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Giro pelo mundo,  Viagem,  Viagens

Para aqueles que acham que quem viaja muito não trabalha muito!

Recentemente, me vi bombardeada por perguntas que, volta e meia, são direcionadas a minha pessoa. E receio que não será a última vez que isso acontece assim como não foi a primeira. E espero (realmente e honestamente) que as pessoas continuem perguntando para o resto da minha vida, porque eu não consigo visualizar uma súbita mudança pré-planejada no meu lifestyle – Graças a Deus. Mas eu aceitarei de bom grado quando ela chegar, se ela chegar. Até lá, perguntem, por favor, sintam-se livres para perguntar a vontade!

Afinal: por que eu viajo tanto? Como eu consigo me programar para ter tempo e grana suficiente? Eu devo ser milionária e não trabalhar, certo? Não. Mas a resposta é bem mais complicada que apenas essa negativa curta.

Vamos começar do começo. Eu trabalho sim e muito, atualmente com milhões de projetos ao mesmo tempo que envolvem o blog e o meu primeiro livro, mas também passam por lojas virtuais, parcerias com organização de casamento, produtos para casamento, mídias sociais, etc. Ao todo são 3 blogs, 4 pages no face  (nem todas atualizadas), organização de 4 sites, um livro de mais de 500 páginas e o segundo já no começo, sem contar a linha da história dos outros 2 – são 4 ao todo. Sim, eu trabalho bastante, até quando acordo no meio da noite, eu sento no pc para escrever. Minha jornada ultrapassa 12 horas diárias todos os dias. Quando vou no cinema no final de semana, eu saio para fazer anotações no caderninho da bolsa (e até mesmo quando estou em situações tristes, como aconteceu em um velório recentemente).

É, eu acho complicado explicar para as pessoas sobre o meu trabalho, mas seria imensamente mais difícil me convencer a fazer outra coisa. Cada pessoa é de um jeito, tem um talento e se somos feliz assim, temos que respeitar nossas escolhas (mesmo e apesar das opiniões dos outros). Eu não fui sempre assim, é bom você saber. Eu já trabalhei em empresa, já tive loja e comércio é um trampo sem final de semana (e com muito stress). E ainda assim, eu viajava bastante. E no começo, me orgulhava quando as pessoas me mandavam email do tipo “aonde você está morando?” ou quando me viam na rua e se assustavam “pensei que você estava em alguma ilha grega!”. Naqueles dias, eu já vivia na labuta insana para bancar as minhas viagens, trabalhava em 3 empregos ao mesmo tempo, vendia tudo que era coisa nas lojas de shopping e quando estava no exterior, me virava em todo tipo de trabalho que aparecia. Aliás, que eu corria atrás. Era assim que eu viajava quando tinha 20 anos. Belo aprendizado, preconceito zero, quebra de paradigmas e liberdade plena, permeado por sufocos de todo tipo. Se pudesse voltar lá atrás, adivinha? Faria do mesmo jeito.

Aí, eu cresci um pouquinho. Ganhei experiência e abri minha primeira loja fora do Brasil. Depois, a segunda, em Belo Horizonte. E a ideia de trazer o mundo para o meu mundo, continuou existindo. Viagens para Argentina e Grécia eram frequentes e então veio a vontade de fazer negócios com a Turquia, abrir os mares, expandir os horizontes. Eu tentei crescer até onde deu, mas as vezes o sonho é realmente muito maior do que a gente. E nesses casos, a dor da decepção ainda vale a pena: saímos maiores e mais fortes do que entramos.

Cheguei em um ponto que não conhecia ninguém que viajava mais do que eu, digo, viagens para lugares que estão a mais de 12 horas de voo de Guarulhos. As pessoas me olhavam sem entender exatamente o que eu fazia da minha vida. Era um olhar que escondia um misto de pena com curiosidade. Eu sorria de volta, como quem sugere que sabe exatamente o que está fazendo. “Mas será que sabe mesmo?”, eu conseguia ler na cara das pessoas. Eu perdi a festa de formatura de Medicina da minha prima, casamentos de várias amigas super próximas e até o enterro do meu avô paterno. E ao contrário do que muitos pensam, de longe é tudo mais sofrido e solitário ainda.

