paz no mundo
Pensamento do dia,  Sonhos e devaneios

Terrorismo: só nos resta lamentar?

Não.

É preciso agir. Só que antes de agir, é preciso pensar.

Por que estamos vivendo em um tempo no qual atos terroristas pipocam a todo instante por todo o globo?

É abominável, é triste, é desolador, é assustador. Depois dos lamentáveis acontecimentos do final de semana em Paris, sentimentos ruins de toda natureza tomaram conta de mim. Eu confesso que não sou daquelas pessoas que acompanham todas as notícias mas não tem como ficar indiferente frente a tanta desgraça. Seja no coração da Europa, na África, na já destruída Síria ou em qualquer canto esquecido do planeta, o absurdo do terrorismo atual é devastador.

Há quem diga que é isso que eles querem: apavorar o mundo. Outros afirmam que são atos isolados e oportunistas. Outros afirmam que o Estado Islâmico é mais articulado do que se poderia dizer. E ainda, tem o time dos que têm certeza de que o pior está por vir. E frente a tanta confusão e violência, eu não paro de me perguntar: o que há de errado com as pessoas?

É sabido que de tempos em tempos o mundo presencia certos tipos condenáveis de comportamento. Sejam eles ligados a disputa de território, desrespeito a diferenças culturais ou questões raciais, o ser humano volta e meia teima em se matar. 🙁 Mas a situação atual tem me deixado especialmente brava e triste por inúmeras questões. Já aviso que eu não sou historiadora, nem jornalista e aqui expresso apenas a minha simplória opinião:

  1. Fico brava pelos outros 99% islâmicos, que agora têm seu nome vinculado a um grupo extremista que age em nome de menos de 1% do grupo real de islâmicos no mundo;
  2. Fico triste pelas crianças e suas famílias da Síria que estão sendo executadas a sangue frio ou que estão se envolvendo em missões suicidas para fugir para o outro lado do mundo;
  3. Triste e desolada pelos ataques na França e no mundo inteiro, pela vítimas, pelas famílias e também pelo fato de que já não nos sentimos seguros em lugar nenhum;
  4. Triste pelos gregos das ilhas do Dodecaneso e por todos os outros que estão tendo suas vidas viradas de cabeça para baixo por causa do número insano de imigrantes que chegam ao país;
  5. Triste por ter medo de escrever este post, sem saber se vou ser atacada por falar o que penso;
  6. Triste por concluir que as mesmas ferramentas de pesquisas que são perfeitas ao capitalismo (e que não param de me avisar sobre novas hospedagens em Punta Del Este) são totalmente inexistentes ou falhas para acompanhar a movimentação de pessoas com atividade suspeita;
  7. Triste de dedicar meus pensamentos a coisas tão mórbidas e trágicas, enquanto a vida continua, de um jeito ou de outro….
  8. triste de…..CHEGA! AFINAL…. SÓ NOS RESTA LAMENTAR? O QUE PODEMOS FAZER?

Eu não tenho receita de bolo, mas depois de conversar com muitas pessoas, concluí que temos SIM muito o que fazer. São coisas pequenas e sutis, então eu e você podemos começar AGORA. E para conseguir exemplificar melhor o que quero dizer, vou compartilhar um pouco da história de um jovem que conheci na última viagem pela Grécia. Eu estava na praia com a minha prima e ele passou vendendo alguma coisa, que nem me lembro o que era. Tentamos nos esquivar, mas ele insistiu e começou a contar sua trajetória. Resumindo: Ele era um menino normal, mas com a crise seus pais perderam o trabalho – e a triste saga começa: ele sai da escola e vai trabalhar – a crise piora – no trabalho já não ganha nada – depressão e ansiedade – ele vai para as drogas – vai morar na rua – chega no fundo do poço – a família resgata – ele se trata – começa a escrever letras de música – crise econômica só piora – faz raps contra o governo – é preso e apanha muito – vai para a Igreja – começa a escrever rap para Jesus – e agora virou um religioso que eu quase chamaria de radical.

Antes de tudo, quero dar algumas explicações. Não pretendo, com este exemplo, explicar como nasce um terrorista. Não estou defendo, nem justificando nada. E nem rotulando o pobre jovem de terrorista. Existem muitas pessoas de fé inabalável (eu mesmo tenho muita fé e sou rezadeira convicta) que nunca colocariam uma arma na mão. (É melhor deixar isso bem claro, senão a chuva de comentários de pessoas que parecem que só leem uma frase vai ser pesada…). Eu apenas estou me perguntando, em voz alta, se não estamos em uma sociedade que está gerando mais terroristas do que pessoas pacíficas. Mais depressivos e ansiosos do que felizes e realizados. E se este é o cenário, o que podemos fazer para evitar que o radicalismo e extremismo tome conta?

Nós nunca podemos adivinhar qual é a história de vida da pessoa ou quais valores ela aprendeu em casa. Não podemos imaginar quem está atravessando uma fase desgraçada ou afundado em uma depressão. Não. Mas podemos parar de destilar raiva no mundo, podemos parar de ser radicais e extremistas sobre todo e qualquer assunto. E lógico, temos que parar de cobrar que as pessoas sejam radicais também. Alguns vão se manifestar sobre os atentados por escrito, outro vão mudar a cor do perfil, outros vão rezar em casa, outros vão mandar doações. É PRECISO QUE SE RESPEITE MAIS O ESPAÇO DO OUTRO, O MOVIMENTO DO OUTRO. Podemos parar de xingar o coleguinha de direita, ou de esquerda. Podemos parar de dividir o mundo entre negros e branco, entre gays e heteros, entre mulheres e homens.Podemos parar de mandar recados mal educados no facebook quando ciclano ou beltrano fala A ou fala B, podemos parar de agredir o outro em todo e qualquer discurso, seja ele real ou digital. Podemos trabalhar uma arte que há muito vem sendo esquecida ou ignorada, que é a ARTE DE CONVERSAR. Podemos parar de ver o mundo dividido em dois, pois do contrário nós apenas enxergamos um contra o outro, escola pública X privada, Zona Lesta e Zona Oeste. É preciso falar e ouvir, pausadamente e com o coração. Se somos contra o radicalismo e extremismo (e somos sim, pelo amor de Deus!) temos de parar de ser radicais em nossas rotinas diárias!!!!!!!!! E isso já seria um grande começo 😉 Nossos tatara tatara tatara netos agradem 🙂 E quem sabe, se eu for bem sucedida, não haverá um mundo melhor para nossos filhos? Vale a pena tentar….

Em um mundo onde a Europa já não é o paraíso, nem “islâmico” é apenas denominação para o praticante de uma religião, é preciso entender que algo tem que mudar. E se esperarmos este ALGO MÁGICO E SUPERIOR vir de fora, do alto, vamos esperar sentados.

Faça sua parte daí, que eu faço a minha daqui. E vamos conversar mais a respeito disso.

Uma semana de boas vibes e reflexões a todos! E muita luz às vítimas e às famílias de todos que estão sofrendo.

paz no mundo

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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