O que vestir no inverno na Grécia: 10 dicas e looks!

Queridos leitores!

Como estou em mais uma viagem maravilhosa pela Grécia e muitos de vocês pediram dicas do que vestir no inverno na Grécia, criei este post para vocês fazerem suas malas sem quebrar a cabeça 🙂

O que vestir na Grécia no inverno!

Muitos de vocês sabem que a Grécia é um destino incrível para o verão (ainda mais as ilhas gregas!) mas a Grécia também é muito linda no inverno. É importante saber o que esperar dessa viagem, então se você acha que vai tirar aquela foto na piscina de borda infinita, comece por este post sobre Santorini no Inverno: o que você precisa saber.

Saiba sobre as temperaturas no inverno na Grécia:

Antes de mais nada, saiba que no inverno na Grécia, as temperaturas variam de 0 a 15 graus Celsius. A média tende a ser 10 graus nos meses do inverno (médias para Atenas) e é claro que no norte é muuuuito mais frio e que nas ilhas o tempo é maluco e imprevisível. No micro clima das ilhas, a única coisa que nunca falha é o vento gelado. Como eu não sou profeta nem mulher do tempo, a melhor coisa é conferir as temperaturas próximas ao local e data de viagem em sites, como este aqui:

http://www.holiday-weather.com/athens/averages/#chart-head-temperature 

E em muitos anos de viagens no inverno da Grécia, já peguei semanas bem quentes com sol, céu azul e até 18-20 graus como também já presenciei frentes frias que levam a sensação térmica para -3. Então, é um pouco difícil de ter certeza do que vai ser, mas organizei tudo de importante e útil que aprendi nessas viagens para compartilhar aqui. Espero que ajude 🙂

10 dicas sobre o que vestir no inverno na Grécia:

1) Antes de mais nada, prepare-se para o longo voo até a Grécia. Lembre-se que no Brasil é verão enquanto na Grécia é inverno e a pior coisa é já chegar no país morrendo de frio. Como o ar condicionado da maioria dos aeroportos funciona e o ar dos aviões é gelado, meu conselho é viajar já com calça comprida, blusa de frio e casaco grosso na mão. Eu ainda levo na bolsa de bordo alguns itens que podem me salvar mas que dependem do seu nível de frio (meia calça, meia térmica, gola de lã, cachecol, mais uma blusa de frio, uma camiseta para colocar por baixo e por aí vai….)

Esta e todas as fotos deste post são do meu Instagram – e aproveito para fazer o convite: vem comigo pelo mundo no @luana_sarantopoulos 😉

O que vestir no inverno na Grécia (5)
O que vestir no inverno na Grécia – Look para viajar para a Grécia

2) Leve um casacão que você ame. Ele pode ser super básico ou super diferentão, o importante é usar algo que te deixe sempre protegida do frio na medida que você sente que é confortável. É bom que ele seja “larguinho” assim você pode colocar camadas de roupa embaixo, em caso de frio extremo (veja a dica número 3, mas antes a foto do look do meu casaco “básico” – já postei muitas fotos com ele!)

O que vestir no inverno na Grécia (2)
O que vestir no inverno na Grécia – Delfos, Grécia

3) Aprenda a usar camadas de roupas. Muita gente que mora em lugar frio ou viaja sempre para locais onde os invernos são rigorosos (o da Grécia não é tão rigoroso) sabe que usar camadas é o segredo para não morrer de frio na rua nem de calor nos locais fechados. Segundo um amigo meu islândes, “não existe tempo ruim, apenas roupas ruins para aquele tempo”. Então, já monta a mala pensando: camisetinha + blusa de manga comprida + blusa de lã grossa + casaco grosso + gola de lã….e use a quantidade necessária para aquele dia.

Mais dicas sobre o que levar na mala para a Grécia aqui neste link.

 

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O que vestir no inverno na Grécia – Atenas, Grécia

 

4) Saiba que, em geral, o inverno na Grécia é agradável. Nem um pouco similar com Islândia, Reino Unido e outros locais que tem chuvas ou neve constantes, o inverno na Grécia tende a ser ameno, ainda mais se você for sortudo. Mas ainda assim, mesmo para um dia quente e com céu azul, é bom lembrar das camadas e ter sempre o casacão a mão.

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O que vestir no inverno na Grécia – Santorini

 

5) O dia pode estar lindo, mas o vento pode e deve estar gelado.  Vento é uma constante nas ilhas gregas, ainda mais nas ilhas gregas do mar egeu, como as famosas Santorini e Mykonos. Então, é melhor escolher as roupas para a viagem já sabendo que vai ter vento, aí não tem erro.

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O que vestir no inverno na Grécia – Santorini, Grécia

6) Tenha sempre opções de look total black. Não sei se vocês sabem que eu sou a perua assumida dos posts de looks 🙂 E no verão na Grécia gosto de usar muito branco e colorido e no inverno gosto muito de usar preto e cores sóbrias. Se você não se importa com isso, ok, seja feliz do seu jeitinho, e se você se importa saiba que um look completo com preças pretas é uma ótima pedida para o inverno na Grécia.

O que vestir no inverno na Grécia (10)
O que vestir no inverno na Grécia – Atenas, Grécia

7) Ah, leve a jaqueta de couro! Não importa se ela é nova ou antiga, colorida ou preta, se você tem uma jaqueta de couro prepare para usar ela em cima de todos os looks que você quiser no inverno da Grécia.

8) Aproveite para visitar a Acrópole de Atenas no inverno da Grécia. Lá de cima, um dos pontos mais altos da cidade, pode e deve estar mais frio e com um vento considerável então aproveite para levar e usar sua golã de lã ou cachecol.

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O que vestir no inverno na Grécia – Atenas, Grécia

 

9) Para os pés: botas de salto baixo e aquele tênis que você ama – de preferência aqueles que ficam confortáveis com meias de lã, porque pé gelado aumenta demais a sensação de frio. E leve também uma bota de salto alto para eventos bacanas ou para sair a noite.

