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Prólogo do meu livro Memórias de uma Noiva de Santorini – Parte 1

CAPA Memorias de uma Soiva de Santorini Parte I
“Às vezes, cair não é o bastante. É preciso se esfolar inteiro, até que não haja mais espaço para aquele tipo de comportamento. É preciso se arrepender várias vezes seguidas, até que a mudança seja a única chance de se olhar no espelho novamente. Eu demorei a entender isso, mas eventualmente sabia que iria aprender com os meus erros. E eles estavam sempre, e inevitavelmente, atrelados aos homens – passionais, fortes, confusos, e mais guiados pelo prazer do que eu poderia aguentar. Ou eu ainda era mais intensa e perdida do que eles? Não, eu era uma pessoa sensata, pelo menos antes de tudo acontecer. Eu era uma boa alma, até que um par de olhos azuis profundos chegou e sacudiu o meu mundo como um furacão, e levou tudo de mais puro que havia. Então eu mudei, não por amor, mas por dor. Pela sobrevivência. E só então pude entender que todos são bons, até que algum mal lhes acometa, mas poucos continuarão nobres depois da queda. A dor? Esta nem sempre vai cobrir o valor do que se viveu, mas não se pode parar o ônibus e pedir para descer. Afinal, em última instância, viver é sofrer uma noite após a outra. Eu sei que eventualmente teria de seguir o meu caminho e crescer, mas a jornada foi a mais emocionante roleta-russa que uma mulher poderia desejar em seus sonhos proibidos. É disso que me lembro. Das memórias indiscretas de uma noiva de Santorini, aquelas coisas que eu fazia quando não tinha tanta vergonha de ser quem eu era. Senti na pele todos os prazeres e todas as lágrimas que cercam a vida afetiva e profissional de qualquer mulher,porque ser uma mulher no mundo é uma tarefa árdua e complicada. As ilhas gregas e suas casinhas brancas, as festas liberais nas praias, onde tudo é prazer voyeurístico, os olhos dos homens que passaram por mim… Nada me conquista tanto quanto um olhar. Bastava um olhar poderoso e, naquele instante, eu já sabia que me renderia de novo, independentemente das promessas vazias de moralidade, e da necessidade de uma vida de paz.
Ah! E tinha os gregos. O charme inerente daquela língua dos deuses e o jeito que eles vivem a vida, que se deleitam no momento presente, sem nem pensar no ontem ou no amanhã. Era deliciosamente dramático e sofrido lidar com eles, mas ainda assim recalculo se a dor sempre valia a pena. Às vezes, da minha janela triste de São Paulo, eu queria voltar a ter tudo de pesado que aquela vida de ilha tinha, para poder viver novamente nas alturas da caldeira do vulcão. E também tinha o mar! Os grandes anéis de água do mediterrâneo verde, águas testemunhas de todos os pecados e crimes cometidos por uma fome jovem, que procurava a essência do amor a cada corpo que tocava. Pensei que os prédios, arranhadores de céus nublados, iriam me trazer alívio e calma, mas eu vivia com o cheiro do homem poderoso e proibido em meu corpo. Eu estava ciente de que misturar prazer e negócios era uma má ideia, mas não conseguia fazer diferente. Eu ainda continuava a mesma. Eu podia correr de um lado para o outro, mas meus erros eram mais rápidos do que as minhas pernas. Então, inesperadamente, me tornei uma mulher de verdade, embora tivesse continuado selvagem. Esta é a honesta história da minha caminhada. Crua, intensa, e muitas vezes questionável, mas ainda assim inspirada em fatos reais e pessoas reais. Os lugares citados existem, e nossas vidas se encontraram por lá, em algum canto entre o Céu e a Terra, na janela de brisa entre inverno e verão.
Respire fundo, abra espaço no peito, e deixe a tragédia grega começar. Mas não se esconda atrás da sabedoria ingrata dos filósofos, que garantem que a melhor das coisas é não nascer. Por mais estúpida e passageira que possa parecer, a vida deve ser repleta de amores gregos impossíveis, de céus nervosos de tempestade, e águas calmas de romance de verão. E isto é bom, porque vida boa é vida cheia, ainda que de altos e baixos, de erros e acertos. Lá do alto, Deus não espera que sejamos perfeitos, mas Ele só quer ver se vamos tentar fazer a coisa certa. Este é o circo constante da vida, e tudo há de se curvar diante da majestade absoluta do amor, embora eu tenha demorado uma eternidade para entender. É assim que tudo termina. É assim que tudo começa.”
Luana Sarantopoulos
Memorias de uma Noiva de Santorini Prologo

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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