Para quem quer viajar mais (e sempre)

Se você é uma daquelas pessoas que amaaaaa viajar, mas ainda viaja muito menos do que gostaria, este post é para você! Se você acha que só quem é rico e “tem a vida ganha” é que consegue viajar tanto…este post é para você também!

Se você me segue, já deve ter percebido que não fico mais do que 30 dias no mesmo lugar 😉 E eu escolhi viver assim – isso mesmo, escolhi! Mas isso não quer dizer que foi uma escolha que caiu do céu no meu colinho e menos ainda que ocorreu da noite para o dia. E como recebo muitas perguntas sobre como  “criei” essa vida de viagens….aí vai o meu relato:

Como comecei a viajar

Quando era criança, sempre viajava com minha família nas férias. As viagens significavam muitas horas de carro – naquela época que viajava 6 pessoas em um carro, todas sem sinto de segurança e alguém segurando a torta de frango! Eu nasci em Belo Horizonte, Minas Gerais e a gente gostava era de ir para a praia, como todo e bom mineiro. Eu também adorava visitar a casa dos avós no interior 😉 E isso era o máximo que rolava!

Quando chegou a adolescência, minhas amigas foram para a Disney e NY mas eu era da turma da capoeira, do forró e o que eu queria era Arraial D’ajuda. Quando entrei na UFMG, depois de muito estudo e uma boa dose de sorte, fui para um congresso de Administração no Chile. E esta foi a primeira vez que eu viajei para fora do Brasil. Sozinha e a trabalho – e pronto: eu nunca mais seria a mesma.

A primeira viagem sozinho para o exterior

Nessa viagem conheci pessoas que me contaram de países distantes, culturas novas e de um estilo de vida que eu nem sabia que existia: o de viver viajando. Talvez, em 2005, isso quase não existia mesmo. Lembro que aquela foi minha primeira vez em um hostel, e dos medos que tive naqueles dias. Voltei do Chile decidida a fazer algo com a minha vida.

Eu queria viajar por longas temporadas, então trabalhei durante todo o período que fiz universidade, em mais de um emprego ao mesmo tempo, quando tinha essa oportunidade. Fracassar não era uma opção – a meta era ralar e fazer acontecer (eu era nova gente, cheia de vontade!). Em um certo semestre, quando a data da minha primeira grande viagem se aproximou, comecei a fazer eventos também (e aí era o terceiro turno). Eu sabia que meus pais me ajudariam se eu pedisse, mas não queria pedir uma viagem de “férias”, eu queria independência para “rodar o mundo”. E depois de muito trabalho e correria no curso – tranquei o semestre e fui conhecer o mar mediterrâneo com uma mochila de 12 quilos como única companheira.

Naqueles dias, não tinha skype, facebook, e o salário mínimo era menos de 300 reais. O mundo era outro, mas acredito que alguns de vocês têm idade para saber disso! Lembro que trabalhei de garçonete na primeira ilha grega que morei e achei que meu salário em euros era sensacional! Também fiz alguns trabalhos temporários nas outras ilhas. Tudo que pudesse me dar a chance de continuar viajando….eu fazia. Viajava com muito pouco, economizava, ficava em hostels de até 5 euros a diária (dormia em quarto misto – e dormia de roupa porque se precisasse sair correndo de algum tarado à noite, eu estaria pronta). Lavava pratos em troca de acomodação, se fosse o caso 😉 e fazia feliz.

Nesta primeira viagem, conheci muito bem a Grécia, descobri  a Turquia, me encantei pela Inglaterra e me aventurei pela Escócia. Lembro que vi o ano novo em Edimburgo voar pelos ares em uma noite de virada que teve furacão. Voltei para o Brasil para terminar o curso mas já estava decidida: eu iria voltar para morar na Grécia.

O momento da decisão

E foi isso que fiz, com muito, mas muuuuuuito esforço, gente. Acho que já devia ser parte do meu destino, porque eu era muito obstinada. Como minha família é toda de imigrantes europeus (meus pais são filhos de gregos de italianos e mais lá atrás temos sírios e portugueses na família também), viajar e mudar de país deve estar no meu sangue. Isso facilita na parte dos papéis e na dupla cidadania, mas não facilita na jornada rumo ao desconhecido.

