morar ilha grega

Quer morar em uma ilha grega? Entenda a qualidade de vida “sigá sigá”

Escrito em colaboração com Rafael Martins 🙂 O Rafa da minha equipe da Casamento em Santorini.

Você que é leitor (a) fiel do meu blog já deve ter percebido que não me canso de exaltar esse país maravilhoso que é a Grécia. Por mais fácil que seja se apaixonar por essa terra onde a natureza de forma inspirada esculpiu cada metro quadrado do seu território, sempre descubro mais e mais razões para celebrar a vida nas ilhas gregas!

É possível que muitos de nós já pensou (pelo menos uma vez na vida) sobre “largar tudo e ir vender côco na praia”. A versão atual disso é criar uma opção de trabalho virtual e mudar para uma ilha…já imaginou?! Eu orgulhosamente trago minhas raízes gregas mas existem ainda outros pontos interessantes que nos fazem amar este país….e muito!

E o que tem na qualidade de vida das ilhas gregas que tanto nos interessa?

Claro que cada um tem suas preferências, mas quando estava pesquisando sobre a vida nas ilhas gregas, acabei por encontrar textos interessantes sobre locais onde o estilo de vida faz com que as pessoas vivam mais … e melhor.

Não é de se espantar que a qualidade de vida, o “siga, sigá”(devagar, devagar) que pode ser sentido sobretudo nas ilhas,  fez com que uma das regiões da Grécia fosse intitulada de “zona azul”. A Sardenha, na Itália, também faz parte deste grupo! E outros locais do mundo que possam te interessar…

Mas afinal, o que é ou o que são as zonas azuis?

As “zonas azuis” são áreas no mundo onde as pessoas vivem vidas consideravelmente mais longas. Nesses territórios podemos encontrar octogenários, nonagenários, centenários e até alguns supercentenários, pessoas que atingiram 110 anos.

O termo “zona azul” se originou pela primeira vez quando o epidemiologista italiano Gianni Pes e o demógrafo belga Michel Poulain estudavam as taxas de mortalidade na Sardenha. Ao marcar no mapa regiões de alta longevidade em azul, no início de 2000, eles encontraram indivíduos com uma expectativa de vida particularmente alta na província de Nuoro, na Sardenha. 

Apareceram quatro outras regiões, também chamadas de “zonas azuis”: Okinawa (Japão), Icaría (Grécia), Loma Linda (Califórnia) e a Península de Nicoya (Costa Rica).

Mas o que esses lugares têm em comum e por que há uma alta incidência de centenários?

É preciso analisar de perto a dieta, ou seja, a alimentação diária nessas regiões. Especialmente no passado, muitas pessoas nas zonas azuis tendiam a comer com moderação. As dietas nas zonas azuis são principalmente à base de vegetais, o que pode contribuir para uma saúde cardíaca melhor. Carboidratos são bem vindos (quem conhece a culinária grega e italiana já deve ter percebido isso) e o consumo de proteínas é mais baixo do que você imagina.

Quando se trata de elementos específicos na dieta, por exemplo, é interessante notar que na ilha grega de Icaría, a população costuma beber algumas xícaras de chá e café por dia, o que parece estar associado à redução das doenças cardiovasculares na região. Quem já foi para a Grécia sabe muito bem a importância do café e da pausa para o café!

O café grego, levemente torrado e de moagem fina, fervido e preparado em um briki, é considerado particularmente bom para o corpo. Especialistas continuam a estudar como essa alimentação mais natural e equilibrada pode servir de guia para melhorar a qualidade de vida em outros locais.

Mas além dos hábitos alimentares, existem outros fatores que devem ser levados em consideração quando se fala de uma vida longa e saudável: a vida social vivida por esses centenários é de igual importância.

As pessoas nas zonas azuis tendem a viver em comunidades altamente integradas.

Hoje em dia é bem aceito que um senso de conexão social ajude a reduzir os efeitos do estresse, enquanto a responsabilidade de manter esses relacionamentos incentiva uma maior atividade física e mental de forma geral.