Enquanto as pessoas viviam suas vidas tranquilamente no Brasil, indo a bares todos os finais de semana, frequentando camarotes de shows e comprando carros do ano, eu estava em algum canto do mundo trabalhando insanamente em algum café, sendo xingada em grego. Eu lembro que, quando era garçonete, atendia casais do mundo todo no pequeno porto de Pitagório, na ilha de Samos. Eu era obcecada pelo valor final da conta, ficava tentando adivinhar quanto daria, porque o valor era sempre superior ao que eu iria receber no final do dia. O meu salário era uma merreca, mas dentro de mim eu sabia que aquilo era apenas um degrau da minha escada, apenas parte do caminho que eu estava começando a trilhar. Eu tinha certeza de que um dia eu iria sentar lá com o meu amor e pedir quantos drinks quisesse. E pagaria quantos euros fosse, eu esmagaria aquele maldito café com a minha carteira….um dia (!!).

Brincadeiras a parte, é claro que eu queria “crescer na vida”, mas eu tinha escolhido um caminho diferente, para uma vida diferente. Então eu recebia emails dos amigos de casa que enviavam fotos de uma vida mais fácil e tranquila, que, de um jeito estranho não parecia me pertencer, enquanto eu contava meu míseros 25 euros do dia. Será que um dia eu voltaria para aquela vida?, me perguntava enquanto conferia a gorjeta pão dura do dia.  Ou ainda quando eu estava colocando meu orgulho de lado para entrar atrás do balcão e montar bebidas para os insistentes bêbados de pub. Ou mesmo quando eu estava dobrando e encaixotando uma quantidade inacreditável de roupa, em algum escritório no meio do bairro religioso de Istambul. Eu certamente naquelas noites estava dormindo em quartos compartilhados de hostel ou kitnets simples, talvez mesmo no sofá do escritório. Ainda assim, eu estava livre.

E então, quando voltei para o Brasil –  mais uma vez  – e me senti a pessoa mais estranha em BH, conheci o meu marido. Inacreditavelmente, ele estava em BH, depois de ter chegado de Buenos Aires apenas dois dias atrás. Na sequência, ele já ia para a Suíça, na volta teria uma semana em São Paulo, antes de ir para o nordeste com os pais. E nos 60 minutos que tivemos no mesmo recinto, falamos de aventuras de todos os cantos do mundo. E bem no meio de histórias sobre mergulhos assustadores com golfinhos e tubarões, de festivais de música distantes, de passeios de barco em mares agitados, ele me convidou para passear de balão na Capadócia, em Barcelona. Ou em Itu.

Eu aceitei o convite. E naquela única janela de tempo de uma semana que ele teria no Brasil, ele veio de São Paulo me ver mais uma vez em BH. E então foi para o nordeste e eu fui para Búzios. A saudade foi muita e então eu corri de Búzios para São Paulo, em insanas 12 horas de ônibus no dia mais cheio do ano, 2 de janeiro. E aqui estamos: em quase dois anos de casados, já fizemos uma road trip completa pela Itália, fomos ver a família em Vila Velha e Campos do Jordão, fomos descansar em Jeri, Fortaleza, fizemos mil lugares na Grécia e Turquia no nosso casamento, Porto de Galinhas, Olinda e Recife, China, Dubai, Abu Dhabi. E nesse pequeno intervalo, ele foi sozinho mais algumas vezes para Buenos Aires, Zurich e Londres. Eu fui para Atenas, Santorini e BH. Em apenas dois anos. E sim, trabalhamos como nunca nesses 24 meses.

Calculo que cada hora viajada em um barco, avião ou ônibus valeu a pena para mim. Viajar faz parte da minha vida e é muito difícil ser diferente. Sinto saudade de todos os amigos que deixo espalhados pelo mundo, sinto que se eu pudesse ser duas, eu teria ido naquele casamento ou naquele enterro. Não teria perdido tantos aniversários, dias das mães, dos pais, natais. Ou então, eu controlaria a agenda do universo para que eu pudesse estar presente em todos esses lugares, nos intervalos certos, nas datas certas. Mas enfim, não é assim que as coisas acontecem e eu sou livre e escolho continuamente ser livre. Os meus amigos e família que me amam sabem que ser uma estrada é difícil, mas que para mim, não ser uma estrada seria impossível.

Ah, importante. vou viajar em breve de novo. Ops e talvez uma outra vez. Mas continuo sem carro 😉 Tem algo sobre o jeito que eu escolhi para viver minha vida que algumas pessoas nunca vão entender, mas isso é OK, porque somos diferentes. Eu sempre vou estar indo ou voltando de algum lugar, esta sou eu, muito prazer. Sugiro que você faça a sua escolha e liberte-se. E quem sabe nos encontraremos em algum canto entre céu e terra, com ou sem carro, viajando ou em casa? Seja feliz, a sua maneira, a sua escolha. Ou continue se torturando achando que “poder e querer são coisas bem diferentes”, como afirmou alguém que certamente não tinha fé suficiente pra ir para longe da sua toca.

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Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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