O templo da Família Chen é mais um exemplo do que é a China

Este post é mais um da série Lulu na China. Como já contei para vocês passei alguns dias em Guangzhou (se não viu clique aqui) e só tive surpresas boas. A cidade também conhecida como Cantão é bem mais arborizada e organizada do que eu imaginava e apesar de ser perfeita para fazer negócios, não é tão sem graça assim para quem gosta de turismo “clássico e tradicional”.

Eu adoro me embrenhar em tudo que é novidade, em tudo que é diferente então adorei Guangzhou. As lojas do polo têxtil, as farmácias e lojas de conveniências onde qualquer comunicação é impossível e as aventuras para atravessar a rua me cativaram logo de cara. Legal, sinal de que eu já estava me ambientando à China. 🙂

Mas apesar de não oferecer aqueeeeeela estrutura para turistas não chineses, eu gostaria de indicar um passeio especial em Guangzhou que vale a pena fazer, mesmo se você tiver apenas um dia. O templo da Família Chen, que também é chamado de Ancestral Temple of the Chen Family ou Chen Clan Academy ou ainda Chen’s Lineage Hall é basicamente um super templo construído para que os membros da família Chen pudessem estudar em paz. É, bem intuitivo né?! Mas ainda assim, altamente curioso.

China guanzhou

Pelo que nosso guia chinês mucho-loco contou, um homem chamado Chen conseguiu um cargo elevado na época da Dinastia Qing e foi assim que a família ficou conhecida na região. Mais tarde, algum parente deu a sugestão de construir um super espaço para incentivar os jovens da família a estudar, para que dessem orgulho e continuidade ao trabalho do ancestral. Taí, fizeram essa puta estrutura com muito halls, salões de leitura, de chá, de descanso, jardins e por aí vai. Apenas os jovens que estudavam de verdade eram enviados para essa “casa” para que pudesse se dedicar inteiramente ao estudos.

China guanzhou

A saber, as coisas mudaram muito, mas nem tanto. Na China atual, o esforço sobrenatural para conseguir notas boas e um lugar ao sol ainda é muito valorizado pelas famílias. Conto para vocês o que ouvi e presenciei de perto, quando estava viajando pelo Oriente. Estudar e se colocar bem na escola ou faculdade é tão importante que, antigamente – quando se podia ter mais de um filho – a família observava de perto as crianças e assim que identificava qual era a mais brilhante e esforçada, mandava aquela para a escola, enquanto o irmão tinha que continuar trabalhando. O inteligente tinha que dar um duro danando porque sabia que o resto da família estava contando com ele para subir na vida e bem, os irmãos menos brilhantes nunca teriam chance de estudar porque tinham que sustentar as bocas.

Louco? Mas isso é passado né?! Bem, mais ou menos. Ainda nos dias que estávamos em Xangai, tivemos a oportunidade de presenciar o grande vestibular chinês. Durante os dias de prova, as ruas estavam vazias (o que é assustadoramente raro na China) mas as portas das escolas e os templos estavam abarrotados de pais e avós. Eles estavam aflitos e cheio de fé, pedindo para os Budas que ajudassem o jovem da família nas provas. Nunca vi chineses tão dedicados na religião como naqueles dias.

Mais tarde no quarto do hotel eu li na versão inglesa do jornal de Xangai que muitos pais tinham alugado quartos em hotéis ao lado dos locais de prova, pois a previsão do tempo era de chuva e eles não queriam pensar na possibilidade de o filho se atrasar para o exame. Outros tantos já tinham ligado para as estações de táxi e reservado todos os táxis que não tinham o número 4 na placa, afinal 4 é azar e todo cuidado é pouco na China. E mais ainda, o jornal mostrava a entrevista de uma mãe que contava que a família tinha se mudado de província apenas para que o filho pudesse estudar em uma escola melhor. Como a família tinha dificuldades financeiras, foi necessária uma bela ajuda de todos os parentes para que eles fizessem a mudança. “O nosso futuro está nas mãos do nosso filho”, disse a mãe ao jornal.