Não gosto de me colocar em uma posição de vítima da vida – eu não sou!! – mas por muito tempo me sentia “uma sobrevivente”. Tive um dos piores empregos da minha vida na ilha grega de Corfu, mas aprendi muito sobre chefes abusivos, homens agressivos e pessoas malucas. Como sempre viajava sozinha, passei por situações tristes e sofridas relacionadas à tentativas de abusos sexuais, mas eu era uma sobrevivente e iria sobreviver. Então eu reagia, lutava, ou corria, fugia. Eu não queria nem pensar em desistir do meu sonho de viajar por causa do MEDO. Aprendi, por questão de sobreviência, a “ler as pessoas” e escolhi melhor os locais e as companhias. Me senti muito sozinha. Eu não contava com ninguém naqueles dias, mas a vida me deu presentes e fiz grandes amigos, muitas pessoas me ajudaram quando precisei. Minhas família veio me visitar algumas vezes quando morava fora e sempre me apoiou mesmo sem concordar com as minhas escolhas.

Perdi parentes queridos enquanto estava na luta para me estabelecer no exterior, e isso dói tanto que nem consigo descrever. Fiquei sem dinheiro e trabalhei em mais um tanto de empregos que eram vistos como “subempregos” mas realmente, nunca me importei. Eu estava aprendendo e tinha clareza que era apenas uma parte da minha jornada. E uma parte bem necessária para criar a força e resistência que eu iria precisar adiante – mas isso só Deus sabia.

Quando abri meu primeiro negócio eu tinha 23 anos e já tinha feito de tudo um pouco (inclusive trabalhado com organização de casamentos – quem diria!). A minha primeira loja em Santorini foi um sucesso e um fardo, que me alegrou e me fez chorar demais. Por questões pessoais, tive que largar tudo na ilha do vulcão e voltar para o Brasil. E aí recomecei de novo – pela terceira vez –  tinha 24 anos e me sentia uma velha cansada e fracassada.

Depois do segundo negócio, veio o tombo, depois do terceiro, mais lições e então abri meu quarto negócio. Todos estavam ligados a viagens, porque esse era meu sonho – viver viajando. Depois do primeiro negócio virtual, veio o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto. E já estamos no sexto. Conheci meu marido, que também ama viajar e este é nosso hobby favorito. Noivamos em viagem pela Itália, casamos na Grécia – juntos já fomos para o polo norte e polo sul! E outras tantas viagens maravilhosas!

Depois de escrever mais de 500 posts sobre a Grécia, a paixão virou trabalho sério. Depois de ajudar mais de 200 noivas, veio a primeira noiva que me contratou e hoje somos a empresa que mais faz casamentos em Santorini para brasileiros – temos uma equipe e trabalhamos num ambiente onde sonhar é permitido! E a cada foto linda que vocês verem de mim, lembrem que eu devo ter tirado 200 para postar 1. Em cada registro de viagem maravilhosa que você ver, lembre-se que tem uma menina que já teve síndrome do pânico e medo de voar – mas como vocês já sabem, eu escolho que o MEDO não vai decidir a minha vida. Sou eu, de mãos dadas com Deus, que vou escolher meu caminho.

Este post saiu totalmente fora do que eu tinha planejado compartilhar com vocês (virou um desabafo maluco) mas espero que possa servir de reflexão e inspiração…..

Eu acho que o que que quero dizer é: tentem – tentem o máximo que vocês podem.

É assim que os sonhos se realizam.

E se hoje eu viajo o mundo todo, e tenho a alegria de viver todos os meus verões nas ilhas gregas é porque tem mais de 10 anos que mentalizo isso, mais de 3650 dias que trabalho para isso. Com muita fé, amor e gratidão!

E se você não tem grana e odeia seu trabalho, não desanime: espero que você possa encontrar o seu caminho. Não tem nada que funcione tão bem quanto o desejo vindo da escassez – quando ele vem atrelado ao sonho de ser feliz, feliz de verdade, com aquela felicidade do tamanho do mundo.

Não existe vida fácil – existe gente que não desiste. Desejo que você seja assim 🙂

Dicas-de-Santorini
Dicas de Santorini – Oia pela manhã

Para aqueles que acham que quem viaja muito não trabalha muito!

Recentemente, me vi bombardeada por perguntas que, volta e meia, são direcionadas a minha pessoa. E receio que não será a última vez que isso acontece assim como não foi a primeira. E espero (realmente e honestamente) que as pessoas continuem perguntando para o resto da minha vida, porque eu não consigo visualizar uma súbita mudança pré-planejada no meu lifestyle – Graças a Deus. Mas eu aceitarei de bom grado quando ela chegar, se ela chegar. Até lá, perguntem, por favor, sintam-se livres para perguntar a vontade!