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O que vestir no inverno na Grécia – Atenas, Grécia

10) Respeite seu estilo, SEMPRE. Eu adoro usar cinza e preto no inverno, mas também usei bastante jeans e rosê nessa última viagem. O melhor é ser feliz, gente, preciso nem falar, ne? 😉

Espero este post com minhas dicas do que vestir no inverno da Grécia tenha sido útil. Como de costume, quero desejar mais uma vez que vocês realizem o sonho de viajar para a Grécia! É um país maravilhoso que está de braços abertos para os viajantes brasileiros.

Venham!!! Mil beijos!

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O que vestir no inverno na Grécia – Santorini, Grécia

12 Blogueiras de moda GREGAS para você ficar de olho – Parte 2

Queridos leitores!

Hoje vou compartilhar com vocês alguns grandes nomes da blogosfera grega! Isso mesmo 🙂Este é post com os nomes e os links (sites e instagram) de algumas blogueiras de moda GREGAS – PARTE 2!

Se você não leu o post parte 1, acesse aqui: 12 Blogueiras de moda GREGAS para você ficar de olho – Parte 1

Muitos de vocês me mandam várias perguntas sobre a moda na Grécia e eu adoro pesquisar sobre streetstyle, tendências e o que a galera está usando nas ruas de Atenas e outras cidades gregas. E claro, sempre respondo por aqui dúvidas sobre  “o que vestir na Grécia” e o “que levar na mala para a Grécia” – aguardem pois uma versão de o que vestir na Grécia no inverno, vem aí!

E se você quiser dar uma olhada nos posts sobre o assunto, é só clicar nos links abaixo 😉 Ah, e tem vários vídeos da linha “o que levar na mala…” no meu canal do Youtube, clique aqui!

Post sobre: 10 looks para usar na viagem para a Grécia

Post sobre: O que vestir em um Casamento em Santorini

Post sobre: O que vestir nas praias de Santorini

blogueiras gregas (2)

E de tanto pesquisar na net e perguntar para minhas amigas gregas, acabei criando uma lista com o nome de algumas blogueiras de moda da Grécia que têm um material bem interessante! A lista é diversificada e cada uma tem seu estilo de vestir e de postar, então, dê uma espiada em todas e escolha suas favoritas!

(Vamos ao final da lista que começamos ontem!)

Despoina Isopoulou – You strike my fancy 

Adorei o estilo de postagem no blog, tem um pouco sobre beleza, art, viagens 😉 Ela é escritora da Vogue Grega e está super por dentro das tendências do mundo da moda. Looks legais para o dia a dia no Instagram dela

Rachel Owiti – ChicGlamStyle 

Nascida e crescida em Atenas, com os pais do Kênia, esta linda blogueira tem um gosto impecável! O site dela é cheio de dicas mega úteis, diários de viagens e fotos lindas e ela tem um Instagram super chic e cheio de ideias para desfilar chiquéeeerrima por aí!

Eleni Kostopoulou – Cloudline Chic Flows 

Ela vai em uma direção bem diferente de outras blogueiras, mas não menos interessante. Com um site ousado e conceitos descontruídos, é o local ideal para pesquisar fotos lindas e com um ar de novidade. O instagram está atualizado e cheio de ideias inovadoras!

Dena Tsalaga – Style Limelight 

Design de interiores, decoração, moda e tendência. Ou seja, tudo do bom e do melhor você vai encontrar no site da Dena. Com um instagram bem dinâmico e colorido, é uma das minhas favoritas (p.s. temos a mesma blusa! kkk)

Korina Vrousia – Type my style 

Com um site diferente e cheio de ideias de produtos legais, Korina é uma guru da moda que adoras as coisas boas da vida! Acompanhe suas viagens e aventuras pelo instagram.

Nancy Spathi – Nansoumou

O site da Nancy é pura inspiração: novidades da moda, tendências, produtos que ela curte e aquela astmosfera de moda de Atenas. Nascida para o instagram, ela tem um dos perfis mais legais para se acompanhar 🙂

Espero que tenham gostado das blogueiras gregas!! Beijos!!

blogueiras gregas (1)

 

 

Uma volta pela Acrópole de Atenas!

Queridos leitores,

continuo na minha viagem pela Grécia! 🙂 Depois de uma boa temporada pelas ilhas gregas, fiquei alguns dias em Atenas com a minha família grega e aproveitei para visitar a Acrópole de Atenas mais uma vez!

Acrópole de Atenas
Acrópole de Atenas

Faz mais de 10 anos que visitei a Acrópole pela primeira vez, mas a majestade de uma das construções mais belas do mundo sempre me encanta. Desta vez, estava com minha câmera, então tirei algumas fotos para compartilhar com vocês as belezas da Acrópole de Atenas, na Grécia!

Acrópole de Atenas Grécia
Acrópole de Atenas
Acrópole de Atenas Grécia
Acrópole de Atenas

Estou cheia de novidades, dicas de viagem e informações fresquinhas sobre Atenas e ilhas gregas, mas como ainda estou com o pé na estrada, quero agradecer o carinho e as mensagens de todos e convidar para me acompanharem ao vivo no meu facebook pessoalLuana Sarantopoulos Bergamaschi e no meu instagram luana_sarantopoulos. Tem post e fotos novas todo dia por lá – dá pra acompanhar em tempo real!😉

E se você tem interesse em Casamento em Santorini, atenção! Estou acompanhando a temporada de casamentos que organizei de brasileiras em Santorini – fiquem ligados nas pages do face:

Casamento em Santorini * Noiva de Santorini * Santorini Grécia *

E claro, aproveite para acompanhar a página do blog! Lulu no País das Maravilhas         

Mil beijos!! Para ver mais fotos clique aqui!

Acrópole de Atenas Grécia
Acrópole de Atenas

Vídeo: Lá vou eu arrumar mala para as ilhas gregas (de novo…uhu!)

Em menos de 24 horas já estarei na sala de embarque de Guarulhos, esperando meu voo para Atenas, uhuuu!