Os jovens, sufocados por tantas expectativas, estudam em torno de 14 horas por dias, 7 dias na semana, por pelo menos 3 anos até que a data do tal exame chegue. E apenas alguns vão entrar na faculdade. E destes que entrarem, não são todos que sairão com emprego, muitos menos que conseguirão de fato subir na vida. Bem, mas não custa nada tentar… ou melhor custa muito, então é preciso se sacrificar de verdade. Afinal, quem não tem emprego bom, apartamento e carro nunca vai ter esposa, muito menos filho.

E o que acontece com os outros tantos que não passam na prova? Bem, eles devem estar trabalhando igual condenados, as mesmas 14 horas por dia, para tentar subir na vida, enquanto seus pais enloquecidamente tentam mostrar seus currículos no Parque do Povo, na busca desesperada por uma esposa. Sim, acontece nos finais de semana e eu estava lá. Porque eles são chineses e não desistem nunca.

Viajar para a China é, acima de tudo, uma lição de casa. É sempre útil olhar para fora para se lembrar de tudo de bom que temos aqui dentro. O resto é reflexão louca de filha de psicólogos, então deixo para vocês tirarem sua próprias conclusões sobre o assunto. Posto algumas fotos da casa da Família Chen para vocês 😉 Um grande beijo!

China guanzhou

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Guangzhou, o corte de cabelo chinês e as excelentes compras!

Guangzhou, também conhecida como Cantão, é a terceira maior cidade da China, com quase 15 milhões de habitantes. Localizada ao sul do país, a cidade está a duas horas e meia de avião de Shanghai e quase 4 horas de Beijing, mas voar na China não é a tarefa mais fácil do mundo. Nosso voo atrasou mais de 12 horas para sair de Shanghai por causa de mau tempo, controle áreo chinês e confusões e armações orientais que qualquer viagem a China promete. Depois de muita espera, correria em salas de embarque e um cochilo em um hotel na periferia de Shanghai, finalmente pisamos na quente e úmida Guangzhou. E posso falar? A surpresa foi muito agradável.

Eu já conhecia o nome Guangzhou por causa das importações chinesas, já comprei muita roupa de lá. Eu tinha consciência de que lá é um dos grandes (se não o maior) polo têxtil da China, então eu mal podia esperar para colocar minhas técnicas de barganha no atacadão de Cantão. No entanto, não foram as boas pechinchas que me surpreenderam. Foi a o ar puro da cidade, a organização do trânsito, as árvores pelas ruas, as grandes lojas das redes internacionais, apesar de ninguém falar inglês, é claro. Na verdade, esse é um dos maiores problemas de turismo na China, ela é A CHINA e todos só falam CHINÊS. Mesmo quem diz que fala inglês, fala apenas uma versão chinesa do inglês, difícil de ser entendida.  Não dá para usar mímica, não dá para desenhar, mas ok porque tudo que você precisa é de uma calculadora na mão e alguma boa vontade 😉

Saí do hotel rumo as minhas compras em um táxi. Vale lembrar que é sempre necessário que o moço do hotel chame o táxi e  passe para o motorista o endereço escrito em chinês do seu destino. Não existe a menor chance de você se comunicar com um motorista de táxi porque ele é chinês e não fala inglês e porque ele é chinês e chineses não se aproximam de ocidentais. Nada de comentar do clima, da cidade e da vida noturna, é entrar e esperar o momento tenso que ele vai parar no meio de uma rua e resmungar algo em chinês. Hora de checar o taxímetro (sim, eles normalmente usam) e se jogar no meio da multidão que anda apressada na rua.

E para voltar? Tenha na mão o cartão do hotel com nome e endereço em chinês, senão você nunca vai chegar no destino certo. E ainda tente evitar os táxis vermelhos por toda a China e em Beijing tente pegar apenas os táxis que começam com a placa B. Por quê? Os outros são de pequenas redes que podem ou não ser ilegais e que provavelmente vão te dar o golpe clássico do taxista que troca as notas por falsas ou fica dando voltas com passageiro. Clássico ao redor do mundo, também acontece na China.