Afinal: por que eu viajo tanto? Como eu consigo me programar para ter tempo e grana suficiente? Eu devo ser milionária e não trabalhar, certo? Não. Mas a resposta é bem mais complicada que apenas essa negativa curta.

Vamos começar do começo. Eu trabalho sim e muito, atualmente com milhões de projetos ao mesmo tempo que envolvem o blog e o meu primeiro livro, mas também passam por lojas virtuais, parcerias com organização de casamento, produtos para casamento, mídias sociais, etc. Ao todo são 3 blogs, 4 pages no face  (nem todas atualizadas), organização de 4 sites, um livro de mais de 500 páginas e o segundo já no começo, sem contar a linha da história dos outros 2 – são 4 ao todo. Sim, eu trabalho bastante, até quando acordo no meio da noite, eu sento no pc para escrever. Minha jornada ultrapassa 12 horas diárias todos os dias. Quando vou no cinema no final de semana, eu saio para fazer anotações no caderninho da bolsa (e até mesmo quando estou em situações tristes, como aconteceu em um velório recentemente).

É, eu acho complicado explicar para as pessoas sobre o meu trabalho, mas seria imensamente mais difícil me convencer a fazer outra coisa. Cada pessoa é de um jeito, tem um talento e se somos feliz assim, temos que respeitar nossas escolhas (mesmo e apesar das opiniões dos outros). Eu não fui sempre assim, é bom você saber. Eu já trabalhei em empresa, já tive loja e comércio é um trampo sem final de semana (e com muito stress). E ainda assim, eu viajava bastante. E no começo, me orgulhava quando as pessoas me mandavam email do tipo “aonde você está morando?” ou quando me viam na rua e se assustavam “pensei que você estava em alguma ilha grega!”. Naqueles dias, eu já vivia na labuta insana para bancar as minhas viagens, trabalhava em 3 empregos ao mesmo tempo, vendia tudo que era coisa nas lojas de shopping e quando estava no exterior, me virava em todo tipo de trabalho que aparecia. Aliás, que eu corria atrás. Era assim que eu viajava quando tinha 20 anos. Belo aprendizado, preconceito zero, quebra de paradigmas e liberdade plena, permeado por sufocos de todo tipo. Se pudesse voltar lá atrás, adivinha? Faria do mesmo jeito.

Aí, eu cresci um pouquinho. Ganhei experiência e abri minha primeira loja fora do Brasil. Depois, a segunda, em Belo Horizonte. E a ideia de trazer o mundo para o meu mundo, continuou existindo. Viagens para Argentina e Grécia eram frequentes e então veio a vontade de fazer negócios com a Turquia, abrir os mares, expandir os horizontes. Eu tentei crescer até onde deu, mas as vezes o sonho é realmente muito maior do que a gente. E nesses casos, a dor da decepção ainda vale a pena: saímos maiores e mais fortes do que entramos.

Cheguei em um ponto que não conhecia ninguém que viajava mais do que eu, digo, viagens para lugares que estão a mais de 12 horas de voo de Guarulhos. As pessoas me olhavam sem entender exatamente o que eu fazia da minha vida. Era um olhar que escondia um misto de pena com curiosidade. Eu sorria de volta, como quem sugere que sabe exatamente o que está fazendo. “Mas será que sabe mesmo?”, eu conseguia ler na cara das pessoas. Eu perdi a festa de formatura de Medicina da minha prima, casamentos de várias amigas super próximas e até o enterro do meu avô paterno. E ao contrário do que muitos pensam, de longe é tudo mais sofrido e solitário ainda.

Enquanto as pessoas viviam suas vidas tranquilamente no Brasil, indo a bares todos os finais de semana, frequentando camarotes de shows e comprando carros do ano, eu estava em algum canto do mundo trabalhando insanamente em algum café, sendo xingada em grego. Eu lembro que, quando era garçonete, atendia casais do mundo todo no pequeno porto de Pitagório, na ilha de Samos. Eu era obcecada pelo valor final da conta, ficava tentando adivinhar quanto daria, porque o valor era sempre superior ao que eu iria receber no final do dia. O meu salário era uma merreca, mas dentro de mim eu sabia que aquilo era apenas um degrau da minha escada, apenas parte do caminho que eu estava começando a trilhar. Eu tinha certeza de que um dia eu iria sentar lá com o meu amor e pedir quantos drinks quisesse. E pagaria quantos euros fosse, eu esmagaria aquele maldito café com a minha carteira….um dia (!!).