É isso mesmo, estou indo para a Grécia mais uma vez este ano, animadíssima para pegar o melhor do verão europeu nas ilhas gregas e Atenas. Esta viagem será mais uma memorável: depois de casar em Santorini ano passado, este ano estarei lá com um time top para filmar o book trailer do meu primeiro livro. Assim, serão 7 dias de muito trabalho e vistas de tirar o fôlego, Depois tudo isso será traduzido para vocês em 2 minutos de imagens e cenas arrebatadoras de um trailer fantástico para meu primeiro livro – Memórias de uma Noiva de Santorini. E se eu der sorte, vai até rolar um áudio em grego kkkkk

Aguardem, news do lançamento do livro em breve, em Sampa e BH. Quero todo mundo lá, hein?! Adoro encontrar leitores e vai ser uma oportunidade única para conhecer muitos de vocês ao vivo. Tá que tem gente que me lê da Islândia e de NY, mas sei que tem uma galera fiel que me acompanha no Brasil. Muito obrigada pela audiência e paciência, guys!!

Foco, voltando ao ponto! Como vou ficar em terras helênicas na época mais quente e bombada do ano, fiz questão de planejar uma mala com peças beeeeem fresquinhas e práticas e ainda assim mega fashion (vocês me conhecem, básico báaaasico mesmo nunca rola! kkkk).

Então, se você precisa de um help para montar sua mala para as ilhas gregas ou mesmo para a praia que você sempre vai (uhu Cabo Frio e Guarapari, mineiradaaaa), assista o meu vídeo abaixo com todas as dicas para fazer uma mala de verão.

“Gosto de T-shirt que passa mensagem”, “saia longa com maiô acho uma finesse”, “kaftan não, quimono!”, e a melhor “não tem essa de: ai aia ai eu tenho celulite!”….essas e todas as outras pérolas dos vídeos não editados da Lulu abaixo  😉

É isso aí, espero que você goste! E se gostar mesmo, dê um like! Preciso saber que tipo de vídeos vocês mais gostam! Ainda estou no limbo virtual do Youtube, tentando entender porque eu tenho vídeos de 25.000 views e outros com 100! Então qualquer comentario é muito bem vindo 😉 Bjs!

Para aqueles que acham que quem viaja muito não trabalha muito!

Recentemente, me vi bombardeada por perguntas que, volta e meia, são direcionadas a minha pessoa. E receio que não será a última vez que isso acontece assim como não foi a primeira. E espero (realmente e honestamente) que as pessoas continuem perguntando para o resto da minha vida, porque eu não consigo visualizar uma súbita mudança pré-planejada no meu lifestyle – Graças a Deus. Mas eu aceitarei de bom grado quando ela chegar, se ela chegar. Até lá, perguntem, por favor, sintam-se livres para perguntar a vontade!

Afinal: por que eu viajo tanto? Como eu consigo me programar para ter tempo e grana suficiente? Eu devo ser milionária e não trabalhar, certo? Não. Mas a resposta é bem mais complicada que apenas essa negativa curta.

Vamos começar do começo. Eu trabalho sim e muito, atualmente com milhões de projetos ao mesmo tempo que envolvem o blog e o meu primeiro livro, mas também passam por lojas virtuais, parcerias com organização de casamento, produtos para casamento, mídias sociais, etc. Ao todo são 3 blogs, 4 pages no face  (nem todas atualizadas), organização de 4 sites, um livro de mais de 500 páginas e o segundo já no começo, sem contar a linha da história dos outros 2 – são 4 ao todo. Sim, eu trabalho bastante, até quando acordo no meio da noite, eu sento no pc para escrever. Minha jornada ultrapassa 12 horas diárias todos os dias. Quando vou no cinema no final de semana, eu saio para fazer anotações no caderninho da bolsa (e até mesmo quando estou em situações tristes, como aconteceu em um velório recentemente).

É, eu acho complicado explicar para as pessoas sobre o meu trabalho, mas seria imensamente mais difícil me convencer a fazer outra coisa. Cada pessoa é de um jeito, tem um talento e se somos feliz assim, temos que respeitar nossas escolhas (mesmo e apesar das opiniões dos outros). Eu não fui sempre assim, é bom você saber. Eu já trabalhei em empresa, já tive loja e comércio é um trampo sem final de semana (e com muito stress). E ainda assim, eu viajava bastante. E no começo, me orgulhava quando as pessoas me mandavam email do tipo “aonde você está morando?” ou quando me viam na rua e se assustavam “pensei que você estava em alguma ilha grega!”. Naqueles dias, eu já vivia na labuta insana para bancar as minhas viagens, trabalhava em 3 empregos ao mesmo tempo, vendia tudo que era coisa nas lojas de shopping e quando estava no exterior, me virava em todo tipo de trabalho que aparecia. Aliás, que eu corria atrás. Era assim que eu viajava quando tinha 20 anos. Belo aprendizado, preconceito zero, quebra de paradigmas e liberdade plena, permeado por sufocos de todo tipo. Se pudesse voltar lá atrás, adivinha? Faria do mesmo jeito.

Aí, eu cresci um pouquinho. Ganhei experiência e abri minha primeira loja fora do Brasil. Depois, a segunda, em Belo Horizonte. E a ideia de trazer o mundo para o meu mundo, continuou existindo. Viagens para Argentina e Grécia eram frequentes e então veio a vontade de fazer negócios com a Turquia, abrir os mares, expandir os horizontes. Eu tentei crescer até onde deu, mas as vezes o sonho é realmente muito maior do que a gente. E nesses casos, a dor da decepção ainda vale a pena: saímos maiores e mais fortes do que entramos.

Cheguei em um ponto que não conhecia ninguém que viajava mais do que eu, digo, viagens para lugares que estão a mais de 12 horas de voo de Guarulhos. As pessoas me olhavam sem entender exatamente o que eu fazia da minha vida. Era um olhar que escondia um misto de pena com curiosidade. Eu sorria de volta, como quem sugere que sabe exatamente o que está fazendo. “Mas será que sabe mesmo?”, eu conseguia ler na cara das pessoas. Eu perdi a festa de formatura de Medicina da minha prima, casamentos de várias amigas super próximas e até o enterro do meu avô paterno. E ao contrário do que muitos pensam, de longe é tudo mais sofrido e solitário ainda.

