidada e 50% do seu território é natureza. O lago, as florestas, o verde e o amarelo do outono estão presentes em todos os lados! O ar é puro, as pessoas são educadíssimas e tudo funciona conforme o horário planejado. O ônibus sai da estação na hora marcada e chega um minuto antes do programado no destino. O tio Google te dá a noção exata de quantos minutos você chega em qualquer lugar, mesmo que tenha que usar 3 meios de transportes diferentes. Ai, que paz, que tranquilidade! Tudo funciona na Suíça!

E tem mais: lojas de chocolates, preztels e relógios para todos os lados. Mas se é só isso que você espera da Suíça, prepare-se para se surpreender porque Zurich é uma das cidades que mais bomba culturalmente no mundo. Festivais durante todo o ano e uma agenda cultural de impressionar qualquer um 😉 Espetáculos de ópera que terminam em festas eletrônicas, cinemas a céu aberto em parques, um bairro inteiro com lojas e restaurantes montados com containers reciclados, arte e natureza para todo lado, toboágua de criancinhas no lago (tá? porque o lago é limpíssimo, minha gente). Ah, e as criancinhas são mega educadas também. Que mais você quer?

Barulho, confusão, medo, risco de vida, assaltos! Brasileiro é chegado aos bafafás!!!! Pessoas brigando na rua, vendedores ambulantes, gente correndo para pegar o busão, maluco surfando no metrô, arrastão na praiaaaaaaaaaaa! Que nada, leitores, a vida aqui é muito pacata, sabe? Muito boa, muito segura, tão tranquila que dá até um tédio. Vocês acreditam que eu tive coragem de falar isso no primeiro dia?

Fiquei louca ou o que? Fiquei louca. Morar no Brasil e ainda mais em São Paulo faz isso com as pessoas. Não temos tempo para nada e não sabemos esperar nada, vivemos correndo sei lá do que, dormimos e acordamos com medo da nossa sombra, perdemos a noção de que o resto do mundo não é assim. O medo nos ronda diariamente. Medo de sermos demitidos, de sermos roubados, do pais quebrar, do dólar bater 10, do papa ser assassinado, do feijão que tem larva de chagas, das novas modalidades de criminalidade, dos PMs, dos políticos, dos bebês que choram nas caçambas, dos sequestros novos e dos antigos também, das manifestações, dos presos, dos soltos, do glúten e até da lactose!!!! E sei lá mais do que! 🙁 Vivemos em um pânico, um manicômio e o fato de eu estranhar a tranqüilidade da Suíça foi altamente assustador. A melhor qualidade de vida do mundo e eu não tinha percebido isso de cara. Whaaaaaaat?

Cuidado, leitores, muito cuidado. Estamos ficando doentes e loucos. Bem, eu estava louca até que dei uma respirada no ar puro de Zurich e não senti o fedor das manhãs de São Paulo (e achei isso muito bom, ar puro, cheiro de chuva, de terra molhada). Eu estava estressada mas então andei na rua a noite e peguei o metrô e não tive medo de ninguém, não quis olhar para trás. Eu estava ansiosa, mas aí eu acordei do pesadelo que é viver uma vida com medo e com tamanho stress. Ou será que isso aqui é um sonho? E vou acordar quando voltar para São Paulo? Nãaaaaaaaaaaao!

O silêncio e a tranquilidade da Suíça me fizeram atentar para uma coisa desesperadora: nós perdemos a noção da normalidade. Tá, mas isso eu já sabia. E além disso, nós perdemos a habilidade de apreciar a normalidade. E isso é uma merda.

Do mesmo modo que choquei quando vi a riqueza incalculável de Dubai, escandalizei com a loucura cultural da China e me exauri com a intensidade de tudo que acontece na Grécia, eu me entediei com a tranquilidade da vida na Suíça. Nunca pensei que isso seria possível, mas aconteceu no primeiro dia de viagem. O melhor é que agora já estou mais adaptada com a dinâmica relaxante do país e posso aproveitar meus dias sem controlar o relógio, sem tomar banho correndo, sem esperar o “joinha” do segurança da portaria para entrar no prédio. Posso ser um ser humano que caminha no ritmo do batimento do coração, posso ficar calada o quanto eu quiser só apreciando os cisnes se remexendo na beira do lago. Posso enfim apreciar as coisas mais simples e belas do universo: a vida acontecendo ao meu redor e não apenas pela tela do meu pc ou Iphone. Afinal, não estou trancada dentro de quatro paredes porque me toquei que lá fora o mundo parece ser muito mais legal!

E se você não tem a chance de voar até a Suíça para respirar um pouco de vida tranquila, nada de desespero. Vá até o parque perto de casa, nem que seja por meia hora, coloque uma música boa e dance no meio da sala, tire um final de semana para conhecer um lugar diferente na sua cidade, voe para uma cidade que você sempre quis conhecer. Se você nunca se der ao luxo de parar para viver a sua vida, vai correr o risco de chegar lá na frente com aquela imensa sensação sufocante de que não viveu nada. É o vazio. De que correu tanto que não viveu, que trabalhou tanto que adoeceu. Ei, isso não parece nada bom mas é o que ouvimos diariamente ao nosso redor, não é mesmo? E já está passando da hora de pararmos de achar que é normal ir na terapia duas vezes na semana, tomar remédio para dormir e vitamina para acordar, viver de remédios que controlam ansiedade, controlar de perto cistos que podem virar tumores…. Eu quero viver em um lugar sem angústia esmagando o peito (o meu e de todos ao meu redor!)  #prontofalei

Vai, muda, faz alguma coisa para mudar. Um passo de cada vez, um degrau por mês, mesmo sem ver a escada toda. A vida nada mais é do que a somatória daquilo que fazemos diariamente, certo? Eu penso assim e me animo (!) porque isso é bom, temos novas chances todos os dias. Mas o que fazemos com elas é o grande desafio. 😉 Ah, e boa sorte para nós! Precisamos de toda a sorte do mundo 🙂

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2 comentários sobre “O silêncio (quase enloquecedor) de Zurich e uma constatação: loucos somos nós, em São Paulo!

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