Quando cheguei na frente do “Wholesale Clothes Market”, me animei com o cenário. Shoppings gigantes por toda a avenida, chineses baixinhos com sacolas enormes e muita gritaria. Me senti em casa, lembrei do bairro têxtil de Istambul, da conturbada Komuduro de Atenas. Aquilo eu sabia fazer. Então, mãos a obra, rodei em todos os andares e acabei por comprar algumas peças para inverno no Brasil, depois de muita barganha minha e lamentação da chinesa. Sim, tem que barganhar até o limite da exaustão para comprar na China, mas em alguns lugares eles ficam nervosos com desconto e não baixam nem 1 centavo. Enfim, é um desafio completo.

Depois de uma hora, eu estava interessada em um casaco de renda, duas blusas de manga comprida bordadas, uma camisa de renda e uma saia de tule. Eu deixei as vendedoras montarem um look chinês moderno para mim pois elas gritavam algo impossível de ser compreendido toda vez que eu me aproximava de algum item na arara. Adorei a ideia que elas me deram e agora estou super por dentro da moda chinesa! E tudo (tudo mesmo, todas as peças citadas) por meros 150 reais! É assim que eu gosto e me divirto nas compras!

Mas quero pontuar que, em geral, a China não está barata. As roupas nas lojas normais são mais caras que no Brasil e é preciso andar com muitos iuanes no bolso. Depois das compras, olhei rapidamente os outros andares de lojas que havia por lá e corri para pegar um táxi pois a previsão do tempo era de tempestade. Logo que cheguei no hotel, o mundo desabou. Mas eu estava sã e salva com minhas comprinhas e fui no salão do hotel para dar uma geral no cabelão. Enquanto eu estava na China não comi muito bem e com tanta gordura das frituras e fast-food minha pele e cabelo estavam patéticos. Entrei no salão e…surpresa: ninguém falava inglês 🙁 Após o pânico, achei que tinha conseguido mostrar quanto eu queria que o cabeleireiro cortasse do meu cabelo, então sentei na cadeira, tomei um chá e segurei na mão de Deus.

Depois de três xícaras de chá chinês (só no terceiro que lembrei que na China se você bebe ou come sem deixar um restinho, eles acham que você quer mais e te dão outro copo ou outro prato #ficaadica) e duas horas sentada na cadeira, o cabelo estava pronto. O profissional foi super metódico e mediu as pontas infinitas vezes, mechinha por mechinha. Depois ele cortou uma parte do cabelo – secou metade – cortou mais um pouco – secou mais um pouco – cortou de novo – terminou de secar. Na última vez, cortou de um jeito diferente, nas duas direções e eu fiquei com aquele corte retão de chinesa. Massa! Adoro variar!

A boa nova é que eu tinha feito um tratamento chamado Verniz, em um salão top aqui de São Paulo e meu cabelo estava bem domado e lisão. Assim, o corte chinês caiu super bem e eu pude aproveitar a minha viagem sem nem chegar perto de um secador! 😉 Amo isso! Já contei aqui no blog, mas se você quiser saber mais sobre o verniz, acesse esse post ou entre em contato com o Spaço Hair and Care por aqui.

Por último, me impressionei com a grande quantidade de redes de lojas internacionais que pousaram em Guangzhou. A que mais me chamou a atenção foi a IKEA, uma loja giganteeeeee de itens para casa (“tipo” uma Tok Stok) que tem para todo lado na Europa e nos EUA. Não perdi a chance de entrar e dar uma espiadinha. Os preços eram bons como os do resto do mundo mas o mais engraçado é o jeito chinês de viver a vida. Todas as camas, sofás e mesas em exposição estavam ocupados por grandes grupos de chineses: mulheres cochilando com os filhos no colo, amigos conversando, estudantes fazendo o dever de casa….é isso. A China é muito louca mas bem, eu confesso que adorei fazer parte dela.

Em breve, vou contar para vocês sobre os passeios turísticos que fiz em Guangzhou! E para começar direito a minha série de posts sobre a China, posto algumas fotos para vocês entenderem como as coisas funcionam por lá 😉

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Ruas de Guangzhou
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Ruas de Guangzhou
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Polo têxtil de Guangzhou
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Polo têxtil de Guangzhou
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Meu look chinês comprado em Guangzhou
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Salão em Guangzhou
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Salão em Guangzhou
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IKEA em Guangzhou
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Chineses deitados nas camas da IKEA em Guangzhou