Enquanto as pessoas viviam suas vidas tranquilamente no Brasil, indo a bares todos os finais de semana, frequentando camarotes de shows e comprando carros do ano, eu estava em algum canto do mundo trabalhando insanamente em algum café, sendo xingada em grego. Eu lembro que, quando era garçonete, atendia casais do mundo todo no pequeno porto de Pitagório, na ilha de Samos. Eu era obcecada pelo valor final da conta, ficava tentando adivinhar quanto daria, porque o valor era sempre superior ao que eu iria receber no final do dia. O meu salário era uma merreca, mas dentro de mim eu sabia que aquilo era apenas um degrau da minha escada, apenas parte do caminho que eu estava começando a trilhar. Eu tinha certeza de que um dia eu iria sentar lá com o meu amor e pedir quantos drinks quisesse. E pagaria quantos euros fosse, eu esmagaria aquele maldito café com a minha carteira….um dia (!!).

Brincadeiras a parte, é claro que eu queria “crescer na vida”, mas eu tinha escolhido um caminho diferente, para uma vida diferente. Então eu recebia emails dos amigos de casa que enviavam fotos de uma vida mais fácil e tranquila, que, de um jeito estranho não parecia me pertencer, enquanto eu contava meu míseros 25 euros do dia. Será que um dia eu voltaria para aquela vida?, me perguntava enquanto conferia a gorjeta pão dura do dia.  Ou ainda quando eu estava colocando meu orgulho de lado para entrar atrás do balcão e montar bebidas para os insistentes bêbados de pub. Ou mesmo quando eu estava dobrando e encaixotando uma quantidade inacreditável de roupa, em algum escritório no meio do bairro religioso de Istambul. Eu certamente naquelas noites estava dormindo em quartos compartilhados de hostel ou kitnets simples, talvez mesmo no sofá do escritório. Ainda assim, eu estava livre.

E então, quando voltei para o Brasil –  mais uma vez  – e me senti a pessoa mais estranha em BH, conheci o meu marido. Inacreditavelmente, ele estava em BH, depois de ter chegado de Buenos Aires apenas dois dias atrás. Na sequência, ele já ia para a Suíça, na volta teria uma semana em São Paulo, antes de ir para o nordeste com os pais. E nos 60 minutos que tivemos no mesmo recinto, falamos de aventuras de todos os cantos do mundo. E bem no meio de histórias sobre mergulhos assustadores com golfinhos e tubarões, de festivais de música distantes, de passeios de barco em mares agitados, ele me convidou para passear de balão na Capadócia, em Barcelona. Ou em Itu.

Eu aceitei o convite. E naquela única janela de tempo de uma semana que ele teria no Brasil, ele veio de São Paulo me ver mais uma vez em BH. E então foi para o nordeste e eu fui para Búzios. A saudade foi muita e então eu corri de Búzios para São Paulo, em insanas 12 horas de ônibus no dia mais cheio do ano, 2 de janeiro. E aqui estamos: em quase dois anos de casados, já fizemos uma road trip completa pela Itália, fomos ver a família em Vila Velha e Campos do Jordão, fomos descansar em Jeri, Fortaleza, fizemos mil lugares na Grécia e Turquia no nosso casamento, Porto de Galinhas, Olinda e Recife, China, Dubai, Abu Dhabi. E nesse pequeno intervalo, ele foi sozinho mais algumas vezes para Buenos Aires, Zurich e Londres. Eu fui para Atenas, Santorini e BH. Em apenas dois anos. E sim, trabalhamos como nunca nesses 24 meses.

Calculo que cada hora viajada em um barco, avião ou ônibus valeu a pena para mim. Viajar faz parte da minha vida e é muito difícil ser diferente. Sinto saudade de todos os amigos que deixo espalhados pelo mundo, sinto que se eu pudesse ser duas, eu teria ido naquele casamento ou naquele enterro. Não teria perdido tantos aniversários, dias das mães, dos pais, natais. Ou então, eu controlaria a agenda do universo para que eu pudesse estar presente em todos esses lugares, nos intervalos certos, nas datas certas. Mas enfim, não é assim que as coisas acontecem e eu sou livre e escolho continuamente ser livre. Os meus amigos e família que me amam sabem que ser uma estrada é difícil, mas que para mim, não ser uma estrada seria impossível.

Ah, importante. vou viajar em breve de novo. Ops e talvez uma outra vez. Mas continuo sem carro 😉 Tem algo sobre o jeito que eu escolhi para viver minha vida que algumas pessoas nunca vão entender, mas isso é OK, porque somos diferentes. Eu sempre vou estar indo ou voltando de algum lugar, esta sou eu, muito prazer. Sugiro que você faça a sua escolha e liberte-se. E quem sabe nos encontraremos em algum canto entre céu e terra, com ou sem carro, viajando ou em casa? Seja feliz, a sua maneira, a sua escolha. Ou continue se torturando achando que “poder e querer são coisas bem diferentes”, como afirmou alguém que certamente não tinha fé suficiente pra ir para longe da sua toca.

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VOCÊ FAZ PARTE DA GERAÇÃO BOCEJO?

“O que você gosta de fazer no seu tempo livre? Você se ocupa com atividades que poderiam ser consideras tediosas ou chatas? Daí a referência a Bocejo?”, essas foram as primeiras perguntas que a repórter de um grande jornal me fez quando eu aceitei dar uma entrevista sobre um post que eu tinha escrito aqui no blog.

Eu tinha assumido, sem a menor sombra de vergonha e sem a mínima preocupação com a opinião alheia, que eu me sentia parte integrante da tal Geração Bocejo. Se você nunca ouviu falar dessa geração, não se alarme, o termo é bem recente e em algum ponto do ano passado ele foi traduzido do inglês “ Yawn Generation”, mas suas referências e origens ainda são vagas geradoras de especulação.

O que é preciso entender, inicialmente, é que a Geração Bocejo são as pessoas de 20 anos que se sentem ou se comportam como se tivessem 40 anos. Ou, como no meu caso, os de 30 anos que se comportam como se tivessem 50 anos. A partir desse ponto de vista a ideia parece um pouco triste, né? Afinal de contas, quem quer envelhecer antes da hora?

