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Trabalhar fora e criar os filhos: Missão impossível?

Não, em primeira instância, eu diria veemente que não é impossível. Mas afirmo que não sou mãe e trabalho em casa ou de qualquer lugar pelo meu computador, então quem sou eu para achar alguma coisa?

Eu não fazia ideia da magnitude da missão de ser uma mãe que trabalha fora então investi algum tempo e energia para investigar algumas amigas mães afim de descobrir onde estariam os maiores gargalos do processo. Depois de alguns dias, muitas mamadeiras, ligações, dores de cabeça e um stress sem limites me senti pronta para escrever esse texto.

Minha conclusão: trabalhar fora e criar os filhos realmente não é uma missão impossível, mas é uma tarefa infinita para lá de árdua. Mas, se trabalhar fora significa ter sucesso em uma carreira executiva que demanda 12 horas por dia de dedicação isso não será compatível com cuidar dos filhos da melhor maneira possível, pois isso sim me parece impraticável. Pelo menos agora, pelo menos no Brasil.

Nossa legislação ainda se apoia em conceitos antigos que não preveem meio horário para mães que trabalham e nem um suporte mais realista como acontece em outros países da Europa. Enquanto vivemos no aqui e agora, a única maneira é se virar como pode, com o que se tem em mãos.

Percebi que a opção óbvia preferida pelas mães trabalhadoras é chamar suas mães para darem um apoio, o que a principio pode ser muito bom e eficiente. Confiamos em nossas mães e amor de vó é imensurável. Mas no médio prazo essa relação tem que mudar e os limites e espaços devem voltar a existir, senão todo mundo sai perdendo, inclusive a criança. Só que mudar, todos nós sabemos, não é fácil. Ainda mais quando se está acostumado com as mordomias que uma avó por perto pode trazer. No entanto, não se engane: a dinâmica da vida ainda demanda que pai e mãe criem seus filhos, salvo em situações de morte ou incapacidade total. Alterar ou tentar a todo custo atrasar essa realidade não vai salvar ninguém. É apenas uma questão de tempo para que as consequências comecem a ser sentidas para todo lado. A criança ficará confusa quanto aos limites, a avó vai se exaurir na tarefa de mãe e a mãe biológica vai ser sentir cada vez mais incapacitada, distante.

Chegou nesse ponto? Quebre o ciclo vicioso e recomece. Como? Vou citar alguns simples exemplos que me pareceram funcionar de maneira satisfatória para o alívio de algumas mães que acompanhei.

