Viajar é preciso!

Queridos leitores,

estou na Suíça, conhecendo a belíssima Zurich! Neste exato momento, vejo pela varanda que cai uma leve garoa lá fora como o iPhone já tinha previsto. Aqui até a garoa chega pontualmente, as 2:48 pm como foi anunciada. Nada melhor do que não ter surpresas metereológicas quando se quer descansar e relaxar, certo?

Depois do pancadão que foi a viagem da China, a ostentação top dos Emirados Árabes e a viagem de trabalho pesado (físico e emocional, diga-se de passagem) que foi o começo de setembro nas ilhas gregas, finalmente posso afirmar que estou descansando um pouquinho na Suíça. Aff, e não é merecido?

Há quem pense que viajar é sempre descansar mas quem viaja frequentemente sabe que isso é utopia e apenas meia verdade. Viajar é ampliar a mente, forçar limites, aprender novas línguas, entender culturas exóticas, provar comidas estranhas, agasalhar muito e ainda passar frio. Ou passar calor, nos 51 graus no meio do deserto persa! E não há água fresca nem sombra nenhuma que o dinheiro dos sheikis possa comprar para aliviar esse bafo sufocante!

Viajar é desconfortável. A barriga incha com as comidas, o pescoço doí com o travesseiro estranho, o sono fica atrasado pelas horas de diferença do fuso, o jet lag faz a cabeça doer sem parar por dois dias. Toda a dieta que faço em São Paulo vai por água abaixo quando piso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. E em todas as viagens as roupas ficam apertadas e quando volto para o meu apê paulista de novo, o que aperta é a fome e o ritmo do treino. O cansaço bate e bate forte e bate sempre. Aqui, em Zurich, continuo sonada e cansada…. Mas a vontade e necessidade de conhecer lugares novos ou revistar velhos conhecidos do peito sempre é maior do que qualquer exaustão. Então pego o guia e saio na rua 😉 (Sim, eu sou old school do tipo que carrega guia físico e com fotos!)

Quem viaja muito se adapta a isso. É como uma droga, as viagens viciam. A sensação de desconforto inicial, de não adaptação, de ser um outsider é assustadora para muitos e confesso que é para mim, nos primeiros 5 minutos. Depois, me acostumo e me deleito porque me sentir um patinho feio fora do ninho já é o sentimento mais comum do que todos os outros. Me parece que os viajantes, assim como os veteranos de guerra, nunca conseguem voltar para a “casa”. Estão sempre vivendo ( física ou mentalmente) em um lugar mais distante, mais difícil, mais estranho, mais complicado. Assim como nos acostumamos a tudo nessa vida, nos acostumamos a não estar acostumados a nada. E se sentir estranho é o normal para mim. Eu sou uma viajante e não uma turista.

Ainda assim, não faria nada diferente do que faço. Não viveria outra vida que não fosse a minha. O melhor e o pior que pode acontecer é esbarrar em algum momento mágico da sua vida no qual você percebe que está sabendo um pouco mais sobre a sua pessoa. Acho que isso está acontecendo comigo, e sinto que é bom e é ruim. O tal “conhecer a si mesmo” é um quadro que nunca parece finalizado pelo pintor mas só de esboçar o desenho inicial fiquei animada. E apavorada também. Eu sou muito, mas muuuuuito mais estranha do que eu tinha noção. Mas ser estranha é ser normal para mim e eu preciso aceitar isso de vez.

Então Zurich se abre na minha frente, nesta tarde bela de outono europeu, e em poucos minutos a chuva já vai parar e uma caminhada pelo parque, ao redor do lago me parece super relaxante e necessária 😉 Só não me pergunte nomes, porque ainda sou um zero a esquerda para lembrar e falar esses nomes suíços e alemães. Até o final da viagem conto da Zurich turística para vocês pois por enquanto ainda estou me dando ao luxo de viver a Zurich poética da mente dos viajantes. Viajar é preciso, leitores. E esta pequena frase resume grande parte de mim 😉

Zurich Lulu no Pais das Maravilhas
Lulu pelas ruas de Zurich West
Zurich Lulu no Pais das Maravilhas
Lulu na Old Town de Zurich

2 comentários sobre “Viajar é preciso!

  1. “Me parece que os viajantes, assim como os veteranos de guerra, nunca conseguem voltar para a “casa”. Estão sempre vivendo ( física ou mentalmente) em um lugar mais distante, mais difícil, mais estranho, mais complicado. ” Me sinto exatamente assim.
    Viajar é extremamente necessário, contando os dias para minha próxima viagem.

    1. Esta nossa sina não é fácil, né? Mas não há como ser diferente! E só quem é igual é que entende!!! É tãaaaaaao difícil de explicar e ser entendido. 😉 Obrigada por ler e comentar! Bjsss

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