Pare e reflita comigo. Em um mundo onde as meninas menstruam cada dia mais cedo, os primeiros beijos e primeiras noites de amor (ou tardes ou manhãs) ainda acontecem nos estágios da escola, não é de espantar que quando chegamos aos nossos 20, já tínhamos muito mais bagagem do que nossas mães tinham na mesma idade. Sem nem mencionar toda a loucura globalizada que a internet nos proporciona, e quer sejamos escravos ou apenas usuários conscientes, a verdade absoluta é que temos acesso ilimitado a todo tipo de informação sobre praticamente todo tipo de conhecimento. Então, sim, eu entenderia o motivo de nos sentirmos mais velhos e cansados do que somos biologicamente.

No entanto, a conversa sobre a Geração Bocejo passa bem longe dessas discussões mais complexas, pois ela ainda se encontra na fase de tentar estipular quem é ou quem não é, quem faz parte ou quem não faz.

A saber, os primeiros sinais que podem indicar que você é um de nós, são atividades bem simples e antigamente corriqueiras. Você gosta de cozinhar em casa? Você procura receita na internet ou copia as da sua avó ou mesmo as do Jamie Oliver? Você gosta de fazer algum tipo de arte com suas mãos? Você prefere conforto a sofisticação? Se sua reposta foi positiva para a maioria das perguntas, é bem provável que você faça parte do nosso grupo.

Mas só isso é suficiente para rotular uma pessoa e mandá-la para dentro de um grupo que tem como ilustres participantes, Blake Lively, Lorde, Taylor Swift e até, pasmem, Kate Middleton? Eu não saberia dizer ao certo, então aí vão mais alguns indícios da minha rotina que são frequentemente alvo de caras espantadas e risadinhas maldosas. Eu acordo muito cedo espontaneamente todos os dias para me exercitar, eu não bebo durante a semana e mesmo nos finais de semana bebo muito pouco, gosto de ir na feira de rua comprar verduras frescas, consumo orgânicos e adoro passar um domingo no templo budista próximo da capital paulista. Quando estou estressada não saio para tomar uma com as amigas, eu pego alguma peça de cerâmica do meu armário e passo 6 mãos de tinta e depois levo para o forno. E então eu aguardo dias até que minha irrisória obra de arte esteja pronta e aí eu dou de presente para meus pais, porque não cabe mais nenhuma na minha casa.

Meu marido gosta de investir o pouco tempo livre na cozinha. Então ir ao supermercado e escolher os melhores ingredientes é uma parte prazerosa do nosso final de semana. Ele tem duas caixas enormes de ferramentas embaixo da cama e não nos incomodamos de ficar em casa tomando o vinho e pendurando a cortina, consertando as rodinhas do armário ou mesmo aplicando adesivos decorativos na cozinha. Estamos na fila de espera de um ótimo curso de reiki e nos feriados vamos para spas ou hotéis fazenda no meio da mata. E quando vamos para a praia, não tiramos mais que duas selfies, lemos muitas páginas de longos livros na areia e pouco depois do meio dia fugimos do sol, almoçamos algo light e vamos tirar um cochilo. E você, também abriu a boca de sono frente a dinâmica tranquila das nossas atividades? Então você entendeu o conceito.

Mas devo ser sincera, não é apenas isso que fazemos na nossa vida. Trabalhamos muito e sempre temos uma agenda social semanal quase impraticável e quase não temos tempo de ficar de papo para o ar, bocejando. Então, a minha vontade de ser Geração Bocejo é mais ideológica do que prática, assumo. E provavelmente sua vida é assim também. O ponto interessante é que, se eu tiver um tempo livre ou se eu tiver chance de limpar a agenda, eu já sei o que vou fazer. Pegar meu livro novo e fazer um pique – nique no parque. Ou vamos tentar encaixar uma ópera em uma quinta que não tem jantar corporativo e vamos dormir cedo todas as outras noites que pudermos, de preferência antes da dez. Não vamos assistir TV, mas vamos apadrinhar uma criança na África e receber suas cartinhas todo ano.

Como você pode perceber, não existe uma linha clara e definida circulando as características da Geração Bocejo, mas tem algo nela que simplesmente me fascina. A ideia de acreditar e valorizar o “do it yourself” em sua máxima potência também me agrada bastante. Organizar e fazer cada detalhe da sua festa de aniversário ou do noivado da amiga, montar uma merenda saudável para o trabalho, fazer um curso de costura e fazer uma aula de culinária em cada país que chega, viver de maneira mais saudável, respeitar o corpo, meditar, ler livros edificantes, enfim, investir energias em coisas positivas me parece um ótimo começo para se pensar em uma integração bocejante.

Acredito que somos um pouco de tudo, mas somos muito mais, porque vamos além. Somos paradoxais e plurais como nunca, queremos ter tudo mas não abrimos mão de nada, entendemos que o facebook é cansativo mas nunca saímos dele, curtimos vídeos que alertam sobre a escravidão das redes sociais, mas não conseguimos nos desconectar nem quando estamos deitados na cama. Pensamos em nós mesmo mas nos escondemos atrás da ideia de um bem maior, gostamos de indie rock e de axé, tomamos champagne na praia e vamos em festas alternativas dentro de metrô. Enfim, somos um tanto de tudo e isso faz parte da experimentação da nossa geração, somos uma nova leitura do velho “compro uma bicicleta ou caso”, porque hoje queremos “comprar uma apê descolado e rodar o mundo”.

É possível que um dia teremos clareza do que queremos e sejamos mais consistentes no que acreditamos, mas não existe uma necessidade emergencial para esse posicionamento. Então, prepare para desenvolver suas habilidades desacordadas, coloque suas roupas confortáveis e invista tempo nas coisas que realmente importam: você e suas relações. E anime-se: nunca foi tão cool ser considerado um tédio.

geração Bocejo aula de culinária
Aula de culinária em Atenas
geração Bocejo aula de culinária
Aula de culinária em Atenas
geração Bocejo aula de culinária
Aula de culinária em Atenas
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Aula de culinária em Atenas
geração Bocejo aula de culinária
Aula de culinária em Atenas

CRUZEIRO DE LUA DE MEL: QUATRO DIAS ENTRE CÉU E MAR (visitando as ilhas gregas…!)