Brincadeiras a parte, é claro que eu queria “crescer na vida”, mas eu tinha escolhido um caminho diferente, para uma vida diferente. Então eu recebia emails dos amigos de casa que enviavam fotos de uma vida mais fácil e tranquila, que, de um jeito estranho não parecia me pertencer, enquanto eu contava meu míseros 25 euros do dia. Será que um dia eu voltaria para aquela vida?, me perguntava enquanto conferia a gorjeta pão dura do dia.  Ou ainda quando eu estava colocando meu orgulho de lado para entrar atrás do balcão e montar bebidas para os insistentes bêbados de pub. Ou mesmo quando eu estava dobrando e encaixotando uma quantidade inacreditável de roupa, em algum escritório no meio do bairro religioso de Istambul. Eu certamente naquelas noites estava dormindo em quartos compartilhados de hostel ou kitnets simples, talvez mesmo no sofá do escritório. Ainda assim, eu estava livre.

E então, quando voltei para o Brasil –  mais uma vez  – e me senti a pessoa mais estranha em BH, conheci o meu marido. Inacreditavelmente, ele estava em BH, depois de ter chegado de Buenos Aires apenas dois dias atrás. Na sequência, ele já ia para a Suíça, na volta teria uma semana em São Paulo, antes de ir para o nordeste com os pais. E nos 60 minutos que tivemos no mesmo recinto, falamos de aventuras de todos os cantos do mundo. E bem no meio de histórias sobre mergulhos assustadores com golfinhos e tubarões, de festivais de música distantes, de passeios de barco em mares agitados, ele me convidou para passear de balão na Capadócia, em Barcelona. Ou em Itu.

Eu aceitei o convite. E naquela única janela de tempo de uma semana que ele teria no Brasil, ele veio de São Paulo me ver mais uma vez em BH. E então foi para o nordeste e eu fui para Búzios. A saudade foi muita e então eu corri de Búzios para São Paulo, em insanas 12 horas de ônibus no dia mais cheio do ano, 2 de janeiro. E aqui estamos: em quase dois anos de casados, já fizemos uma road trip completa pela Itália, fomos ver a família em Vila Velha e Campos do Jordão, fomos descansar em Jeri, Fortaleza, fizemos mil lugares na Grécia e Turquia no nosso casamento, Porto de Galinhas, Olinda e Recife, China, Dubai, Abu Dhabi. E nesse pequeno intervalo, ele foi sozinho mais algumas vezes para Buenos Aires, Zurich e Londres. Eu fui para Atenas, Santorini e BH. Em apenas dois anos. E sim, trabalhamos como nunca nesses 24 meses.

Calculo que cada hora viajada em um barco, avião ou ônibus valeu a pena para mim. Viajar faz parte da minha vida e é muito difícil ser diferente. Sinto saudade de todos os amigos que deixo espalhados pelo mundo, sinto que se eu pudesse ser duas, eu teria ido naquele casamento ou naquele enterro. Não teria perdido tantos aniversários, dias das mães, dos pais, natais. Ou então, eu controlaria a agenda do universo para que eu pudesse estar presente em todos esses lugares, nos intervalos certos, nas datas certas. Mas enfim, não é assim que as coisas acontecem e eu sou livre e escolho continuamente ser livre. Os meus amigos e família que me amam sabem que ser uma estrada é difícil, mas que para mim, não ser uma estrada seria impossível.

Ah, importante. vou viajar em breve de novo. Ops e talvez uma outra vez. Mas continuo sem carro 😉 Tem algo sobre o jeito que eu escolhi para viver minha vida que algumas pessoas nunca vão entender, mas isso é OK, porque somos diferentes. Eu sempre vou estar indo ou voltando de algum lugar, esta sou eu, muito prazer. Sugiro que você faça a sua escolha e liberte-se. E quem sabe nos encontraremos em algum canto entre céu e terra, com ou sem carro, viajando ou em casa? Seja feliz, a sua maneira, a sua escolha. Ou continue se torturando achando que “poder e querer são coisas bem diferentes”, como afirmou alguém que certamente não tinha fé suficiente pra ir para longe da sua toca.

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