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Porque eu prefiro pixels a caracteres

Se você chegou até aqui provavelmente passou pelo Google ou pelo Facebook, então pressuponho que você conhece, já ouviu falar ou até mesmo seja o orgulhoso dono de uma conta do Twitter. Afinal, todas as redes sociais são praticamente irmãs siamesas e basta um clique no botão certo para tudo que você posta em um canto seja replicado para todos os outros. Não é que eu não goste do passarinho azul mais acessado do mundo. Não é que me falte coisas para falar 24 horas por dia, meu marido que o diga. É que eu realmente gosto de ler em profundidade e acima de tudo, o que tenho a dizer normalmente ocupa mais do que 140 caracteres.

Na verdade, nunca entendi muito bem o que ganhamos escrevendo ou ainda pior, lendo, pérolas da literatura como “partiu self-service”, que é mais ou menos o jeito “mineiro” de dizer que o dono daquela conta está indo almoçar. Parece um tanto quanto irrelevante, mas de fato ainda consigo ver algo de positivo aí: pelo menos o indivíduo está se expressando. Ainda parecemos estar muito aquém do desejado em termos de conteúdo, mas pelo menos o primeiro passo foi dado. E usando a boa sabedoria de rua grega, eu digo: Sigá, sigá, que significa devagar, devagar. (olha só, isso eu poderia ter postado quando abri uma conta no Twitter!).

Também devemos citar que tem muita gente brilhante por aí, que escreve coisas legais e interessantes, tenho certeza disso, mas na minha observação estes não são maioria. Sem contar que o mais legal da rede social, ao meu ver, é a tal interação tão falada (e cobiçada pelas empresas) que só é possível quando se está disposto a dar e receber e no meu caso, assumo minha extrema inabilidade em criar frases curtas legais e de efeito. Assim, nada ou muito pouco teria a acrescentar ao mundo do Twitter.

Dito isso, explico por que gosto tanto do Instagram. Para todo lado que eu olho, eu vejo poesia. Sou uma daquelas pessoas que adora postar foto e às vezes nem consigo achar uma legenda útil, já que a foto em si explica com perfeição mais do que eu poderia inutilmente tentar explicar. Sabe aquele momento espetacular que você provavelmente presenciou um dia, no qual o sol nasceu em algum canto esquecido do mundo e aquela beleza sutil te emociona e arrepia mesmo quando de passagem pela sua mente? Uma imagem como essa é o tipo de coisa que eu acho digna de ser compartilhada e que me motiva a estar em uma rede como o Instagram. E quando descubro que o gordinho chorão da época da escola virou o cara mais aventureiro do mundo e está escalando montanhas no meio de uma nevasca? Sensacional. Tem gente que quer viajar só para ter conteúdo para postar no Instagram.  E assim, ficamos vidrados à procura das imagens perfeitas, lindas e performáticas.

Seja lugares legais, mulheres malhadas, boa gastronomia (ou comida light), pugs ou bulldogs fantasiados, crianças enfeitadas, looks do dia, todo mundo gosta de ver o belo. A imagem vale mil palavras. E em um mundo onde as pessoas se esforçam para falar ou ler meros 140 caracteres, a imagem pode mexer lá dentro, iluminar cantos escuros e trazer lágrimas à superfície em frações de segundo. Ah, eu sou uma grande entusiasta do Instagram.

Outro dia, no entanto, um acontecimento no mundo de filtros cor-de-rosa me deixou perplexa. Uma das blogueiras de moda que eu mais gosto de seguir, uma fofa super fashion lá de Minas (salve-salve!), postou uma foto sem make e fazendo careta seguido de um texto-desabafo sobre os comentários que as pessoas estavam escrevendo abaixo de suas fotos. Fiquei chocada de perceber a maldade explícita naquilo ali: pessoas que investem seu tempo em criticar seres humanos na frente de um público virtual, humilhando-as e derrubando qualquer muro de auto-estima que se possa ter. Escondidas embaixo da premissa de que as blogueiras e todas as pessoas que se expõem têm que estar dispostas a ouvir desaforos (o que eu discordo com firmeza), estas corajosas e incentivadoras da opinião pública normalmente não postam nada em suas contas ou tem suas fotos privadas.

Interessante ver como as pessoas continuam sentando em seu rabo para falar do rabo alheio, só que agora no mundo digital. É muito fácil falar da boca de fulana e da barriga de beltrana quando não se tem uma foto publicada que possa ser levada a júri. Será que sua boca é tão perfeita assim? E mesmo se for, será que realmente temos que sair cuspindo nossas opiniões negativas nas pessoas ao redor? Sei lá, acho que não. As vezes me parece que continuamos os mesmos “bananas virtuais” que entravam nos sites de bate-papo nos anos 90 com nomes sensuais e informações inventadas, só que agora estamos mais bem equipados, as camadas de nossas máscaras são múltiplas e nos tornamos quase inacessíveis.

Ainda assim, elas hão de cair um dia. Pois toda a minha empolgação em relação ao Instagram tomar o espaço do Twitter é basicamente fundada pelo fato de que o Instagram tira o poder e a atenção daqueles que só falam MUITO mas não fazem NADA. A rede social de imagens praticamente exclui uma parcela da população virtual que não passa de telespectadores e comentaristas da vida, que só estão ali para fuçar a vida alheia ou para participar de promoções. Afinal, você não pode postar nada a não ser que saia de casa ou pelo menos se movimente na sua casa assim, esta rede social implora ou quase que impõe ação. E é isso que mais gosto nela.

A vida é para ser vivida agora, no momento real. Se vamos voltar um dia, quando ou como, não muda o fato de que devemos ir lá fora e fazer o nosso melhor hoje. E se podemos usar toda a nossa domesticada evolução tecnológica, que seja para o bem, para ampliar os horizontes, para espalhar a prosperidade, para passar uma mensagem de amor. E que elas sejam vistas e sentidas embaixo de todos as edições e filtros, afinal a beleza há de estar no observador e não no objeto.  Que usemos o Instagram para multiplicar a poesia que vemos ao nosso redor.

Faça do mundo um lugar mais bonito. Não deixe para a próxima encarnação.

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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