Eu tenho consciência de que minha vida é atípica e eu fiquei quase 30 dias viajando no mês do meu casamento. Consegui ir para a a Grécia bem antes dos quatro dias de festa em Santorini e depois da festança grega, ainda ficamos vários dias a mercê de águas mediterrâneas. Depois de avaliar tudo que valeu a pena e tudo que não foi legal, percebi que um dos pontos altos da minha viagem de lua de mel foi o curto cruzeiro que eu comprei em promoção e sem grandes expectativas, em uma tarde nublada de terça-feira.

Talvez aí esteja o grande segredo, não é incomum que viagens despretensiosas cercadas de baixa expectativa irão nos trazer agradáveis surpresas. Eu bem sei que a idéia de um cruzeiro pelo mediterrâneo já está atrelada a imagens de belíssimas praias, imensidão de águas azuis esverdeadas e muita gente bonita bronzeada mas assumo que isso já é algo comum no meu arquivo de memórias. Depois de tantas idas e vindas entre ilhas gregas e Brasil, eu achei que nada poderia me surpreender em quatro dias de viagem por lugares que eu já passei. Mas, felizmente, eu estava errada.

E a bordo de um pequeno cruzeiro de marca desconhecida, me despedi de Pireus, que é o famoso porto de Atenas e fui para a área externa aproveitar o belo céu azul de agosto ao lado do meu amor. A estrutura do navio contava com pequenas piscinas no alto do último andar e uma grande área de descanso, relax e pura apreciação marítima. Nada melhor do que o vento leve do verão no mediterrâneo batendo no rosto para a gente lembrar que a vida é bela e que o amor é possível.

ilhas gregas

Após poucas horas de navegação, atracamos na famosíssima e badalada ilha de Mykonos e chegamos no porto no final da tarde do primeiro dia animados. Como eu já conhecia bem a ilha, convidei meu amor e alguns amigos para um rápido tour pelo charmoso labirinto de casas brancas, também conhecido como centro da ilha. Depois de nos perdemos algumas vezes nas ruelas de pedestres, finalmente nos encontramos na frente do ponto de táxi e eu pedi, em grego, que o motorista nos levasse para a Paradise, a praia da perdição. E não pense que ela é apenas um reduto de solteiros desesperados por sexo sem sentido, porque ela é perfeita para casais que querem dançar ao som de uma música eletrônica excelente e querem aproveitar o cenário paradisíaco do pôr-do-sol da ilha. E não, eu não consigo pensar em um  nome mais justo e acurado para aquela praia de areias brancas e mar azul sem fim.

viagem Grécia ilha grega Mykonos
Mykonos
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viagem Grécia ilha grega Mykonos
Mykonos

Voltamos para o navio por volta da meia-noite e dormimos sem nem terminar de rezar o pai nosso, de tão cansados da balada. Relaxamos e curtimos as mordomias do spa até a tarde do dia seguinte, quando o cruzeiro parou na ilha de Patmos. Bem próxima a costa da Turquia, ainda parte da Grécia, Patmos é uma pequena ilha com uma grande relevância: abrigado em uma de suas montanhas, São João escreveu o livro do apocalipse, segundo os historiadores e guias orgulhosos contam. A atmosfera especial da ilha é baseada em mosteiros e riquezas de história religiosas, mas o charme do pequeno porto é perfeito para um casal relaxar e provar o famoso frappé grego geladinho, enquanto espera a hora de voltar a bordo.

E mesmo quando o por-do-sol é visto do mar aberto, é preciso ficar atento a batidas do relógio para garantir um lugar para jantar em um dos deliciosos restaurantes a bordo. Os melhores só têm mesas disponíveis até as 9 da noite e tentar comer bem depois das 10 é uma missão quase impossível. No entanto, todos os tipos de drinks e shots são oferecido a vontade até que o sol se levante no mar novamente e a noite a bordo do cruzeiro pode ser muito mais animada e selvagem do que se imagina. Existem atrações para todos os gostos e enquanto uns assistem espetáculos no palco,  outros dançam ensadecidos nas boates em torres panorâmicas no meio da escuridão azul. Para os noivos, uma boa dose de sono profundo, cadenciado e acariciado pelas ondas do mar foi a melhor e mais sábia escolha.

Na manhã seguinte, atracamos em Kusadassi, cidade da costa mediterrânea da Turquia. Nos primeiros minutos em terra, você já sabe que todos os boatos sobre negociações com turcos são verdadeiros e você provavelmente não vai escapar da clássica visita a fábrica de couro. Tenha paciência, faça sua compras se quiser mas foque na beleza natural e história que Ephesus, uma das cidades mais importantes do mundo antigo, têm a oferecer. O tour é historicamente e visualmente imperdível e uma boa guia vai te transportar até as ruas que Maria, mãe de Jesus, caminhou há mais de dois mil anos.

Kusadassi Turquia
Kusadassi
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephesus
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephsesus
Kusadassi Turquia Ephsesus
Ephesus

A parada é breve e logo seguimos viagem até a fantástica ilha grega de Rodes e tenho que admitir, uma das minhas favoritas de todos os tempos. Rodes abriga no alto de sua montanha a Acrópole de Lindos e se você acha que já viu tudo que há de templo depois de visitar Atenas, confira, com o queixo caído e lágrimas nos olhos, a beleza avassaladora da vista do lugar. Do alto de Lindos, confirmo, mais uma vez, a sabedoria grega para escolher nomes. Depois de belas fotos estilo cartão postal, refresque-se em alguma das muitas e longas praias da ilha ou vá direto para dentro das muralhas procurar por um belo restaurante. Sorvetes deliciosos, ruas milenares e o Palácio dos Grãos Mestres são o combo que você precisa para entender que a Grécia merece um lugar especial no coração dos incansáveis viajantes.

viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes
Rodes
Rodes
viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes
viagem Grécia ilha grega Rodes
Rodes

Mais uma noite relaxando a bordo é uma boa idéia e se o mar estiver revolto e não te deixar dormir, corra para um dos cassinos do navio, onde nunca se sabe se é dia ou noite, se faz sol ou chuva. O giro da roleta logo te fará esquecer o balanço da maré e  o fascínio das luzes reluzentes das máquinas vão te fazer entender por que não devemos nem ter bingo perto de casa.

