Lulu em Dubai
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Um Óasis no meio do deserto e as perguntas que ele me traz

Sentada embaixo da sombra que o grande e poderoso guarda-sol faz na beira da piscina, penso que deve estar uns 45 graus a poucos metros de mim. Pego o meu Iphone e confiro que eu estou certa, 44 graus naquele horário e ainda é de manhã. O garçom passa servindo espetinhos cuidadosamente preparados com frutas doces da estação. Toalhas de rosto enroladas dentro do balde de gelo são deixadas em nossa mesa e um rapaz do Nepal passa oferecendo um pouco de água termal Evian para borrifar no rosto e aliviar o calor. Me alivio por dois segundos e acho que estou pronta para enfrentar o dia.

Lembro dos homens, mulheres e crianças que devem estar por aí, caminhando no meio desse deserto impiedoso de tão escaldante enquanto eu estou morrendo de calor no meu Desert Resort e Spa. Não é culpa capitalista nem pena o que sinto, é mais admiração e extrema curiosidade. Daqui, quando olho ao redor o deserto parece cruel e implacável, mas ele foi e é morada de muitas pessoas nessa região. No verão, eles se mudam para os oásis e no inverno se acomodam em algumas dunas, onde as chuvas formam lagoas. Ficar perto da água é a prioridade número um e se proteger do sol deve ser a premissa zero. E de tão brutal, o deserto é belo e sua  vegetação escassa desperta a minha curiosidade.

Como alguém pode viver em condições tão extremas?  Nascer, crescer e morrer embaixo de um sol tão quente e um ar tão abafadamente pertubador? Olho para meus lados e crianças inglesas quase albinas brincam nas belíssimas piscinas. Não tenho resposta. Então, vem a segunda pergunta. Poderia eu, embaixo da minha sombrinha de resort, julgá-los por alguma coisa? Por serem como são? Ou por fazerem o que fazem?

Embaixo da sombra das minhas certezas envoltas pela ínfima sabedoria de que sei alguma coisa (quase nada) percebo que aqui do outro lado do mundo o mais sensato seria dizer que nada sei. De verdade, não entendo muito do que vejo, mas ainda assim sinto o quao bonito é. Mesmo quando reparo em todas as vestimentas, das ruas Dubai até aqui, no meio do deserto dos Emirados Árabes, aqueles longos vestidos de manga compridas, acompanhados de inúmeros lenços e as mulheres que eles escondem, até isso é bonito, no seu jeito próprio. Mas peraí…. esconder o que a mulher tem de bonito, ainda mais nesse calor infernal, como posso achar isso belo? Sei lá, a atmosfera daqui deve estar me deixando tonta. No começo, pensei que se tratava apenas de religião e cultura, mas eu estava errada. Estamos falando de sobrevivência.

Antes de chegar aqui, passamos belos 5 dias em Dubai, um lugar tão exótico e envolvente que ainda não tenho palavras formuladas suficientes para escrever em um post completo. Mas me lembro que no meio do Old Souk, ali bem ao lado do Dubai Creek,  na Old Dubai vi três mulheres caminhando de braços dados em vestimentas longas negras e com os rostos tapados. Até aí tudo bem, você pode pensar, estamos no Oriente Médio e mulheres totalmente cobertas são figurinha repetida. Mas no rosto, elas usavam algo que se assemelhava a uma armadura, sendo que um pedaço de aço escuro tapava suas sobrancelhas, nariz e boca. Mais tarde no mesmo dia, vi no Museu de Dubai que as mulheres beduínas usavam semelhante vestimenta e proteção no rosto e por mais que eu não tenha tirado foto alguma de nenhuma dessas mulheres, eu nunca vou tirar tal imagem da minha mente.

Tão forte, tão assustadora, tão poderosa, tão adaptada, tão reprimida, tão repressora, tão forte, tão sobrevivente. Tem algo em ser um sobrevivente que não se pode explicar a quem não é, a quem não passou por aquilo. Então como poderíamos entender o que eles dizem? Ou como vivem? As coisas que mais lembramos são as impossíveis de serem esquecidas. Certo?

De novo, me pergunto: Quem somos nós para dizer alguma coisa sobre esse mundo? Me calo. Não acredito em respostas fáceis e prontas para perguntas como esta. Deixa eu pensar mais pouquinho, avaliar, ler o vento pelo movimento da areia e observar a expressão das mulheres que nadam em verdadeiros maiôs-burcas. Deixa eu tentar mais um pouco, porque até então só consigo ficar maravilhada, como uma criança inocente e curiosa em um mundo novo. Olho para o jornal e…eita, hoje promete 47 graus, ainda bem que o rapaz da Evian já está voltando, ufa. É até difícil pensar em um calor desses. Quando tiver descoberto alguma coisa conto para vocês 😉 Bjs

Lulu em Dubai
Lulu no Bab Al Shams Desert Resort and Spa
Lulu em Dubai
Lulu no Creek Dubai

Blogueira e escritora, sou de família grega e morei em Santorini. Em 2014, tive o prazer de me casar na ilha de Santorini, lugar mais lindo do mundo! Viajo todo ano para a Grécia para visitar meus amigos e parentes e tenho vários contatos em Santorini. Pergunte que quiser. 😉 Ah, e também escrevo sobre os lugares que conheço, vivo na estrada, sou uma escritora viajante. Seja bem vindo ao meu país das maravilhas!

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