  1. Estenda o horário do almoço para dar um corrida em casa e aproveitar para dar um banho e alimentar a criança. É uma ideia boa para mães que moram perto do trabalho e tem alguma flexibilidade de horário. Importante: se isso for te deixar afobada, ansiosa e muito apressada é melhor não fazer.
  2. Evite de deixar a criança comer na frente da televisão. Esse é um péssimo hábito que os adultos estão passando para as crianças, devido ao desespero e pressa nas atividades corriqueiras do dia. Nada de desenhos animados na TV nem vídeos no computador, pois este hábito é um dos mais difíceis de serem corrigidos ao longo do tempo.
  3. Avalie e utilize com moderação a distração gerada pelos celulares, computadores e televisão. As crianças estão ficando viciadas e hipnotizadas pelos estímulos sonoros e visuais de modo que estão dispensando todo e qualquer contato pessoal. Na hora do desespero, a mãe liga o desenho e consegue respirar um pouco mas isso não deve acontecer ao longo do dia. A criança precisa de atenção, de alguém para desafia-la estimula-la, ainda mais quando muito pequena.
  4. Entenda a importância de uma escolinha o dia todo para a criança. Mesmo se ela for novinha, porque hoje já existem lugares especializados para socorrer as mães que não tem condições de manter o filho até os dois anos dentro de casa. Lá ele vai aprender a socializar, a comer, a brincar e a se portar como gente.
  5. Aceite que você, como mãe, precisa de apoio psicológico e não tenha vergonha de procurar ajuda. Criar um filho é barra pesada mas não deixe o cansaço e stress da rotina roubar a beleza da essência de construir uma família.
  6. Aceite também que agora a sua vida mudou radicalmente e que isso é bom. As viagens serão repensadas, algumas adiadas, os gastos vão aumentar, mas a escolha foi sua. Então vista a camisa e aproveite o passeio.
  7. Aprenda tudo que puder sobre meditação. Antes, durante e depois da gestação. Existem técnicas simples que te fazem sair de situações-limites em apenas 1 minuto. Basta pesquisar na internet e se informar melhor.
  8. Pesquise também sobre Reiki e outras práticas que podem melhorar e muito a sua energia, a da sua casa e da sua criança. Estar em equilíbrio é o melhor que você pode fazer (e desejar) para seu filho.
  9. Envolva o pai, o máximo possível. Parece óbvio e é, mas algumas mães acham que o pai precisa de relaxar, jogar futebol, pôquer e fazer happy hour, enquanto em casa ela nem consegue tempo para lavar a cabeça. A mãe e a criança precisa do homem e ele também precisa se sentir parte do processo.
  10. Trabalhe a musicalidade de seu filho. As crianças estão cada vez mais espertas e ligadas e se conectam com todos os celulares que tocam na casa, então deixa a música clássica inundar o ambiente delicadamente e acalmar as mentes presentes.
  11. Encontre uma babá que não seja apenas uma acompanhante de criança. O ideal é achar uma pessoa que tenha valores como os que você pretende passar para seu filho. Ficar correndo atrás dele pela casa com o garfo na hora da refeição não vai fazer ele aprender a comer, vai no máximo criar péssimos hábitos futuros.
  12. Coloque seu filho na cama cedo. Crie um ritual que deve ser repetido a cada noite, que inclua um banho relaxante, uma refeição leve, uma leitura tranquila e canções de ninar. Criar hábito demanda tempo e paciência.
  13. Não deixe a criança te vencer pelo cansaço. É preciso muito controle mental para impedir que seu filho se eletrocute na tomada mas é preciso dizer um “não” controlado todas as mil vezes que ele tentar colocar o dedo na tomada. Se você não ensinar que na vida é preciso ter paciência e controle, quem vai ensinar?
  14. Não xingue, não grite, não esbraveje e nem amaldiçoe a criança. Nem na sua frente, nem na sua ausência. Energia é tudo nessa vida e crianças nervosas, manhosas e agressivas estão apenas respondendo a energia que recebem de seus pais.
  15. Tenha paciência, os primeiros dois anos serão provavelmente uma montanha russa sem freio. Mas vai valer cada minuto investido. Faça seu filho sentir que tudo que você faz vale a pena para ver o seu sorriso no final do dia.

Solução mágica, não tem. É viver um dia de cada vez e conscientemente agradecer a oportunidade que Deus nos deu de gerar uma vida. E curtir cada momento, enquanto ainda podemos. Se a vida é sobre dar e receber, temos que estar atentas ao que estamos distribuindo a nossas crianças, a cada minuto, a cada momento. Um dia tudo há de mudar, apesar da nossa vontade. O que me parece é que, acima de tudo, nos falta perspectiva. Nos falta resignação e aceitação, afinal não escolhemos sermos mães? Então, que aceitemos a missão mesmo que impossível assim como os heróis de filmes o fariam: com um sorriso charmoso no rosto e muita força de vontade, porque perder o jogo ou pedir para começar de novo não faz parte do enredo.

Boa sorte, mulheres corajosas! O mundo depende de vocês!

criar filhos e trabalhar

Ei gente, aqui é a Lulu. Sou de família grega e italiana e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Moro em Amsterdam e viajo todo verão para a Grécia, para realizar o sonho de quem quer casar em Santorini. Pergunte que quiser. 😉

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