Na manhã seguinte, Creta nos sorri de braços abertos. O imponente porte da maior ilha da Grécia é grande o suficiente para receber o navio e logo pegamos um táxi em direção ao historicamente imperdível Palácio de Cnossos. Eu, que achava que muito já tinha visto e aprendido sobre terras helênicas, fiquei silenciosa e pensativa enquanto caminhava pelas ruínas da misteriosa e evoluída civilização minóica. Em frente ao labirinto de Minotauro, penso triste e emocionada sobre a nossa fragilidade pois esses seres tão especiais viraram pó frente a força magnânima do tsunami originado pelo vulcão de Santorini.

viagem Grécia ilha grega Creta
Creta
viagem Grécia ilha grega Creta
Creta

Respiro fundo, me reconstruo e fico animada para continuar a viagem pela Grécia, a jornada da minha vida. E é isso, a próxima parada é Santorini, onde tudo começa e termina. E como ex-moradora e noiva da ilha, eu penso como os nativos e entendo que o passado é história e melancolia, o futuro é incompreensível e improvável mas que o presente, bem, ele é uma declaração de amor que Deus nos faz.

viagem Grécia ilha grega Santorini
Santorini

Podemos entrar no mesmo rio duas vezes ?

Toda vez que chego na Grécia, me lembro dos motivos que me fizeram querer viver aqui. Já no aeroporto sinto aquela vibração diferente, o falatório alto, as risadas, as conversas que parecem discussão, os guardas com gel no cabelo. Lembro de outras tantas viagens por todo o território grego e fica mais evidente ainda o sinal dos tempos: nesta minha nova volta para a Grécia a minha situação é bem diferente. Vim com a minha mama, finalmente não estou a trabalho e temos tempo para muitas comprinhas e especialmente para toda a organização do meu casamento, um verdadeiro casamento grego, em Santorini. A nossa felicidade é plena e não há mal tempo que nos desanime.

Quando respiro em Atenas, penso na família. Definitivamente, o elo mais forte que nos atrai para a Grécia é a nossa família em Atenas. Todo o carinho, a festa, as comidinhas gregas ligadas a todas as confusões que toda família (grega) tem. As conversas altas que vararam a noite nos últimos dias e as pouquíssimas horas de sono que tivemos aliadas ao cansasinho do jet lag me fazem cochilar no navio para Santorini.

Ah, Santorini….faz algum tempo que não te vejo. Lembro do meu susto quando avistei o porto pitoresco da ilha pela primeira vez e me perguntei se havia algum jeito de carros e ônibus chegarem lá.  Logo descobri que aquela estrada impossivelmente inclinada em zigue zague que me levaria ao topo da ilha era o começo de uma das mais belas (mas não pouco dramática) jornadas, na ilha do rei vulcão.  Achei que quase poderia tocar o vulcão quando olhei da caldera, estiquei o braço das sacadas de cafés e de barcos de pescaria.

Santorini continua a mesma. A praia vermelha, a praia branca, a praia preta, a lava. A lava que está presente em todas as partes, do chão às praias, dos acessórios aos vinhos. E as pessoas, a lava toca as pessoas em Santorini. Se você prestar bastante atenção pode até sentí-la e quem sabe, com sorte, ser tocada por ela. A lava, por mais que cristalizada e seca agora, é fruto de calor, de quentura, de explosão e de descontrole, que é exatamente como eu descreveria o povo de Santorini. E será que não somos todos pelo menos um pouco lava/santorinhós!?

Toda vez que venho para a Grécia me lembro porque quis voltar para o Brasil. A mesma mão que serve o café frappé delicioso, pode te empurrar em várias ocasiões sem nuuuuunca pedir desculpa. As discussões podem facilmente virar bate-bocas intermináveis e até pancadaria em lugares públicos como ônibus e lojas de departamento (true story!). Toda esta “delicadeza” grega, que é tão comum e até previsível ainda me incomoda, visto que meu lado brasileiro nada ou muito pouco se assemelha com a cultura grega. E assim, meu dois lados se entreolham espantados. O remédio para lidar bem com isto tudo? Basta lembrar que não é nada pessoal. E o jeito como os gregos se tratam, sem muito “tato” e com muita “franqueza” é facilmente compensado por tantas outras gentilezas, sorrisos, presentes, convites sinceros que só os gregos sabem fazer e einai olá kalá (está tudo ok).

Da minha parte, posso dizer que amo o lugar. A minha mineirês  me fez sofrer quando morei aqui, mas hoje meu lado grego me fortalece onde quer vá. Parte de mim fica mais viva e bate forte no peito assim que desço no aeroporto, aquele lado passional, que fala alto, que destrata e não liga, que come fartamente e toma café o dia inteiro. Já a parte da inocência, da timidez e da simpatia gratuita e natural que boa parte dos brasileiros tem, esta  outra parte parece que morreu aqui, há muitos anos.

Toda vez que venho na Grécia quero ficar, mas basta poucos dias e fico tranquila  para ir embora. A Grécia nada mais é do que um pedaço maior do que outros pedaços do quebra cabeça da minha vida. E que eu insisto em trazer comigo, sempre, sempre. Não importa a crise ou a modernidade, ela parece a mesma, mas eu, mudei mais que demais. Olho para as expressões nos rostos dos santorinhós e ao mesmo tempo que entendo e quase esboço um sorriso, sinto um alívio de não fazer mais parte disto. É uma lembrança boa, mas tão distante que mais parece uma aquarela antiga das casinhas brancas no alto do penhasco cercado pelo mar azul infinito, posicionado ao redor do rei vulcão.

Sejamos justos: a Grécia representa meu começo, com minha família, meu meio, com meu casamento e de muitas maneiras, representa o fim de tantos momentos que não voltam mais. E que fique claro que não queremos entrar duas vezes no mesmo rio. *

* Referência a famosa citação do filósofo grego Heráclito: “Um homem não pode entrar no mesmo rio duas vezes”.

Casamento Turco X Casamento Grego!