Ou seja, ter um ciclo de amizades pode ser muito positivo. E se locomover (andar, pedalar) para encontrar seus amigos é muito bom para a saúde. Encontrar a família, almoçar e jantar na mesa com seus familiares, conversar sobre assuntos variados (pais e filhos, avôs e netos) faz com que a “cabeça continue funcionando bem”. Se você nasceu nos anos 80, deve ter memórias de cenas do cotidiano deste tipo. Tenho a sorte de dizer que eu tenho.

Agora, no mundo atual, desconectar do iPhone parece missão impossível, a vida virtual tomou uma importância gigantesca e sentar em uma mesa na qual as pessoas conversam (afinal, quem larga a p**** do telefone hoje em dia?) é uma raridade. Mas se continuarmos assim, vamos viver pouco e não vamos viver com muita qualidade.

Para quem quiser viver melhor por toda a jornada, aí vem a boa nova:

Uma equipe formada por diversos especialistas (médicos, antropólogos, demógrafos, nutricionistas, epidemiologistas) e liderada pelo próprio Dan Buettner, viajou várias vezes para diferentes zonas azuis. Eles identificaram nove fatores gerais de longevidade, que estão relacionados à dieta e estilo de vida:

  1. Fazer atividade física intensa e regular no desempenho das tarefas diárias. O sedentarismo é um conceito desconhecido para as pessoas que vivem nessas regiões.
  2. Ter um “ikigai”, palavra japonesa (Okinawa), costumava referir-se aos “motivos de ser” ou, mais precisamente, aos motivos pelos quais nos levantamos todas as manhãs.
  3. Reduzir o estresse, pois ele está diretamente ligado a quase todas as doenças relacionadas ao envelhecimento. Reduzir o estresse significa interromper o ritmo normal de nossa rotina para dar lugar a outras atividades que fazem parte dos hábitos sociais normais.
  4. “Hara hachi bu”, um preceito confucionista que significa que devemos comer até estarmos “quase” satisfeitos, apenas até 80% de nossa capacidade.
  5. Priorizar uma dieta rica em frutas, verduras e legumes. Carne, peixe e laticínios podem ser consumidos, mas em quantidades menores.
  6. Consumir moderadamente bebidas alcoólicas, confirmando a crença de que os bebedores moderados vivem mais do que os não bebedores.
  7. Participar de grupos sociais que promovam hábitos saudáveis.
  8. Participar de comunidades religiosas com práticas sociais.
  9. Construir e manter vínculos entre os membros da própria família: pais, irmãos, avós e outros.

Sei que nos dias de hoje, ainda mais para quem vive nas grandes cidade, é cada vez mais difícil desacelerar. Mas já existe um grupo de pessoas que tenta viver um estilo de vida “slow pace” e já existe uma apreciação por “slow food”. Em 2020, mas do que nunca, vi pessoas falando de “staycation”, também vi pessoas viajando para lugares remotos, outros optando por camping and glàmpíng, muitos colocando em prática a tão sonhada mudança para FORA da cidade. Não é fácil, mas com certeza é possível mudar os hábitos alimentares, praticar atividade física, tirar mais sonecas e viver com mais atenção no presente.

Apesar das minhas responsabilidades como empresária do segmento de destination wedding (ainda mais em 2020!) e da necessidade constante de uma agenda bem montada com muitas viagens entre Amsterdam e Santorini, encontro-me em um momento de busca por equilíbrio.

O grande ponto não é viver mais – é viver uma vida longa saudável e com uma excelente qualidade de vida. Então faço um convite: vamos acordar cedo e tomar nosso café. Vamos comer frutas, conversar com a família e amigos, caminhar até o mercado. Vamos almoçar uma massa, tirar um cochilo depois do almoço, vamos rir das nossas limitações e tomar uma taça de vinho para celebrar o dia.

E ir para a cama mais cedo. Se tiver interesse de ver mais sobre este assunto, recomendo o Down to Earth, episódio na Sardenha. Beijos e ótimo final de semana!