Quem me conhece sabe que eu já viajei demais pela Grécia, já morei por lá e tenho família em Atenas, Poros e Samos. E quem acompanha minhas histórias sabe que, desde o ano passado, por motivos de negócios e outras cositchas mais, ando expondo minha figura na medina pelas bandas da Turquia!

Eu, na Acrópole de Atenas, em 2006

Eu, na frente da Hagia Sofia, em Istambul, 2011

Lembro que logo que cheguei em Atenas, na primeira vez, em 2006, peguei um casamento grego no primeiro fim de semana e nem tinha o que vestir! Minha prima me ajudou (como sempre) e fui feliz da vida, na cerimônia na Igreja Ortodoxa e na festa, que foi na parte externa de um casarão, foi lindo! E depois, enquanto morei em Santorini, peguei mais um e em Égio peguei mais outro.E como eu sou super sortuda, nesse espacinho de tempo de um ano, que geraram três viagens para a Turquia (já vamos para a quarta), tive o grande prazer de participar de um casamento tradicional turco! Super!

Como são duas culturas que eu conheço um pouquinho mais, resolvi fazer uma comparação. Pasmem, os grandes inimigos de longas guerras, na verdade se assemelham mais do que se possa imaginar!

Para começar, antes do casamento, e mesmo antes do noivado (!) os gregos fazem uma cerimônia chamada logos (que significa “palavra” em português), na qual o homem conhece a família da mulher e promete que vai firmar noivado em breve. É conhecido como dia do compromisso, e adivinhem?! Na Turquia tem também, praticamente a mesma coisa: o homem vai até a família da mulher e explica suas intenções e precisa da aprovação da família. A cerimônia pede família reunida, um anel chiquérrimo para a futura noiva e uma bolo para os convidados! Na Turquia também!? Check!

Próximo evento: o noivado. Praticamente um mini-casamento, como pude perceber. Não tem nada de jantarzinho íntimo ou churrasco como acontece no Brasil, o negócio na Grécia exige modelitos chiquérrimos e cabelo idem e não vale se não reunir a vila inteira em um salão todo enfeitado com branco e rosa, com muitas flores. Fogos de artifício, dança romântica para os noivos. Mais um anel, na Grécia. Na Turquia, os noivos ganham ouro e dinheiro dos convidados, daí o motivo de você querer chamar todo mundo! Os convidados do noivo penduram moedas de ouro nele e os da noiva, no vestido dela, vale nota de 500 euros também! Comida na festa: sim, nas duas culturas e muita! Bebida? Na Grécia, sim e muita, na Turquia, não, já que a maioria muçulmana prefere não beber.

Luzes em noivado turco

Próximo evento, deve ser o casamento né!? Nãaaaaao! Quem disse que casar é simples assim, nestes países que quase não há divórcio!? Você tem que estar muito certa mesmo, e passar pela bateria de eventos e aprovações familiares. O que vem na sequência é diferente em cada país: na Grécia, a cerimônia (pelo menos nas ilhas ) é chamada “Krevati” (que nada mais é do que “cama”, em português) e acontece, normalmente, uma semana antes do casório oficial. Os convidados vão até a casa do casal novo, ah, que já tem que ter casa montada, senão não casa, fique claro! E então, no meio dos comes e bebes, os convidados dão uma voltinha até o quarto do casal e joguem dinheiro na cama! Sucessssoooo!

Na Turquia, a cerimônia é na noite antes do casamento e é chamada de Henna Night ( gente, meu turco ainda não bomba, só sei nomes em inglês rsrsrsr). Os convidados vão até um salão maravilhoso e enfeitado ou até a casa da noiva para um evento que praticamente só envolve as mulheres. Os homens que forem, vão só para dar um oi e ficam fazendo hora, discretamente,  fora do lugar. As mulheres ficam dentro e participam do ritual que envolve  danças tradicionais, muito ouro e dinheiro para a noiva e a famosa passada de henna na mão da noiva! E das solteiras de plantão, afinal todas querem casar e logo, senão….. desgraça para a família!

Dinheiro e ouro para a noiva turca!

Cerimônia da Henna

No dia do casamento, gregos e turcos se assemelham!? Not! O casamento grego começa em uma Igreja Ortodoxa, se for nas ilhas, ainda antes da cerimônia tem uma carreata emocionante pela vila de onde as famílias vieram. O casal e os padrinhos caminham ao som de tiros e violino, super emocionante!

Ao chegar à Igreja, é possível que dois ou três padres realizem a cerimônia e que as pessoas não fiquem caladas, coisas da Grécia! A festa vai até o outro dia de manhã, homens e mulheres dançam emocionados e a comida e bebida é exagerada e até desperdiçada! Muito barulho e bagunça, copos e pratos quebrados à revelia e guardanapos para todo lado…….Ia sás!

Fonte: www.bride.ca
Fonte: www.bride.ca

Na Turquia, o esquema é bem diferente. Não se pode dizer que é bem uma festa, e sim, um ritual. Durante o dia do casamento, a família do noivo vai até a casa da noiva para buscá-la e levá-la para a nova vida.

Família do noivo festejando na frente da casa da família da noiva: a hora é agora!

Noiva saindo da casa! Snif, snif!

Mais tarde, todos se encontram no salão.  As famílias chegam e se acomodam nas mesas, não há serviço de comida e bebida, apenas um ou outro refrigerante ou suco. Pessoas trazem água de casa (true story!) e tiram a garrafa da bolsa, na tora! Alguns biscoitos especiais enfeitados e doces lindos são distribuídos e claro, o bolo. A música é tradicional e os casais e algumas mulheres dançam discretamente no meio do salão. No meio da noite, começa a fila enorme que dura mais de duas horas para colocar mais ouro e dinheiro nos noivos, olha que maravilha! Depois que todos já colocaram os ouros, os mais animados dançam mais um pouco e todos vão para a casa, relaxar e comentar os acontecimentos.

As duas culturas são fascinantes e espetaculares, se tiver que escolher uma, fico no meio, tem como?! Na dúvida, sempre que vou nestes casórios, aplico um truque que vale para qualquer um dos lados:

Eu escrevendo no sapato da noiva!

Mashalhah, Inshallah! E filakia ia oli!